Caso Orelha: Mãe diz que jovem acusado de agressão “se confundiu” em fala, e aponta por que pegou boné do filho

Polícia pediu apreensão de passaporte e internação provisória do menor; Ministério Público aponta inconsistências e cobra novas diligências

A mãe do adolescente investigado pela morte do cão Orelha, em Florianópolis (SC), negou ao Domingo Espetacular que o filho tenha agredido o animal e contestou pontos da investigação. O caso segue sob sigilo, e o inquérito foi encaminhado ao Ministério Público para novas diligências.

A mãe do adolescente investigado por envolvimento na agressão ao cão Orelha, que morreu no mês passado em Florianópolis (SC), negou que o filho tenha cometido violência contra o animal e afirmou que ele “se confundiu” durante o depoimento à polícia. Em entrevista ao Domingo Espetacular, da Record, ela também rebateu a suspeita de que teria tentado esconder um boné e um moletom do jovem no aeroporto, além de negar plano de enviá-lo para o exterior.

O caso é apurado sob sigilo, por envolver menor de idade, conforme determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A Polícia Civil de Santa Catarina solicitou à Justiça, a apreensão do passaporte do adolescente, para impedir que ele deixe o país, e pediu a internação provisória após concluir o inquérito na última terça-feira (3). A defesa contesta as acusações.

Segundo a polícia, quando o adolescente retornou ao Brasil após um período fora do país, ele foi interceptado no aeroporto. A corporação afirma que a mãe tentou esconder um boné rosa e um moletom que estariam com o rapaz, peças semelhantes às registradas por câmeras de segurança no dia da agressão.

A mulher nega. “Fomos levados a uma sala com sete autoridades. Ele continuava com o boné, e eu pedi que o retirasse por respeito às autoridades”, declarou .

Ainda de acordo com a investigação, a mãe teria dito que o moletom havia sido comprado durante a viagem. No entanto, o próprio adolescente teria admitido posteriormente que já possuía a peça antes do ocorrido.

O adolescente aparece em filmagens com as roupas em questão. (Foto: Polícia Civil de Santa Catarina; g1)

A Polícia Civil apontou que o jovem apresentou contradições ao relatar onde estava na madrugada do ataque. Ele afirmou ter permanecido dentro do condomínio, mas imagens de câmeras de segurança da região indicariam o contrário. A mãe abordou a inconsistência. “Um menino de 15 anos, depois de 30 dias, tem que fazer todo o passo a passo que ele fez. Ele simplesmente esqueceu e, inclusive, se confundiu”, disse.

Assista:

O ataque a Orelha ocorreu por volta das 5h30 do dia 4 de janeiro. Laudos da Polícia Científica indicam que o animal sofreu uma pancada contundente na cabeça, “que pode ter sido por um chute ou algum objeto rígido, como um pedaço de madeira ou uma garrafa”.

A investigação afirma ter ouvido 24 testemunhas e analisado mais de mil horas de imagens captadas por 14 equipamentos de monitoramento na região. As roupas usadas pelo autor também teriam sido identificadas nas filmagens. Além disso, um software francês foi utilizado para analisar a localização do suspeito no momento da agressão.

Com a conclusão do inquérito, o caso foi encaminhado ao Ministério Público de Santa Catarina (MPSC). O órgão apontou “inconsistências e lacunas” nos relatórios e solicitou novas diligências para complementar a apuração. Uma possível exumação não está descartada.

Continua depois da Publicidade

Segundo o jornal O Globo, a 10ª Promotoria de Justiça da Capital, responsável pela área da Infância e Juventude, destacou falhas no Boletim de Ocorrência quanto à possível participação de adolescentes em ato infracional análogo a maus-tratos contra animais.

Já a 2ª Promotoria de Justiça, da área criminal, apura suposta coação no curso do processo e ameaça envolvendo familiares de investigados e um porteiro de condomínio na Praia Brava. O MP avalia se há relação entre esses episódios e a agressão ao cão. As investigações seguem sob sigilo.

Siga a Hugo Gloss no Google News e acompanhe nossos destaques