Caso Orelha: Moradora que encontrou o cão detalha estado dele; MP aponta lacunas em investigação e revela medida que pode tomar

Segundo a reportagem, o Ministério Público de Santa Catarina encontrou inconsistências no relatório policial em torno da morte de Orelha

O Fantástico apresentou novos desdobramentos sobre a morte do cão Orelha, ocorrida em janeiro, em Santa Catarina. A reportagem detalha o andamento da investigação, a atuação da polícia, questionamentos do Ministério Público e os próximos passos do caso.

Neste domingo (8), o Fantástico revelou novos detalhes sobre o caso do cão Orelha, morto a pauladas em janeiro. De acordo com o programa dominical da TV Globo, uma moradora da região encontrou o animal no dia seguinte às agressões, já com ferimentos gravíssimos.

“Um olho, ele não tinha. Não sei o que aconteceu, se ele perdeu no espancamento… Ele tinha três cortes enormes, que deixavam o osso e o crânio aparentes. Todo um lado — acho que o esquerdo — estava completamente esfacelado. Osso, dentes, tudo quebrado, tudo destruído”, relatou a testemunha.

Os moradores só perceberam a real gravidade dos ferimentos no dia seguinte. Orelha foi encontrado debaixo de um carro, a cerca de 200 metros do local onde foi agredido. Já em estado agonizante, o cachorro foi levado a uma clínica veterinária, mas não resistiu e morreu durante o atendimento.

Continua depois da Publicidade

Segundo a reportagem, o relatório médico-veterinário e o depoimento do profissional à polícia embasaram a elaboração de um laudo pericial indireto. O documento concluiu que a morte do animal foi causada por um golpe na cabeça desferido com um objeto contundente. Apesar disso, mesmo em meio às diligências, as autoridades não solicitaram a perícia direta no corpo de Orelha.

Questionada pelo Fantástico sobre a possibilidade de exumação para uma análise mais aprofundada, a Polícia Civil de Santa Catarina afirmou que “não houve necessidade em termos de interesse investigativo”, mas não descartou a medida. A corporação ressaltou que a decisão também depende de avaliação do Ministério Público e do Judiciário. As autoridades alegam ainda que não há vídeos, fotos ou testemunhas oculares que tenham presenciado o momento da agressão.

Diante do relatório policial, o Ministério Público de Santa Catarina informou ter identificado “inconsistências e lacunas” na investigação, que precisam ser sanadas. Embora não haja prazo para manifestação oficial, o órgão adiantou que deve solicitar diligências complementares para aprofundar o caso. O MP também anunciou que avalia a possibilidade de exumação do corpo de Orelha, visando uma conclusão mais consistente sobre as circunstâncias da morte.

De acordo com a reportagem, há possibilidade de exumação do corpo do animal para nova análise. (Foto: Reprodução/TV Globo)

Continua depois da Publicidade

Durante as diligências, a Polícia Civil também investigou um outro episódio: uma gravação que mostra pais de adolescentes da região tentando intimidar o porteiro de um condomínio na Praia Brava. Segundo a reportagem, o profissional vinha reclamando do comportamento de jovens no local.

Relatos que circularam nas redes sociais afirmavam que o porteiro teria gravado um vídeo mostrando adolescentes espancando o cachorro Orelha — o que, supostamente, teria motivado o desentendimento. No entanto, após apuração, a polícia concluiu que esse vídeo nunca existiu. A informação falsa teve origem em uma moradora da região, que confessou ter feito a primeira postagem mencionando o suposto vídeo.

Continua depois da Publicidade

Em publicações online, ela afirmou que um porteiro teria filmado adolescentes agredindo Orelha e que, posteriormente, teria sido coagido por familiares dos jovens. Segundo ela, a postagem foi baseada apenas no comentário de uma conhecida em uma rede social.

“Partiu de mim o post, mas eu não imaginei que fosse repercutir tanto. Quando percebi que viralizou e começaram a citar empresários e crianças, achei que não era certo”, declarou.

Questionada pela polícia se chegou a ver o suposto vídeo, a moradora respondeu que não. Ela relatou ainda que outra pessoa teria mencionado, em um grupo, que o porteiro filmou os adolescentes indo atrás do animal e que, depois, o pai de um dos menores teria ido até o porteiro para ameaçá-lo e exigir a retirada da postagem. “Então acho que essa parte eu perdi. Eu não deveria ter acreditado”, lamentou.

De acordo com a delegada Mardjoli Valcareggi, o porteiro jamais afirmou ter visto os adolescentes agredindo o animal. O pai e o tio do jovem apontado como responsável pela agressão estiveram envolvidos na confusão com o porteiro e acabaram indiciados. “Como houve uma abordagem de caráter intimidatório, a polícia entendeu que ficou caracterizado o crime de coação no curso do processo”, explicou a delegada.

Siga a Hugo Gloss no Google News e acompanhe nossos destaques