A primeira vítima da adolescente que envenenou e matou Ana Luiza de Oliveira Neves, de 17 anos, falou pela primeira vez sobre o caso. A jovem, que também recebeu um bolo contaminado com arsênio, sobreviveu ao atentado e deu detalhes do episódio em entrevista à jornalista Grace Abdou, do Cidade Alerta, da Record. Por ser menor de idade, sua identidade não foi revelada.
A adolescente contou que, na época, não desconfiou de ninguém. Ela também disse que chegou a suspeitar de envenenamento por causa dos sintomas que enfrentou.
O caso veio à tona após a morte de Ana Luiza, no domingo (1º), em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo. A jovem que enviou o doce confessou o crime na terça (3), e foi apreendida pela Polícia Civil. Segundo as investigações, a suspeita agiu da mesma forma nos dois casos: mandou bolos de pote acompanhados de bilhetes com elogios, como se fossem presentes anônimos. A motivação seria ciúmes por envolvimentos amorosos das vítimas com um rapaz com quem a autora do crime teria se relacionado anteriormente.
A primeira tentativa de envenenamento aconteceu no dia 15 de maio. A adolescente que sobreviveu contou como foi a entrega e os efeitos que sentiu logo após consumir o bolo: “Eu recebi essa entrega na loja, através de um motoboy. E assim que eu recebi, eu tirei uma foto, que até então é a foto que está repercutindo por aí, né? Que seria a foto do bolo, da embalagem e da cartinha. Eu comi esse bolo, que também tinha um fini. Eu também comi esse fini. Assim que eu terminei de finalizar o bolo, eu comecei a passar muito mal, comecei a ficar pálida, a perder as forças, fiquei gelada… Tive muitos calafrios. Em seguida, eu fui para o hospital”.

No hospital, ela foi levada diretamente para a emergência. “Chegando no hospital, eles retiraram o meu sangue e fizeram os exames. No resultado do exame, constou que realmente tinha alguma substância no bolo, mas eles não sabiam dizer qual era essa substância”, relatou.
Segundo a adolescente, os sintomas só começaram a melhorar após uma semana. Ela e a mãe tentaram descobrir a origem do presente misterioso, mas não conseguiram: “A gente tentou saber como aconteceu, mas não chegou a suspeitar de ninguém. Ficou uma dúvida ali de quem foi”.

Na época, a adolescente não imaginava que aquilo poderia acontecer com outra pessoa: “Eu sei o que eu passei, que foi horrível. A sensação é péssima. Assim que eu vi que também tinha acontecido [com outra pessoa] algo que eu já passei, eu fiquei muito mal pela situação. Foi aí que a gente quis ir um pouco mais além para não acontecer com outras pessoas também”.
A mãe da jovem, Kátia, também falou ao Cidade Alerta e relatou o choque ao saber que Ana Luiza havia morrido da mesma forma. “Para mim foi uma parte muito difícil, porque quando eu ouvi o áudio dela, eu pensei dentro de mim: ‘senhor, poderia ter sido a minha filha’. Então eu agradeço a Deus pela minha filha estar bem, estar com vida. Mas eu me entristeci pela outra moça. Às vezes, eu me sinto um pouco culpada por não ter feito o B.O. Fica um monte de pensamentos na minha cabeça, talvez se eu tivesse feito o B.O, isso não teria acontecido com a jovem”, lamentou.

A garota lembra que o entregador chegou à loja onde trabalhava afirmando que tinha uma entrega para ela: “Quando ele chegou na loja, ele falou que tinha uma entrega. Eu, no momento, fiquei sem saber, porque eu não tinha pedido nada. E ali ele falou que era para mim, ele falou o meu nome, falou o nome da loja onde eu trabalhava. E eu voltei a falar: ‘olha, eu não pedi nada’. E aí eu fui pegar meu celular para ver se era alguém que tinha mandado para mim alguma coisa assim”.
“Aí, conforme era do 99, chegou um SMS com o código. Ele falou que poderia ter sido algum admirador secreto. Eu voltei a falar: ‘olha, eu não sei quem é, ou quem poderia ter me mandado'”, completou.
Na época, a família não procurou a polícia. Somente após a morte de Ana Luiza, eles entenderam a gravidade da situação. “Foi um choque para nós sabermos. Quando ela passou muito mal, que nós corremos com ela para o hospital, o médico falou que o bolo estava infectado. Ele (o médico) disse: ‘Mãe, realmente, devido ao sangue que nós colhemos, o bolo está infectado, o que causou uma forte infecção no intestino dela’. E aí foi onde eles já enviaram o soro para ir combatendo, e mandaram dois antibióticos para ela tomar em casa”, concluiu Kátia. A adolescente, autora dos crimes, foi presa após confessar os envenenamentos. Ela declarou ter agido sozinha.
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