Documentário revela bastidores da disputa bilionária pela herança de Anita Harley, herdeira das Casas Pernambucanas em coma há 10 anos; assista

Em coma há 10 anos, herdeira das Casas Pernambucanas é alvo de batalha judicial que envolve companheiras, herdeiro socioafetivo e o controle de um império avaliado em R$ 2 bilhões

O Fantástico detalhou a disputa judicial pela herança de Anita Harley, herdeira das Casas Pernambucanas que está em coma desde 2016. A briga envolve o reconhecimento de união estável, herdeiro socioafetivo e o controle de um patrimônio bilionário.

Neste domingo (22), o Fantástico reuniu as revelações de “O Testamento: O Segredo de Anita Harley”, documentário do Globoplay sobre a herdeira do império das Casas Pernambucanas, que está em coma há 10 anos. A batalha pela fortuna, estimada em R$ 2 bilhões, também envolve o controle das lojas Pernambucanas e decisões sobre a vida pessoal da empresária.

Anita está em coma desde novembro de 2016, quando sofreu um acidente vascular cerebral (AVC). Atualmente internada em um leito de UTI, ela vive o que a diretora do documentário, Camila Appel, descreve como “um grande pesadelo”. “A Anita se encontra num estado que é um grande pesadelo para todos nós, que é um estado em que você é considerado vivo. Clinicamente vivo, né. Mas não pode responder nem tomar decisões”, afirma.

Os bens da herdeira se tornaram o centro de um imbróglio judicial que envolve Sônia Soares, conhecida como Suzuki, e Cristine Rodrigues, que trabalhou com Anita. Cerca de um ano após o AVC, Sônia acionou a Justiça alegando ser companheira da empresária. Segundo ela, as duas viviam em união estável há 36 anos.

Sônia e Anita moravam juntas em uma mansão de 96 cômodos e 37 banheiros, na Aclimação, em São Paulo. O imóvel é avaliado em R$ 50 milhões e doado por Anita à companheira. No documentário, Soares afirma que a narrativa pública não reflete a realidade da relação. “Eu estou aqui porque eu preciso da minha história e não da história que contam”, declarou. Questionada se ama Anita, ela respondeu: “Muito”.

Após a disputa judicial, a Justiça reconheceu a união estável e deu decisão favorável a Sônia. A relação, no entanto, é contestada por Cristine Rodrigues, que afirma ter sido a verdadeira companheira da empresária. “Ela é minha companheira de vida”, diz Cristine na série. Sobre Sônia, ela rebateu: “Olha. Não preciso nem enxergar. Ninguém pode estar em dois lugares. Será que não dá pra entender? Não vale a pena”.

Há ainda um terceiro personagem na disputa pela herança: Artur Miceli, filho biológico de Sônia. A Justiça determinou que ele seja reconhecido como filho socioafetivo de Anita Harley e, portanto, herdeiro. Na produção, Artur desabafa sobre o impacto das acusações. “Eu acho que a única forma que eu tenho de tirar essa narrativa da mão dos outros é que eu possa contar a minha história. É muito ruim você ter que provar que você existe. E que eu tive uma família, e que eu fui amado, e que eu tive estrutura e tal, é muito chato. Porque parece que eu só vim, que eu sou um produto criado pra ir atrás de uma herança”, afirma.

Artur Miceli é filho biológico de Sônia e socioafetivo de Anita. (Foto: Reprodução/TV Globo)

Cristine contesta a versão e sustenta que Anita era generosa com funcionários e pessoas próximas, custeando estudos e bens materiais, mas que nunca tratou Artur como filho. “Anita tratava ele bem, como você trata uma criança que mora na sua casa. O fato de você tratar bem uma criança, de você pagar os estudos dessa criança… é normal. Não é só dele que ela pagava. Faculdade, colégio. Pagava convênio de muita gente. Já deu casas pra funcionários, carros. Ela era uma pessoa muito, muito generosa. O fato de tratar bem, gostar do menino, não quer dizer que seja filho. Ela nunca se referiu a ele como filho. Se ele disser isso, ele está mentindo”, declarou.

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Segundo Camila Appel, a série é resultado de cinco anos de investigação jornalística: “É uma série que fala sobre o que pode acontecer com aqueles que não podem falar por si mesmos. Isso gera uma identificação de todo mundo, de pensar: puxa, e se acontecesse comigo?”.

A diretora também afirma que abriu mão da busca por uma “verdade única”: “Eu até estava em busca de uma verdade. Mas no meio do caminho eu percebi que eu não ia conseguir alcançá-la. E eu acho que abrir mão dessa busca me fez muito bem no processo de investigação e no resultado da série. Porque aí eu foquei em trazer a complexidade dessa história, trazer todas as vozes, que são muitas, e elas realmente brigam entre si. E me desprender da ideia de que pode ter uma única verdade. Talvez todo mundo ali enxergue a sua verdade”.

Segundo a reportagem, o desfecho da investigação promete revelações surpreendentes e lança incertezas sobre o futuro das Casas Pernambucanas. Assista à reportagem abaixo:

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