Prefeitura anuncia decisão sobre barraca envolvida em caso de turistas agredidos em Porto de Galinhas; leia a íntegra

Autoridades suspenderam as atividades da Barraca da Maura, onde houve a confusão

Após agressões a dois turistas em Porto de Galinhas (PE), a Prefeitura de Ipojuca anunciou medidas administrativas, incluindo a interdição temporária da Barraca da Maura e o afastamento de funcionários envolvidos. O caso ocorreu após discussão sobre cobrança de cadeiras e guarda-sol na praia.

A Prefeitura de Ipojuca (PE) anunciou, nesta segunda-feira (29), um pacote de medidas administrativas após as agressões sofridas por dois turistas na praia de Porto de Galinhas. O caso envolveu os empresários Jhonny Andrade e Cleiton Zanatta, de Mato Grosso, durante uma discussão sobre o valor do aluguel de cadeiras e guarda-sol. Como resposta, o município determinou a interdição temporária da Barraca da Maura. De acordo com o portal g1, os funcionários envolvidos também devem ser afastados.

Segundo a gestão municipal, o estabelecimento ficará fechado por uma semana. Além disso, garçons e atendentes ligados à confusão devem permanecer afastados até a conclusão das investigações. A polícia identificou ao menos 14 pessoas envolvidas no episódio, e fez uma ação na praia para intimar os vendedores que atuam no local a prestar depoimento. Procurada pelo g1, a proprietária da barraca, Maura Santos, informou que não vai comentar a decisão.

Em nota, a prefeitura afirmou que a interdição faz parte de uma série de providências “para garantir a apuração dos fatos e a preservação da ordem pública”. O município também detalhou que as ações emergenciais incluem o reforço da fiscalização na orla, com ampliação do efetivo da Guarda Municipal e da Secretaria de Meio Ambiente atuando na região.

Johnny Andrade e Cleiton Zanatta foram agredidos em praia de PE. (Foto: Reprodução/ Metrópoles)

Entre as medidas anunciadas estão a intensificação da fiscalização para coibir práticas irregulares, como venda casada e exigência de consumação mínima, além do reforço no cumprimento do Código de Defesa do Consumidor. A prefeitura também informou que vai intensificar ações contra a atuação irregular de pessoas conhecidas como “flanelinhas”.

Confira a íntegra: 

Comunicado feito pela prefeitura de Ipojuca. (Foto: Reprodução/ Instagram)

A gestão municipal destacou ainda que moradores e turistas podem acionar o Centro Integrado de Defesa Social Municipal (Cidem) em situações de emergência ou para registro de ocorrências, por meio do telefone (81) 99463-2859.

Entenda o caso

Os empresários Johnny Andrade e Cleiton Zanatta, que estavam de férias, foram atacados no sábado (27), após uma discussão sobre o valor do aluguel de cadeiras e guarda-sol. A governadora Raquel Lyra (PSD) comentou o caso em suas redes sociais e afirmou que se trata de um crime.

“Esse é um fato que precisa atuar junto à prefeitura e à polícia. E o diálogo sempre com a prefeitura para que haja, de fato, o ordenamento do comércio e que a gente não tenha incidentes mais acontecendo, incidentes não, crimes acontecendo como esse que aconteceu aqui”, salientou. Lyra ainda classificou o ocorrido como “absolutamente inadmissível” e reforçou: “Não vamos tratar de um incidente, vamos tratar de um crime grave que aconteceu contra dois turistas que vieram nos visitar”.  

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De acordo com o casal, o conflito começou quando os barraqueiros mudaram o valor combinado das cadeiras. “Ainda descendo próximo das barracas, um cara já veio e abordou a gente querendo oferecer o serviço dele. Ele ofereceu o valor das cadeiras por R$ 50 e disse que se a gente consumisse os petiscos dele, a gente não ia pagar o valor das cadeiras e da barraca. Era umas 16h da tarde quando a gente pediu a nossa conta. Aí ele falou: ‘Eu vi que vocês não consumiram o petisco, então agora eu vou cobrar R$ 80 da cadeira de vocês'”, detalhou Johnny Andrade, ao portal g1.

