Justiça da Áustria toma decisão em caso de alpinista que deixou a namorada morrer congelada no pico mais alto do país

Tribunal considerou que homem agiu com negligência grave ao abandonar companheira exausta perto do cume da montanha mais alta do país

Um alpinista de 37 anos foi considerado culpado pela morte da namorada após deixá-la durante uma escalada no Grossglockner, na Áustria. A decisão foi anunciada por um tribunal de Innsbruck nesta quinta-feira (19), após investigação sobre o caso.

Um alpinista de 37 anos foi considerado culpado pela morte da namorada após deixá-la sozinha durante uma escalada no Grossglockner, o pico mais alto da Áustria, em 2025. A decisão foi anunciada nesta quinta-feira (19), quando um tribunal de Innsbruck condenou Thomas P. por homicídio culposo, ao concluir que ele agiu com negligência grave ao abandonar Kerstin G. em condições extremas de frio, o que resultou na morte da jovem por hipotermia.

Apesar da gravidade do caso, o tribunal determinou uma pena de cinco meses de prisão em liberdade condicional e o pagamento de multa de 9.400 euros (cerca de R$ 57,6 mil). A sentença surpreendeu pela “leveza”, já que a legislação austríaca prevê até três anos de prisão para esse tipo de crime.

Imagens mostram o casal escalando às 21h no dia 18 de janeiro de 2025 (Foto: BBC News Brasil)

Segundo a acusação, o casal enfrentou dificuldades durante a subida realizada em 19 de janeiro de 2025. Com o cronograma atrasado e já próximos do cume, Kerstin ficou exausta e incapaz de continuar a escalada durante a madrugada, em meio a temperaturas extremamente baixas. Foi nesse momento que Thomas decidiu seguir sozinho até um abrigo localizado do outro lado da montanha, deixando a namorada para trás.

De acordo com o tribunal, o alpinista falhou em adotar medidas básicas que poderiam ter ajudado a preservar a vida da companheira. A promotoria destacou que ele não utilizou equipamentos de proteção térmica disponíveis, como uma manta térmica e um saco de dormir que estavam na mochila dela, deixando-a completamente exposta ao frio intenso.

Imagens mostram o namorado com uma lanterna descendo do pico. (Foto: BBC News Brasil)

As autoridades também afirmaram que o réu entrou em contato com a polícia de montanha, mas não comunicou claramente a gravidade da situação nem a urgência de um resgate. Além disso, ele deixou de responder a tentativas posteriores de contato feitas pelas equipes de emergência. Durante o julgamento, Thomas alegou que o celular estava no modo avião para economizar bateria, o que teria impedido a comunicação.

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Durante o processo, o alpinista se declarou inocente, mas expressou arrependimento. “O que quero dizer é que sinto muito”, chegou a afirmar diante do tribunal. A condenação reacendeu o debate sobre responsabilidade individual em esportes de alto risco e levantou questionamentos sobre os limites entre tragédia acidental e negligência em ambientes extremos.

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