Corpo em mala no RS: Polícia diz que crime foi meticulosamente planejado e indica onde restos mortais ficaram escondidos

Ricardo Jardim, de 66 anos, era considerado foragido por assassinar e concretar a própria mãe em 2015

A Polícia Civil confirmou nesta terça-feira (16) novas informações sobre o caso da mulher que teve partes do corpo encontradas dentro de uma mala na rodoviária de Porto Alegre. Segundo o delegado Mario Souza, diretor do Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), o corpo de Brasília Costa, 65 anos, foi mantido dentro de uma geladeira da pousada em que ela estava hospedada com o então namorado e suspeito do crime, Ricardo Jardim, 66 anos.

“Ele guardou o corpo dentro de uma geladeira que ficava no quarto dela [da vítima]”, afirmou o delegado. Novas imagens divulgadas pelo órgão mostram o suspeito pegando algo na geladeira e chegando à pousada com uma mala. Veja o vídeo completo abaixo:

Ricardo está preso desde 4 de setembro, sob suspeita de matar e esquartejar a namorada em Porto Alegre. A investigação aponta que ele espalhou partes do corpo da vítima pela cidade. O tórax foi encontrado dentro de uma mala no guarda-volumes da rodoviária. A polícia ainda informou que Ricardo planejou meticulosamente o crime: comprou uma mala, uma serra, luvas, sacos plásticos e fita adesiva.

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O caso

Um tronco humano foi encontrado na segunda-feira (1º), dentro de uma mala grande, abandonada há 12 dias no guarda-volumes da Estação Rodoviária de Porto Alegre. O corpo, já em estado avançado de decomposição, estava envolto em sacos plásticos pretos e exalava forte odor, o que levou os funcionários do terminal a abrir a bagagem e acionar a polícia.

Área foi isolada após descoberta (Foto: Jonathan Heckler/Agência RBS)
Homem que receberia a mala não tem vínculo com o crime. (Foto: Reprodução/GZH)

Segundo a Polícia Civil, a mala foi deixada no local em 20 de agosto. Imagens de câmeras de segurança mostram Jardim deixando a bagagem no setor de guarda-volumes, com instruções para que fosse retirada por outra pessoa.

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O Instituto-Geral de Perícias (IGP) também confirmou que outras partes de um corpo (membros inferiores e superiores) encontradas em 13 de agosto, no bairro Santo Antônio, pertenciam à mesma pessoa. Os policiais também apuraram que Jardim usava inteligência artificial para criar perfis falsos em redes sociais e atrair mulheres para se relacionar com ele.

Veja:

Histórico criminal

Antes do assassinato, ele já havia sido condenado em 2015 por matar e concretar o corpo da própria mãe, Vilma Jardim. Na época, foi sentenciado a 28 anos de prisão.

Mesmo com o histórico criminal, o homem conseguiu progressão de regime antecipada em janeiro de 2024. A juíza Sonáli da Cruz Zluhan justificou a decisão, apontando as condições precárias do sistema prisional e laudos favoráveis da equipe psicossocial. “Ele estava preso há nove anos sem tratamento penal algum, com parecer favorável da psicóloga e da assistente social, e com conduta carcerária plenamente satisfatória. Não havia nada que contraindicasse a progressão dele”, afirmou à Gaúcha Zero Hora.

Ricardo Jardim e a vítima, Brasília Costa (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

“Ricardo não apresentou, durante o atendimento, sinais ou sintomas sugestivos de comprometimento da saúde mental que demandassem intervenção no momento. Em relação ao delito pelo qual foi acusado e condenado, verbalizou seu desconforto ao recordar o episódio e lamentou não ter tido outra atitude diante do fato. Denotou estar conformado com a punição e entende a gravidade do evento delitivo”, apontaram os laudos.

Já o parecer da assistente social registrou que “suas metas futuras são cumprir a pena e vir a usufruir do direito a um regime de pena abrandado, tornando possível retornar ao convívio social de maneira gradual”.

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Ricardo foi liberado da prisão em 16 de janeiro e deveria ter se apresentado ao Instituto Penal de Monitoramento Eletrônico em até 48 horas para instalar uma tornozeleira. Porém, o estado não dispunha de dispositivos no momento, e ele foi liberado provisoriamente para prisão domiciliar. Em 6 de abril, foi registrado como foragido após descumprir a obrigação de se apresentar. Um novo mandado de prisão foi expedido em fevereiro de 2025.

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