Tiago Gomes de Souza, acusado de matar o idoso César Fine Torresi com uma “voadora” em Santos, no litoral de São Paulo, foi condenado a 27 anos de prisão em regime fechado. O caso aconteceu em junho de 2024.
De acordo com informações do g1, a audiência começou por volta das 13h30 de terça-feira (13) e só terminou na madrugada do dia seguinte, por conta da quantidade de testemunhas ouvidas. A condenação aconteceu em um júri popular no Fórum da Barra Funda, na capital paulista, a pedido da defesa de Souza.
Nove testemunhas de acusação e defesa foram ouvidas, além dos interrogatórios e dos debates entre o Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) e os advogados do réu. Durante a sessão, a defesa também pediu a desclassificação do crime de homicídio qualificado para lesão corporal seguida de morte. No entanto, os jurados que formaram o Conselho de Sentença condenaram Souza por homicídio qualificado por motivo fútil e recurso que impossibilitou a defesa da vítima.

Conforme o portal, a pena foi aumentada em um terço pelo crime ter sido praticado contra uma pessoa maior de 60 anos. A juíza Patrícia Álvares Cruz ainda estabeleceu o valor mínimo de R$ 300 mil para a reparação aos danos causados para os herdeiros do idoso. Ao UOL, o Tribunal de Justiça de São Paulo informou que a sentença cabe recurso. A pena será cumprida, inicialmente, em regime fechado.
Em nota, o advogado Eugênio Malavasi, que representa Souza, informou que já recorreu da sentença. “Destaca-se que a decisão dos jurados contrariou a prova dos autos e a defesa já interpôs recurso de apelação“, declarou.
Relembre o caso
O crime aconteceu na Rua Pirajá da Silva, no bairro Aparecida, no dia 8 de junho de 2024. Segundo o boletim de ocorrência, o neto de Torresi, de 77 anos, relatou que atravessava a via entre os carros com o avô porque o trânsito estava parado. Os dois iam até a um shopping, de mãos dadas.
Souza, por sua vez, freou bruscamente o carro, momento em que o idoso apoiou as mãos sobre o capô do veículo. Ele saiu de seu automóvel e o chutou no peito. Torresi foi socorrido na UPA Zona Leste, sofreu três paradas cardíacas e teve a morte constatada no local. Souza fugiu para um mercado, mas acabou preso em flagrante pela Polícia Militar.
Câmeras de segurança registraram a “voadora” dada por Souza, que acabou indicado por homicídio em junho de 2024. Durante a reconstituição, ele se jogou no chão e chorou, enquanto explicava à equipe de investigação como ocorreu a agressão. Na época, o “Fantástico” fez uma reportagem sobre o caso e divulgou que o acusado já tinha diversas passagens pela polícia.
Em 2004, aos 19 anos, ele foi indiciado por estelionato. Em 2009, Souza foi autuado por dirigir bêbado e desacatar policiais. Já em 2014, foi enquadrado por lesão corporal e ameaça à esposa, que tinha dado à luz dois meses antes. No ano seguinte, ele se envolveu em briga em uma casa noturna. Em 2017, um operador de supermercado denunciou Souza por injúria racial. Quatro anos depois, o condenado cometeu novo desacato. Todos os processos foram arquivados e Souza seguiu como réu primário.
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