Ao se recusarem a pagar o valor alterado, os turistas foram atacados pelos vendedores, com socos e cadeiradas. De acordo com a imprensa local, cerca de 30 pessoas se uniram à agressão. O casal precisou da ajuda de guarda-vidas civis da praia. Imagens que circulam nas redes sociais mostram o momento em que eles são cercados.

Veja: [Atenção! Imagens fortes]

Segundo a SDS, quando a polícia chegou, a situação já estava controlada. Os turistas foram socorridos e levados para atendimento médico. Conforme o g1, a investigação está sendo conduzida como prioridade.

Vendedores se pronunciam

Após a repercussão do caso, os comerciantes se pronunciaram. Em um vídeo publicado pelo perfil Pernambuco Ordinário, os vendedores explicaram que não houve homofobia por parte deles e que as vítimas estariam embriagadas no momento da discussão. “A história sempre tem dois lados, né? Então aqui a gente vai apresentar o nosso. Primeiro, eu queria deixar claro que não existe cunho de homofobia algum. Não foi um caso de homofobia. Os caras estão tentando atrelar isso à história, e não foi isso”, garantiu um dos barraqueiros.

Ele acrescentou: “Esse aqui é o companheiro Eduardo, tá? Foi ele quem abordou o cara lá de cima, veio explicando que o aluguel da estrutura custava 80 reais, que tinha que comer e tal. Aparentemente, os caras estavam embriagados. Então a nossa companheira Vera veio com outra família e foi aplicar aqui o guarda-sol. Infelizmente, tem pessoas que saem com o intuito de tirar uma onda. Chega assim: ‘Não, aqui é um espaço público, eu vou sentar e não vou pagar’. E, gente, infelizmente não é um espaço público. A praia, sim, é pública. Mas existe uma concessão para a gente trabalhar”. 

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“E eu trouxe o cardápio para falar com o cara sobre o valor e tal. Nesse desentendimento, que teria que pagar os guarda-sóis, ele falou que não ia pagar nada. Nada. Porque aqui era um lugar público e ele não ia pagar nada”, completou o trabalhador.

De acordo com o homem, um dos turistas teria dado um mata-leão em um dos comerciantes durante a briga. “Ele me agrediu, deu um mata-leão em mim. Eu estava apagado no chão, os meninos foram e me socorreram”, disse o jovem, identificado como Dinho. Os comerciantes afirmaram que a informação de que 30 pessoas agrediram as vítimas não é verdadeira. Segundo o rapaz, o casal teria sido violentado por 5 homens. Assista:

O secretário de Turismo de Ipojuca, Deomaci Ramos, explicou que os barraqueiros terão que incluir nos cardápios informações claras sobre as regras de cobrança. Ele reforçou que os comerciantes podem cobrar pelo aluguel de cadeiras e guarda-sóis, mas não podem vincular esses valores ao consumo nas barracas: “O Código de Defesa do Consumidor já proíbe essa prática, então isso não pode acontecer. Isso é a venda casada. Você senta, você não paga a cadeira, tem que consumir x valor”.

Ramos também informou que solicitou o cadastramento de todos os garçons que trabalham no atendimento aos clientes em Porto de Galinhas. Segundo ele, a exigência foi comunicada à Associação dos Barraqueiros do distrito, com prazo de 15 dias para regularização.

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“A gente já entrou em contato com a Associação dos Barraqueiros de Porto de Galinhas para pedir, reforçar, exigir e dizer: ‘quem não apresentar, no prazo de 15 dias, vai estar impedido’. Alguns já estão atualizados, com cadastro. Vai ter que ser entregue à Secretaria de Turismo, assim como o cadastro de todos os garçons vinculados àquela barraca”, concluiu.

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