Uma paratleta foi atropelada por um motorista embriagado durante uma corrida de rua em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, realizada neste domingo (8), em Manaus (AM). A vítima foi identificada como Marleide Sales da Silva, de 52 anos. O acidente aconteceu no cruzamento das avenidas João Valério e Maceió, no bairro Adrianópolis. Um vídeo que circula nas redes sociais mostra o momento em que o carro invade o percurso da prova e atinge a atleta.
Nas imagens, Marleide aparece descendo a avenida enquanto agentes de trânsito orientam os motoristas no local. Ao chegar ao cruzamento, o veículo desrespeita a sinalização, invade a área isolada para a corrida e atinge a competidora. Após o impacto, o motorista ainda tentou fugir, mas foi contido por agentes do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) poucos metros adiante.
Veja o vídeo:
Atenção! Vídeo mostra exato momento em que motorista bêbado atropela atleta cadeirante!!! pic.twitter.com/OWKnTfGljq
— As Piores Brigas do Mundo (@peleasclub) March 9, 2026
A atleta recebeu atendimento médico ainda no local, foi encaminhada ao Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto e liberada após exames. Ela sofreu fraturas nas duas clavículas e ferimentos pelo corpo. O motorista foi preso em flagrante e submetido ao teste do bafômetro, que apontou 0,54 miligrama de álcool por litro de ar expelido, índice acima do permitido por lei.
Ele foi conduzido ao 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP). A defesa do suspeito esteve na unidade policial, mas decidiu não se manifestar após contato da equipe de reportagem da Rede Amazônica.
Em nota, a Federação de Atletismo do Amazonas (FEDAE-AM) informou que o evento foi realizado seguindo os protocolos de segurança exigidos para provas de corrida de rua e destacou que a atleta recebeu atendimento imediato. “O evento foi realizado seguindo os procedimentos e protocolos de segurança exigidos para provas de corrida de rua”, disse.
A entidade ainda acrescentou que a competidora envolvida no acidente recebeu apoio no local.
Em entrevista à Rede Amazônica, Marleide revelou detalhes sobre o que se recorda do acidente. “Ali eu perdi os sentidos e acordei já na ambulância. Alguém me contou que eu dei o celular, a senha e o nome da minha filha para alguém procurar e ligar pra ela, mas eu não lembro dessa parte. Eu só lembro dentro da ambulância, eles fazendo o atendimento ali”, lembrou.
“Foi um livramento de Deus porque se eu adiantasse um pouco mais ele tinha dado no meio da minha cadeira e provavelmente eu não estaria viva. Eu só chorava ali sentindo muita dor, eu estou sentindo dor ainda, mas estou sob efeito de remédios”, continuou.

Segundo ela, o desafio agora é conseguir retomar a rotina sem a independência que é acostumada a ter: “Eu sendo cadeirante só uso os braços. Faço força com os braços, pra ir no banheiro uso os braços e com as duas partes da clavícula quebrada, eu vou ficar de molho. Eu não posso nem comer sozinha, não posso levantar a colher até a boca”.
Marleide também pediu justiça. “Para que aquilo que aconteceu comigo hoje não aconteça com mais ninguém, a lei deve ser mais severa, deve ter punição. Eu espero que esse caso não passe em branco, que não seja mais uma estatística”, concluiu.
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