Após passar cinco dias desaparecido no Pico Paraná, ponto mais alto do Sul do Brasil, Roberto Farias Tomaz, de 19 anos, deixou o hospital nesta terça-feira (6) e falou pela primeira vez sobre a possibilidade de conversar com a amiga que o acompanhava na trilha e seguiu caminho sem ele. Em entrevista ao portal g1, o jovem contou quais serão seus próximos passos na amizade com Thayane Smith.
Visivelmente emocionado, ele aproveitou o momento para agradecer às equipes de resgate, voluntários e às pessoas que acompanharam o caso e fizeram orações durante os dias de buscas. “Foram momentos de muita frustração, luta e coragem. Fiz muita oração para Deus me ajudar a conseguir chegar no destino. Só tenho a agradecer a todos”, declarou.
Em tom cauteloso, o jovem afirmou que pretende falar com a amiga que o deixou na trilha, mas sem criar expectativas sobre o encontro. “Eu só vou ter o mínimo de conversa ali, trocar o mínimo de ideia. Mas agora não tenho nada para comentar, não sei como vai ser ao certo”, disse Roberto ao sair do hospital em Antonina, no litoral do Paraná, onde ficou internado após ser encontrado.
Em entrevista, Thayane já havia expressado seu arrependimento com a situação. Em entrevista ao SBT, ela chegou a afirmar que “pecou”: “Se eu não tivesse deixado ele, não tinha acontecido isso. Eu quebrei a regra, eu sabia dessa regra de que vai junto e volta junto, mas quebrei ela. Dou minha palavra que nunca mais farei isso”.
Assista:
🚨VEJA: Amiga que abandonou Roberto na trilha do Pico do Paraná se pronuncia após ele ser encontrado. pic.twitter.com/vLzT8G9R7V
— Alfinetei (@ALFINETEI) January 5, 2026
Roberto desapareceu no dia 1º de janeiro, durante a descida da trilha do Pico Paraná. Perdido na mata, ele caminhou cerca de 20 quilômetros até chegar a uma fazenda na localidade de Cacatu, onde conseguiu um celular emprestado para avisar a família de que estava vivo. De lá, foi levado pelo Corpo de Bombeiros ao hospital, onde passou por exames, reidratação e observação médica.
Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, o rapaz respondeu bem ao tratamento, estava lúcido, comunicativo e sem lesões graves, apenas com escoriações. Ele recebeu alta e a recuperação agora seguirá em casa.

Durante o período em que ficou sozinho na mata, Roberto relatou que chegou a ouvir um helicóptero no primeiro dia e acreditou que estava sendo procurado. Com o passar do tempo e sem novos sinais, pensou que as buscas haviam sido encerradas. “No terceiro dia eu pensei: ‘Eles podem ter cancelado, mas Deus está comigo’. Segui o caminho que eu achei que era o certo”, contou.
Em outro momento, o jovem admitiu ter acreditado que não sobreviveria. “Pensei que era o fim. Cheguei a alucinar. Pedi forças para Deus, pensei na minha mãe, na minha família. Eu só queria chegar em casa bem”, relembrou.
Agora, fora de perigo, Roberto já faz planos simples para os próximos dias, entre eles, matar a fome após quase uma semana sem se alimentar direito. “Eu pensava em picanha”, brincou. Antes disso, no entanto, ele precisará seguir uma dieta controlada e manter hidratação adequada.
A Polícia Civil do Paraná apurou que Roberto iniciou a trilha no dia 31 de dezembro com uma amiga. Ele teria se sentido mal durante o percurso e, após a descida com outros grupos, acabou se separando e não foi mais visto. A jovem que o acompanhava e outros montanhistas já prestaram depoimento.
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