As alunas investigadas por falas sobre uma paciente transplantada no TikTok se manifestaram após a repercussão do caso. Gabrielli Farias de Souza e Thaís Caldeira Soares Foffano divulgaram uma nota nesta quarta-feira (9), afirmando que o vídeo publicado na rede social teve como única intenção expressar “surpresa diante de um caso clínico mencionado no ambiente de estágio”, e negam qualquer deboche ou intenção de exposição da paciente.
A gravação, que viralizou nos últimos dias, cita o caso de Vitória Chaves da Silva, de 26 anos, que passou por três transplantes cardíacos e morreu em fevereiro deste ano por choque séptico e insuficiência renal crônica. Embora o nome da paciente não tenha sido mencionado, os relatos feitos pelas alunas coincidem com o histórico clínico de Vitória. “Não sabíamos quem era”, alegaram Gabrielli e Thaís ao Metrópoles, reforçando que não tiveram acesso ao prontuário da paciente e que nenhuma imagem dela foi exibida. Segundo as estudantes, o caso gerou “curiosidade acadêmica” por se tratar de uma situação clínica rara.
“Nosso compromisso com a vida, a dignidade humana e os princípios éticos da medicina permanece inabalável”, diz outro trecho do posicionamento. As alunas ainda prestaram solidariedade à família de Vitória e afirmaram que estão tomando providências para esclarecer os fatos e proteger sua integridade pessoal, emocional e acadêmica. Em entrevista ao portal, Thaís declarou que está sofrendo com a repercussão negativa: “Como fica a saúde mental de uma estudante que é vítima do ódio disseminado pela mídia?”.
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que o caso é investigado como injúria, por meio de inquérito conduzido pelo 14º Distrito Policial, em Pinheiros. A mãe de Vitória já foi ouvida. Caso sejam condenadas, as estudantes podem receber pena de detenção de um a seis meses ou pagamento de multa — prazo que pode ser ampliado para até um ano caso seja comprovada violência associada ao crime. A família de Vitória também denunciou o caso ao Ministério Público, que pode oferecer denúncia formal.
Entenda o caso
A família de Vitória Chaves da Silva, de 26 anos, que morreu em fevereiro após uma cardiopatia congênita, prestou queixa na delegacia contra Gabrielli Farias de Souza e Thaís Caldeiras Soares Foffano por expor o caso e ironizar a paciente.
As estudantes publicaram um vídeo no Tik Tok em que falam sobre os três transplantes de coração feitos por Vitória no Instituto do Coração (Incor), em São Paulo. Thaís teria ironizado a condição da paciente, enquanto Gabrielli afirmou que uma das operações não foi bem-sucedida por ela não ter tomado os medicamentos.
Segundo Giovana Chaves, irmã da jovem, a publicação foi feita em 17 de fevereiro deste ano, nove dias antes de Vitória morrer por choque séptico e insuficiência renal crônica. Na gravação, as alunas afirmaram estar no Incor e mencionaram o caso da paciente, sem citar o nome dela.

“A gente está em choque, sem acreditar até agora. São sete horas da manhã. Uma paciente que fez transplante cardíaco três vezes. Um transplante cardíaco já é burocrático, é raro, tem questão da fila de espera, da compatibilidade, mil questões envolvidas. Agora, uma pessoa passar por um transplante três vezes, isso é real e aconteceu aqui no Incor. E essa paciente está internada aqui. A primeira vez que ela transplantou, ela ainda era uma criança, não sabemos mais detalhes”, apontou Thaís.
A dupla, então, informou que tentaria conversar com Vitória sobre seu caso. Foi quando Gabrielli sugeriu a falta de comprometimento da jovem com o tratamento. “A segunda vez, ela transplantou e não tomou os remédios que precisava tomar. O corpo rejeitou e teve que transplantar de novo, por um erro dela. Agora, ela transplantou de novo, aceitou, mas o rim não lidou bem com as medicações”, avaliou.
Por fim, Thaís falou: “Essa menina está achando que tem sete vidas. Não sei. Já é tão raro, difícil a questão de compatibilidade, doação. Enfim, ‘n’ fatores que não sei especificamente porque não passamos por cirurgia cardíaca ainda. Estou em choque. Simplesmente uma pessoa que passou por três transplantes de coração. Ela recebeu três corações diferentes”, completou a estudante.
Assista:
⏯️ Em hospital, alunas de medicina zombam de jovem transplantada 4 vezes
Em postagem no TikTok, estudantes comentam caso de Vitória Chaves da Silva, de 26 anos, que acabou morrendo após 4 transplantes de órgãos
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— Metrópoles (@Metropoles) April 8, 2025
Depois da repercussão, as instituições se pronunciaram. Leia a íntegra, clicando aqui.
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