Donald Trump confirmou à polícia que “todo mundo” sabia dos atos perversos de Jeffrey Epstein com meninas menores de idade. A informação foi revelada em um relatório oficial do FBI e divulgada pelo TMZ, nesta terça-feira (10).
O extenso arquivo, exposto pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, detalha a investigação sobre o financista comandada pelo Departamento de Polícia de Palm Beach (PBPD), na Flórida, no início dos anos 2000.
Apesar de estar censurado, o documento é sobre uma entrevista de 2019 com o ex-chefe de polícia de Palm Beach, Michael Reiter, que confirmou a informação ao site Miami Herald.
Reiter relata uma situação que ocorreu em 2006, por volta da mesma época em que Epstein foi preso e acusado de aliciamento para prostituição em nível estadual. Na ocasião, Trump supostamente ligou para o PBPD agradecendo pela ação policial. “Graças a Deus vocês o estão detendo, todo mundo sabe que ele está fazendo isso”, teria dito.

Trump ainda mencionou a ligação do financista com garotas menores de idade, dizendo à polícia que “esteve perto de Epstein uma vez quando havia adolescentes presentes e ‘saiu correndo dali'”. O atual presidente dos EUA ainda teria apontado o dedo para Ghislaine Maxwell, chamando-a de “agente” de Epstein e alertando as autoridades para se concentrarem nela.
O novo relatório, por sua vez, contradiz as declarações feitas por Trump em 2019. Quando repórteres lhe perguntaram se ele sabia algo sobre os crimes de Epstein antes de sua prisão, o republicano respondeu: “Não, eu não fazia ideia”.
Apesar das falas de Reiter, um funcionário do FBI deu uma declaração contrária ao Herald. “Não temos conhecimento de nenhuma evidência que corrobore o fato de o presidente ter entrado em contato com as autoridades policiais há 20 anos”, pontuou.
As primeiras acusações contra Epstein por aliciamento de menores foram feitas entre 2006 e 2008, na Flórida. À época, ele fez um acordo controverso com promotores federais que o levou a se declarar culpado de um crime menor de prostituição, cumprindo apenas 13 meses em uma prisão do condado, com privilégios de trabalho fora da cadeia. A decisão foi amplamente criticada, porque evitou acusações federais mais sérias e uma sentença maior.

No dia 8 de julho de 2019, o financista foi preso e formalmente acusado em Nova York de tráfico sexual de menores e conspiração para cometer tráfico sexual. Um mês depois, em 10 de agosto, ele foi encontrado morto em sua cela, no Metropolitan Correctional Center, enquanto aguardava julgamento.
Conforme as acusações, o bilionário recrutou e pagou dezenas de meninas menores de idade, algumas com cerca de 14 anos, para “massagens” que se tornavam abuso sexual; e pagou vítimas para trazer outras garotas menores para ele, criando uma rede de exploração.
Epstein também foi denunciado por cometer os respectivos crimes em propriedades em Nova York e na Flórida, entre 2002 e 2005, além de recrutar trabalhadores e associados para lhe ajudar a contatar e agendar encontros com as vítimas. Ao todo, tais acusações poderiam resultar em até 45 anos de prisão, caso ele fosse condenado.
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