Neste domingo (8), o Fantástico revelou novos detalhes sobre o caso do cão Orelha, morto a pauladas em janeiro. De acordo com o programa dominical da TV Globo, uma moradora da região encontrou o animal no dia seguinte às agressões, já com ferimentos gravíssimos.
“Um olho, ele não tinha. Não sei o que aconteceu, se ele perdeu no espancamento… Ele tinha três cortes enormes, que deixavam o osso e o crânio aparentes. Todo um lado — acho que o esquerdo — estava completamente esfacelado. Osso, dentes, tudo quebrado, tudo destruído”, relatou a testemunha.
Os moradores só perceberam a real gravidade dos ferimentos no dia seguinte. Orelha foi encontrado debaixo de um carro, a cerca de 200 metros do local onde foi agredido. Já em estado agonizante, o cachorro foi levado a uma clínica veterinária, mas não resistiu e morreu durante o atendimento.
Moradora faz relato sobre estado de Orelha após ataque pic.twitter.com/tJABHnWVny
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Segundo a reportagem, o relatório médico-veterinário e o depoimento do profissional à polícia embasaram a elaboração de um laudo pericial indireto. O documento concluiu que a morte do animal foi causada por um golpe na cabeça desferido com um objeto contundente. Apesar disso, mesmo em meio às diligências, as autoridades não solicitaram a perícia direta no corpo de Orelha.
Questionada pelo Fantástico sobre a possibilidade de exumação para uma análise mais aprofundada, a Polícia Civil de Santa Catarina afirmou que “não houve necessidade em termos de interesse investigativo”, mas não descartou a medida. A corporação ressaltou que a decisão também depende de avaliação do Ministério Público e do Judiciário. As autoridades alegam ainda que não há vídeos, fotos ou testemunhas oculares que tenham presenciado o momento da agressão.
Diante do relatório policial, o Ministério Público de Santa Catarina informou ter identificado “inconsistências e lacunas” na investigação, que precisam ser sanadas. Embora não haja prazo para manifestação oficial, o órgão adiantou que deve solicitar diligências complementares para aprofundar o caso. O MP também anunciou que avalia a possibilidade de exumação do corpo de Orelha, visando uma conclusão mais consistente sobre as circunstâncias da morte.

Durante as diligências, a Polícia Civil também investigou um outro episódio: uma gravação que mostra pais de adolescentes da região tentando intimidar o porteiro de um condomínio na Praia Brava. Segundo a reportagem, o profissional vinha reclamando do comportamento de jovens no local.
Relatos que circularam nas redes sociais afirmavam que o porteiro teria gravado um vídeo mostrando adolescentes espancando o cachorro Orelha — o que, supostamente, teria motivado o desentendimento. No entanto, após apuração, a polícia concluiu que esse vídeo nunca existiu. A informação falsa teve origem em uma moradora da região, que confessou ter feito a primeira postagem mencionando o suposto vídeo.
Em publicações online, ela afirmou que um porteiro teria filmado adolescentes agredindo Orelha e que, posteriormente, teria sido coagido por familiares dos jovens. Segundo ela, a postagem foi baseada apenas no comentário de uma conhecida em uma rede social.
“Partiu de mim o post, mas eu não imaginei que fosse repercutir tanto. Quando percebi que viralizou e começaram a citar empresários e crianças, achei que não era certo”, declarou.
Questionada pela polícia se chegou a ver o suposto vídeo, a moradora respondeu que não. Ela relatou ainda que outra pessoa teria mencionado, em um grupo, que o porteiro filmou os adolescentes indo atrás do animal e que, depois, o pai de um dos menores teria ido até o porteiro para ameaçá-lo e exigir a retirada da postagem. “Então acho que essa parte eu perdi. Eu não deveria ter acreditado”, lamentou.
Reportagem do “Fantástico” sobre o caso Orelha pic.twitter.com/qdlZL0Cll0
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De acordo com a delegada Mardjoli Valcareggi, o porteiro jamais afirmou ter visto os adolescentes agredindo o animal. O pai e o tio do jovem apontado como responsável pela agressão estiveram envolvidos na confusão com o porteiro e acabaram indiciados. “Como houve uma abordagem de caráter intimidatório, a polícia entendeu que ficou caracterizado o crime de coação no curso do processo”, explicou a delegada.
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