Timothée Chalamet é citado em e-mails dos “Arquivos Epstein” e chamado de “cretino” por esposa de Woody Allen

Nome do ator aparece em mensagens trocadas entre Jeffrey Epstein e pessoas próximas, reveladas em documentos oficiais do Departamento de Justiça dos EUA

Documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos revelam e-mails ligados a Jeffrey Epstein que mencionam Timothée Chalamet. As mensagens foram escritas por pessoas do círculo do financista e vieram a público nos chamados “Arquivos Epstein”.

Nesta sexta-feira (6), Timothée Chalamet repercutiu nas redes após ter o nome citado nos chamados “Epstein Files” (Arquivos Epstein). Em um e-mail enviado pela profissional de relações públicas Peggy Siegel a Jeffrey Epstein, o ator é chamado de “cretino”, além de ser acusado de ceder à pressão pública e rechaçar conexão com o diretor Woody Allen.

O e-mail veio a público com a divulgação de uma série de documentos reunidos pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos sobre Epstein. O material traz provas que confirmam a atuação do financista como líder de uma rede internacional de tráfico sexual, além de processos por estupro, abuso e outros crimes. Os arquivos também detalham a amizade de longa data entre Epstein e o cineasta Woody Allen, que aparecem juntos em fotos divulgadas pelas autoridades norte-americanas.

No e-mail, Siegel relembra o filme “Um Dia de Chuva em Nova York”, dirigido por Allen e estrelado por Chalamet, Elle Fanning e Selena Gomez. Chalamet se ausentou dos eventos de divulgação do longa após a publicação de um artigo de Dylan Farrow, filho adotivo de Allen com Mia Farrow, que trouxe novamente à tona as acusações de abuso contra o cineasta.

Chalamet no longa dirigido por Woody Allen. (Foto: Divulgação)

As declarações reacenderam a controvérsia e levaram atores, estúdios e o público a se posicionarem sobre suas associações com Allen. Durante o auge do movimento #MeToo, o ator se distanciou completamente do projeto e anunciou a doação de todo o cachê recebido para a organização Time’s Up, o Centro LGBT de Nova York e a ONG Rape, Abuse & Incest National Network (RAINN).

À época, Chalamet estava no meio de sua campanha ao Oscar por “Me Chame Pelo Seu Nome” e passou a ser criticado por ter trabalhado com o diretor. Segundo Peggy Siegel, a decisão de doar o cachê teria sido motivada pelo desejo de conquistar a estatueta.

Em troca de e-mails com Epstein, a publicista afirma que o ator teria sido “forçado” a se afastar publicamente de Allen e o chama de “amigo”. “Estou enojada com a situação do Woody. Essa caça às bruxas do ‘#MeToo’ quer destruir um tesouro cinematográfico global de 80 anos, e isso me deixa muito triste”, escreveu Siegel. Ela continuou: “Até meu amigo Timothy Chalemet [sic], que doou seu salário do último filme de Woody para TRÊS organizações políticas, estava indignado por ter sido forçado a tomar qualquer atitude pela imprensa”.

A RP alegou ainda que Chalamet foi pressionado pela mídia durante sua campanha ao Oscar e o classificou como um “peão em um jogo maior”. “Ele não conseguia ir a lugar nenhum sem ser perseguido por ter trabalhado com Woody. Seus agentes o fizeram doar o dinheiro, supostamente não como um sinal de culpa de Woody, mas como apoio a mulheres histéricas e à mídia”, escreveu.

Peggy Siegel citou Chalamet como um “peão” da mídia após se afastar de projeto com Allen. (Foto: Reprodução/DOJ)

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Além de Chalamet, outros integrantes do elenco de “Um Dia de Chuva em Nova York” também doaram seus cachês, incluindo Selena Gomez, Rebecca Hall e Griffin Newman. Nos Estados Unidos, o filme acabou sendo engavetado. Diante da polêmica, Chalamet chegou a se pronunciar e justificou a decisão de doar o cachê afirmando que aprendeu que “um bom papel não é o único critério para aceitar um trabalho”.

“Isso ficou muito mais claro para mim nos últimos meses, ao testemunhar o nascimento de um movimento poderoso, determinado a acabar com a injustiça, a desigualdade e, acima de tudo, o silêncio”, declarou. Chalamet disse ainda que não queria “lucrar com [seu] trabalho” no filme e afirmou que a doação integral do salário era uma forma de se posicionar ao lado de artistas que lutam por respeito e dignidade.

Entre os arquivos divulgados na semana passada, também há e-mails enviados por Soon-Yi Previn, esposa de Woody Allen, a Jeffrey Epstein. Em uma troca casual sobre o filme “Noites Quentes de Verão”, ela se referiu a Chalamet como “cretino”. “Fico feliz que o filme daquele cretino do Chalamet não tenha recebido uma boa crítica. Não, eu não sou vingativa. :-)”, escreveu.

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