Caso Alícia: Mãe e hospital dão versões diferentes sobre atendimento médico

Adolescente suspeito de agressão foi apreendido na quarta-feira (10)

As investigações sobre a morte de Alícia Valentina, de 11 anos, esbarraram em depoimentos divergentes. Enquanto a mãe afirma ter retirado a filha do hospital por falta de atendimento, a prefeitura e a direção da unidade de saúde negam qualquer negligência. A menina morreu dias depois de ser agredida dentro da escola onde estudava, em Pernambuco.

Segundo a mãe, Ana Vilka Lima, Alícia foi levada ao hospital pela coordenadora da Escola Municipal Tia Zita logo após ser agredida. “Quem estava no hospital com ela foi a coordenadora. Cheguei lá e disse: ‘Que foi que aconteceu?’. Ela [coordenadora] disse: ‘Foi um murro no nariz e um murro no ouvido. E saiu sangue pelo ouvido e pela boca’”, contou a mãe em entrevista à rádio Cana Brava FM.

De acordo com ela, a médica informou que o caso não era grave. “Entrei com ela, a coordenadora e Alícia no consultório. Ela [a médica] examinou. A coordenadora disse: ‘É grave?’. Ela respondeu: ‘Não é grave’. A médica que falou que não era grave”, relatou.

A mãe ainda disse que, após a aplicação de injeções, nenhuma reavaliação foi feita. Por isso, decidiu ir embora com a filha: “Fui para o laboratório, aplicou injeção na menina. A médica não voltou novamente para dar alta e nem ver a menina. […] Lá é assim: a gente toma uma injeção, manda ir para casa. […] Não falaram nada […]. Ninguém me deu essa ordem aí (de liberar ou manter a menina no hospital), nem a médica, nem as enfermeiras no laboratório”.

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A prefeitura de Belém do São Francisco, por sua vez, afirmou que “não houve negligência médica ou alta hospitalar pelos profissionais de saúde que realizaram o atendimento” e que Alícia “foi levada para casa, por sua mãe, sem autorização da médica plantonista”. A diretora do hospital, Gisele Scarlet, afirmou à Folha de S. Paulo que a menina chegou consciente, se comunicando e andando normalmente.

Gisele também disse que os prontuários e documentos foram encaminhados à Polícia Civil. Segundo a direção, a menina deveria permanecer em observação e aguardar novo atendimento médico, mas saiu por volta das 14h sem comunicar a equipe.

Certidão de óbito da vítima. (Foto: Reprodução/ TV Globo)

A menina voltou para casa ainda se queixando de dores. Ao perceber um sangramento, a mãe a levou à Unidade Básica de Saúde, onde foi orientada a retornar ao hospital caso o quadro se agravasse. Alícia só foi levada novamente ao hospital por volta das 19h30, já inconsciente. Em seguida, foi transferida para o hospital de Salgueiro e, depois, ao Recife, onde teve morte cerebral confirmada no domingo (7). O atestado de óbito aponta “traumatismo cranioencefálico produzido por objeto contundente”.

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A versão inicial registrada em boletim de ocorrência dizia que a menina teria sido agredida por quatro garotos e uma menina após recusar um pedido de namoro. Mas a informação foi corrigida posteriormente pela família. A tia da vítima, Maria Helena dos Santos, que registrou o BO, explicou ao g1 que, após conversas com a irmã de Alícia e confirmação de um policial, ficou claro que o agressor foi apenas um adolescente. Ele foi apreendido no dia 10 de setembro.

Boletim de Ocorrência registrado pela tia da adolescente. (Foto: Reprodução/ TV Globo)

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Câmeras de segurança da escola registraram o momento da confusão, por volta das 13h. O vídeo mostra Alícia caminhando até a entrada do banheiro onde estavam outros alunos e, pouco depois, voltando chorando, com a mão no ouvido e no nariz, enquanto fala com uma funcionária. Clique aqui para assistir.

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