O empresário Renê da Silva Nogueira Júnior, preso por suspeita de assassinar o gari Laudemir de Souza Fernandes, negou ter cometido o crime. No entanto, a Polícia Civil de Minas Gerais afirmou que “uma gama de provas” o colocam na cena do crime, como o carro de luxo que ele dirigia.
Conforme o UOL, Renê argumentou que sequer esteve no local do assassinato. O ataque ocorreu na segunda-feira (11), no bairro Vista Alegre, em Belo Horizonte, Minas Gerais.
O empresário também alegou que saiu de casa às 8h07 e foi direto para o trabalho. Ele disse que passou a manhã na sede da empresa e se ausentou apenas na hora do almoço. Depois, voltou ao trabalho, foi para casa ao final da tarde, trocou de roupa e passeou com os cachorros no condomínio onde mora.
Na sequência Renê foi para a academia de luxo no bairro Estoril, de alto padrão, onde foi preso. A investigação, por sua vez, apontou que o suspeito esteve no local do crime. Conforme as autoridades, ele havia sido contratado há duas semanas por uma empresa em Betim. Mas, após a repercussão do caso, foi demitido. A polícia procurou o estabelecimento para verificar se o empresário realmente esteve lá.

A polícia informou que a versão de Renê ainda não foi confirmada. Os investigadores irão analisar imagens de câmeras de segurança para confrontar o percurso e os horários descritos pelo empresário em seu depoimento.
A primeira evidência contra o suspeito é o carro que ele dirigia, um elétrico da marca BYD avaliado em aproximadamente R$ 100 mil. O veículo de luxo “singular e único na cidade” ajudou a localizá-lo, e foi identificado por testemunhas. O modelo exato, porém, não foi divulgado.
A placa também facilitou o procedimento. “Pelos levantamentos da Polícia Militar, só existe esse veículo na cidade com aquela combinação de placas, que também foram descritas pelas testemunhas”, explicou Evandro Radaelli, delegado do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa).
Testemunhas ainda fizeram a descrição física precisa de Renê como autor do disparo que matou Laudemir. Radaelli salientou que o porte físico musculoso do suspeito foi ressaltado nos depoimentos, colhidos antes das pessoas verem qualquer imagem dele.
Além disso, a arma usada no crime corresponde com uma que pertence à mulher do empresário, a delegada Ana Paula Nogueira. A partir de dois cartuchos deixados no local, foi possível confirmar que se trata de uma pistola .380. A arma foi apreendida e será periciada para confirmar se pertence à mulher. Ela não é considerada investigada por participação no crime.
“Fizemos o levantamento de informações, a identificação de testemunhas e conseguimos, em fase preliminar, confirmar os elementos que levaram à ratificação da prisão. Todas as testemunhas foram uníssonas ao descrever as características físicas do indivíduo”, concluiu o delegado.
Renê não passou por exame toxicológico, uma vez que não apresentava sinais de embriaguez ou entorpecimento. Se houver necessidade, ele será feito em outra ocasião, garantiu o delegado.

A polícia pediu à Justiça de Minas Gerais para converter a prisão em flagrante em preventiva. O empresário deverá passar por audiência de custódia nesta quarta-feira (13). Ele poderá responder por homicídio duplamente qualificado, com os agravantes de motivo fútil e sem chances de defesa da vítima.
O suspeito também pode ser autuado por ameaça à vida da motorista do caminhão de lixo, Elen Dias Aparecida Rodrigues, ao supostamente ameaçar “atirar na cara” dela. Até o momento, a defesa de Renê não se pronunciou.
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