Nesta sexta-feira (27), o médico legista responsável pela autópsia de Juliana Marins trouxe novos detalhes sobre o caso. Em entrevista à BBC, Ida Bagus Alit revelou que a brasileira — que caiu em um penhasco no vulcão Rinjani, na Indonésia — teria morrido na quarta-feira (25), pouco antes de ser resgatada.
Natural de Niterói (RJ), Juliana estava em um mochilão pela Ásia desde fevereiro, e já havia passado por Filipinas, Vietnã e Tailândia antes de seguir para a Indonésia, onde sua jornada teve um desfecho trágico. A jovem desapareceu na última sexta-feira (20), após cair em uma fenda no Monte Rinjani. As buscas duraram quatro dias, e as equipes de resgate enfrentaram dificuldades para acessar o local devido às condições climáticas adversas.
O corpo de Juliana foi localizado sem vida na quarta-feira (25). A região tem um fuso horário de 11 horas à frente de Brasília. “De acordo com meus cálculos, a vítima morreu na quarta-feira, 25 de junho, entre 1h e 13h [horário local, entre 14h de terça e 2h de quarta, no horário de Brasília]”, disse o médico legista.

Em coletiva de imprensa, o especialista forense detalhou o estado do corpo: “Encontramos arranhões e escoriações, bem como fraturas no tórax, ombro, coluna e coxa. Essas fraturas ósseas causaram danos a órgãos internos e sangramento. A vítima sofreu ferimentos devido à violência e fraturas em diversas partes do corpo”.
Alit ressaltou que as evidências indicam que a morte ocorreu logo após os ferimentos: “Havia um ferimento na cabeça, mas nenhum sinal de hérnia cerebral. A hérnia cerebral geralmente ocorre de várias horas a vários dias após o trauma. Da mesma forma, no tórax e no abdômen, houve sangramento significativo, mas nenhum órgão apresentou sinais de retração que indicassem sangramento lento. Isso sugere que a morte ocorreu logo após os ferimentos”.
A autópsia apontou como causa principal da morte um trauma contundente, que resultou em lesões na caixa torácica e nas costas, danos internos e hemorragia.

O médico estima que Juliana tenha falecido cerca de 20 minutos após sofrer os ferimentos, o que indica que o trauma ocorreu entre a terça e a quarta-feira.
A estimativa, no entanto, contrasta com a informação divulgada anteriormente pela Basarnas, a agência de buscas e resgates da Indonésia, que afirmou que Juliana foi encontrada sem vida na noite de terça-feira (24).
“De fato, é diferente da declaração de Basarnas. Há uma diferença de cerca de seis horas em relação ao horário declarado por Basarnas. Isso se baseia nos dados de cálculo do médico”, explicou Alit à jornalista Christine Nababan, da BBC News Indonésia.
Segundo o legista, Juliana pode ter sobrevivido até quatro dias após a queda. Ele ponderou, porém, que é extremamente difícil determinar o momento exato da morte, por conta de fatores como o tempo de transporte do corpo (que durou várias horas) e as condições ambientais, como temperatura e umidade.
Sobre o caso
Juliana desapareceu na sexta-feira (20), durante uma trilha no Monte Rinjani, o segundo maior vulcão da Indonésia. Relatos iniciais indicavam que ela chegou a ser ouvida gritando após a queda, o que levantou a hipótese de que estivesse viva.
As equipes de resgate enfrentaram um terreno íngreme e condições climáticas desafiadoras durante as buscas. O diretor da agência nacional de busca e salvamento da Indonésia, Mohammad Syafi’i, se reuniu com a família da publicitária para detalhar os obstáculos da operação, que durou quase 15 horas.
