A Polícia Federal proibiu as gravações da oitava temporada da série “Aeroporto: Área Restrita” em aeroportos brasileiros, interrompendo a produção iniciada em dezembro de 2025. A decisão atinge filmagens em áreas operacionais consideradas prioritárias e foi tomada após a corporação avaliar riscos à segurança de operações, à intimidade dos passageiros e à presunção de inocência.
O reality show, exibido na plataforma de streaming HBO Max, acompanha os bastidores do trabalho de agentes da Receita Federal e de entidades como Anvisa e Ibama em alguns dos maiores aeroportos brasileiros.
O programa ficou famoso por exibir apreensões de drogas, operações táticas especiais e abordagens a passageiros suspeitos de irregularidades, sempre em áreas de circulação restrita e sob protocolos de rigorosos controles de acesso.
Em nota, a PF afirmou que esses ambientes não se enquadram em “atividades de entretenimento ou produção audiovisual”, o que inviabiliza a presença contínua de equipes de filmagem durante as operações.
“Essas decisões refletem o entendimento consolidado de que a presença permanente de equipes de filmagem em áreas operacionais restritas é incompatível com os princípios da preservação da intimidade, da imagem e da presunção de inocência dos cidadãos abordados”, explicou.
Segundo a Moonshot, produtora responsável pela edição brasileira, as gravações da oitava temporada haviam sido autorizadas, até então, nos aeroportos de Viracopos, em Campinas (SP), do Galeão (RJ) e de Pinto Martins, em Fortaleza (CE).

A empresa relata que em janeiro deste ano, as credenciais das equipes para acessar as áreas restritas do Aeroporto de Guarulhos (SP) foram indeferidas, e as autorizações concedidas para o acesso aos demais terminais foram cassadas.
A produtora questionou a medida pela PF. “Ao longo de sete temporadas consecutivas, a Polícia Federal analisou e aprovou as credenciais de todos os profissionais envolvidos na produção do programa ‘Aeroporto: Área Restrita’, permitindo a realização integral das filmagens”, contextualizou a Moonshot, em nota para o G1.
Ao solicitar a revogação da decisão, a empresa reiterou que não houve qualquer registro de incidente ou comprometimento da segurança aeroportuária durante as gravações anteriores.
A corporação acrescentou que a medida não pretende gerar qualquer “disputa institucional” com a Receita Federal, que é o foco do programa. “(As) atribuições (da Receita) não se confundem com a responsabilidade constitucional da Polícia Federal pela supervisão da segurança aeroportuária, que prevalece em Áreas Restritas de Segurança, inclusive em recintos alfandegados”, destacou.

Até o momento, a Receita Federal e as demais entidades envolvidas nas gravações do reality não se manifestaram sobre a decisão da Polícia Federal.
Veja a nota da produtora Moonshot na íntegra:
“A Moonshot iniciou a produção da 8ª temporada do programa Aeroporto: Área Restrita em dezembro de 2025, contando com o apoio e participação ativa da Anvisa, Vigiagro, Ibama, Receita Federal, Polícia Militar do Estado de São Paulo e da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, Fraport e RIOgaleão. A Polícia Federal já havia concedido autorização para a realização das filmagens nos aeroportos de Viracopos (VCP), Galeão (GIG) e Pinto Martins (FOR).
Agora em janeiro de 2026, a Polícia Federal indeferiu o credenciamento de nossa equipe a ingressar nas áreas restritas em Guarulhos e cassou as credenciais para a equipe realizar as filmagens nos demais aeroportos.
Pesquisa recente revela o perfil educativo, informativo e de interesse público da produção: o programa é um instrumento eficaz de educação, alinhado ao dever estatal de informação e transparência.
A alegação de risco aeroportuário para justificar o cancelamento das credenciais não resiste à análise do histórico do próprio órgão. Ao longo de sete temporadas consecutivas, produzidas desde 2016, a Polícia Federal analisou e aprovou as credenciais de todos os profissionais envolvidos na produção do programa Aeroporto: Área Restrita, permitindo a realização integral das filmagens sem que tenha sido registrado qualquer incidente ou comprometimento da segurança aeroportuária.
Esperamos que esta situação seja revertida em breve e que o público possa finalmente continuar acompanhando o tão querido e educativo programa Aeroporto: Área Restrita”.
Veja a nota da produtora Polícia Federal na íntegra:
“A Polícia Federal esclarece que a atuação no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro/Galeão, relacionada à vedação de acesso de equipes de filmagem a Áreas Restritas de Segurança (ARS), decorre do estrito cumprimento de normas constitucionais, legais e regulamentares que regem a segurança da aviação civil no Brasil.
Nos termos do art. 144, §1º, inciso III, da Constituição Federal, compete à Polícia Federal o exercício das funções de polícia aeroportuária, atribuição reafirmada pelo Programa Nacional de Segurança da Aviação Civil contra Atos de Interferência Ilícita (PNAVSEC), instituído pelo Decreto nº 11.195/2022, bem como por normas da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC).
As Áreas Restritas de Segurança são classificadas como zonas prioritárias de risco, sujeitas a rigorosos controles de acesso, limitados exclusivamente a pessoas com necessidade operacional ou funcional, não se enquadrando atividades de entretenimento ou produção audiovisual nesse critério.
Ademais, a regulamentação vigente, em especial o Programa Nacional de Segurança da Aviação Civil (PNAVSEC), instituído pelo Decreto nº 11.195/2022 e as normas da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) vedam expressamente o registro de imagens de procedimentos, fluxos e infraestrutura sensíveis relacionados à segurança da aviação civil.
A Polícia Federal esclarece, ainda, que não participa do referido programa televisivo há vários anos, tendo adotado, de forma reiterada e consistente, o entendimento institucional pelo indeferimento de solicitações dessa natureza.
Essas decisões refletem o entendimento consolidado de que a presença permanente de equipes de filmagem em áreas operacionais restritas é incompatível com os princípios da preservação da intimidade, da imagem e da presunção de inocência dos cidadãos abordados, bem como com a necessidade de resguardar técnicas, rotinas e meios empregados na repressão a ilícitos penais, especialmente em ambiente aeroportuário.
A Polícia Federal destaca que não há qualquer disputa institucional no episódio. As competências da Receita Federal do Brasil, enquanto autoridade aduaneira, são plenamente reconhecidas e respeitadas. Contudo, tais atribuições não se confundem com a responsabilidade constitucional da Polícia Federal pela supervisão da segurança aeroportuária, que prevalece em Áreas Restritas de Segurança, inclusive em recintos alfandegados, conforme previsto no ordenamento jurídico.
Narrativas que tentam reduzir o tema a supostos conflitos institucionais desconsideram a gravidade das responsabilidades envolvidas e ignoram que a segurança da aviação civil constitui valor jurídico prioritário, amplamente regulado por normas nacionais e compromissos internacionais assumidos pelo Estado brasileiro.
A Polícia Federal reafirma seu compromisso com a legalidade, com a segurança da sociedade e com a atuação técnica, responsável e institucionalmente coerente no ambiente aeroportuário”.
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