Sean “Diddy” Combs é acusado de estupro por dançarino erótico, que descreve horrores em processo, câncer e IST’s

Edmond Laurent também disse que foi drogado por Diddy e pediu US$ 10 milhões (R$ 54,5 milhões) no processo movido contra o rapper

Sean “Diddy” Combs é acusado por Edmond Laurent, ex-dançarino exótico, de tê-lo drogado, estuprado e de tê-lo passado uma infecção sexualmente transmissível (IST). Segundo a Variety, o denunciante pediu US$ 10 milhões (R$ 54,5 milhões) em uma ação apresentada nesta terça-feira (1°), ao Tribunal Superior de Los Angeles.

Laurent relatou que teve encontros sexuais com Diddy e uma mulher não identificada durante o final dos anos 2000. Eles teriam acontecido em hotéis luxuosos de Los Angeles. Como resultado, o homem afirmou ter desenvolvido problemas de saúde, como uma IST e câncer de estômago.

De acordo com o processo, uma mulher ainda furou propositalmente uma camisinha com as unhas, expondo o ex-dançarino a uma infecção sexualmente transmissível. O documentou apontou que o primeiro encontro entre eles aconteceu após Laurent ser contratado como dançarino para uma festa.

Ao chegar no hotel, ele foi recebido por um casal usando máscaras, que lhe pediu uma dança particular. “Não vendo nada de errado no pedido, o autor procedeu à apresentação. Após a apresentação, ele recebeu o pagamento e foi embora”, explicou o texto. A denúncia destacou que o homem era Diddy.

Dias depois, Laurent foi convidado novamente para dançar para o casal. No entanto, ele contou que, desta vez, também foi pago para fazer sexo com a mulher na frente do rapper. Combs ainda teria dito “que ele sentia muito prazer ao ver outro homem ‘f*der’ sua garota”. O adicional pelo ato foi de US$ 1.000 (R$ 5,4 mil).

Diddy foi considerado culpado de 2 das 5 acusações pelas quais respondia (Foto: Getty)

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Em um terceiro encontro, o casal revelou sua identidade e “pediu ao autor que aplicasse uma quantidade excessiva de óleo de bebê”, além de lhe oferecer drogas e bebidas durante o ato sexual. Após a recusa, o ex-dançarino informou que Combs “insistiu que ele estivesse na mesma ‘frequência’ que eles, exigindo que tomasse pelo menos uma dose de álcool para ‘relaxar'”.

Diante da pressão, Laurent ingeriu o líquido e começou a se sentir tonto e confuso. Meses depois, ele foi convidado mais uma vez pelo casal e o ato teria se repetido. No processo, o denunciante falou que foi obrigado a se lubrificar com óleo de bebê, e acredita que o líquido estava infundido com GHB. A substância é uma droga entorpecente capaz de desacordar pessoas.

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Enquanto Laurent fazia sexo com a mulher, Diddy pediu para ele retirar a camisinha. Após a solicitação negada, o casal tentou tranquilizá-lo, garantindo que “eles tinham feito exames recentemente, estavam saudáveis e que o autor era o único outro parceiro que a mulher tinha”. “Eles chegaram ao ponto de apresentar o que alegaram ser resultados válidos de exames de sangue como prova de que a mulher não tinha IST’s”, acrescentou.

“A mulher estendeu a mão e furou a camisinha com as unhas enquanto o autor a penetrava. Sean Combs então veio por trás dele, inclinando-se para perto e sussurrando em seu ouvido em um tom baixo e sugestivo: ‘É, f*de essa boc*ta’, ‘Mete nessa boc*ta’. Sua voz era deliberada e insistente, reforçando a atmosfera coercitiva. O autor se sentia cada vez mais coagido e desconfortável, mas devido aos efeitos do óleo de bebê com drogas e à situação em que se encontrava, ele lutou para resistir. Embora tentasse e tivesse toda a intenção, foi impedido pelas drogas”, detalhou a denúncia.

Além disso, Combs também teria ensinado a mulher como fazer sexo oral em Laurent. Porém, quando ela não seguia as instruções, o rapper “arrancava o pênis do autor dela e imitava os movimentos que gostaria de vê-la fazer”.

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No último encontro, Diddy ofereceu suco de laranja para o ex-dançarino antes do ato sexual. Entretanto, conforme o processo, o casal teria adulterado a bebida com Rohypnol e cetamina sem o consentimento e conhecimento de Laurent. “Quando o autor recobrou a consciência, estava deitado nu na cama, coberto de óleo de bebê, e sentia dores na região anal. A mulher acordou, tirou um maço de notas de cem dólares, entregou 500 dólares (R$ 2,7 mil) ao autor e fechou abruptamente a porta do quarto do hotel. O autor sentiu-se violado, confuso e fisicamente indisposto”, ressaltou a denúncia.

Os encontros sexuais resultaram em um diagnóstico de condiloma, além de estresse pós-traumático, síndrome do pânico e depressão. De acordo com a denúncia, Laurent passou a vomitar “com tanta frequência que perdeu a capacidade de reter alimentos sólidos ou líquidos”. Posteriormente, ele sofreu graves problemas de saúde que o levaram a uma cirurgia gástrica e, eventualmente, a um câncer de estômago.

A Justiça dos Estados Unidos negou o pedido de fiança do rapper após a deliberação do júri (Foto: Getty)

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O ex-dançarino também sofre de TEPT (transtorno do estresse pós-traumático), transtorno depressivo e transtorno do pânico. “Como consequência das ações dos réus, o autor enfrenta problemas médicos de longo prazo, incluindo, entre outros, câncer de estômago”, pontuou o processo.

Também foi reiterado que “Combs aproveitou sua posição de poder e autoridade para manipular, intimidar e prejudicar física e emocionalmente o autor, envolvendo-se em repetidos atos de abuso, má conduta sexual e coerção”. Os representantes de Laurent ainda atribuem parte da culpa aos hotéis onde os encontros teriam acontecido.

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“A equipe de limpeza observou grandes quantidades de óleo de bebê e apetrechos para uso de drogas, mas a gerência ordenou a limpeza imediata ao invés de investigação. Os registros de segurança mostram várias reclamações de barulho e relatos de agressões físicas, mas nenhum boletim de ocorrência foi registrado junto à polícia”, ponderaram.

Por fim, o advogado de Laurent, Rodney Diggs, se pronunciou sobre o caso. “Não se trata somente de buscar justiça para um homem, trata-se de responsabilizar indivíduos poderosos que usam sua influência para explorar, degradar e destruir vidas em segredo”, declarou à Variety.

“Por anos, o Sr. Laurent sofreu em silêncio. Sua carreira, seu corpo e seu espírito foram irreparavelmente danificados pelo trauma que sofreu. Hoje, esse silêncio chega ao fim. Nenhuma quantidade de fama, fortuna ou intimidação deve proteger alguém de ser responsabilizado por suas ações”, concluiu Diggs.

A denúncia vem na esteira do veredito dado nesta quarta (2), pelo júri da Justiça de Nova York. O rapper foi considerado culpado por apenas duas acusações das cinco às quais respondia. A pena máxima é de 20 anos. Na ocasião, Diddy teve um novo pedido de fiança negado.

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