Um laudo médico anexado ao processo que investiga a morte de Rodrigo Castanheira, de 16 anos, aponta que o adolescente morreu em decorrência direta pelos socos desferidos durante a briga com o ex-piloto Pedro Arthur Turra Basso, de 19 anos. Segundo o UOL, em publicação nesta sexta-feira (13), o documento contraria a hipótese inicial de que a vítima teria morrido após bater a cabeça em um carro.
Essa possibilidade de impacto no automóvel chegou a ser considerada no início das investigações e aparece, inclusive, na denúncia apresentada pelo Ministério Público do Distrito Federal. “O óbito da vítima foi ocasionado diretamente pela agressão, especificamente pelos múltiplos traumas contusos desferidos pelo agressor com o punho direito contra o lado esquerdo da cabeça da vítima”, diz o texto.
Conforme o veículo, o parecer médico foi elaborado pelo neurocirurgião Fábio Teixeira Giovanetti Pontes e incluído no processo nesta semana. A partir do conteúdo do laudo, a família de Rodrigo solicitou à Justiça a ampliação da denúncia já oferecida pelo Ministério Público.
Os advogados também pedem a realização de uma perícia especializada nas imagens da briga e uma análise biomecânica para apurar se houve uso de um soco inglês durante as agressões. Segundo o g1, Albert Halex, assistente de acusação no caso, também solicitou às autoridades que sejam reabertas as investigações para apurar a participação de outras pessoas que estavam no veículo com Turra no momento do episódio.

De acordo com o laudo, todas as lesões que levaram à morte da vítima foram identificadas no lado esquerdo da cabeça. As imagens da briga indicam que o ex-piloto desferiu diversos golpes justamente nessa região. Ele também aparece batendo o lado direito da cabeça na porta de um carro. Segundo o exame, os ferimentos observados são compatíveis com um “trauma de golpe direto”, e não com lesões de contragolpe, que ocorreriam se a cabeça tivesse atingido um anteparo, como o veículo.
O neurocirurgião concluiu que os danos que provocaram a morte do adolescente são compatíveis com agressões repetidas, e não com uma queda ou choque contra um objeto. “Estudos experimentais com cabeças de cadáver demonstram que, para fratura linear do crânio, é necessária pressão de 3,1 a 5,2 MPa (equivalente a 31,6 a 53 kgf/cm²) — forças compatíveis com socos humanos de alta intensidade e repetição”, explicou Fábio Giovanetti.

O laudo também levanta a hipótese de que um instrumento contundente possa ter sido utilizado durante a briga, como um soco inglês. A suspeita surgiu após a análise do exame de corpo de delito realizado em Turra. O documento aponta que não foram identificadas lesões nas mãos ou nos punhos do investigado.
O especialista acrescentou: “A presença de instrumento contundente (como soco inglês ou similar) explicaria coerentemente a preservação íntegra da mão do agressor; a intensidade do trauma capaz de produzir fratura craniana linear com hematoma epidural volumoso”.
Apesar dessa hipótese, o próprio parecer ressalta que não é possível confirmar o uso do objeto apenas com os documentos analisados até agora. O médico afirmou que seria necessária uma perícia específica nas imagens em vídeo da agressão e recomenda formalmente que esse exame seja realizado.
A briga
A versão inicial da investigação apontou que o desentendimento teria acontecido na noite de 22 de janeiro, após Turra jogar um chiclete mascado em um amigo de Rodrigo. No entanto, a Polícia Civil concluiu que essa hipótese não se sustenta. Segundo os investigadores, os elementos reunidos até agora apontam para um possível “acerto de contas”, relacionado a ciúme envolvendo a ex-namorada de um amigo do ex-piloto.
Imagens gravadas no local mostram o momento em que Turra desfere um soco em Rodrigo. O jovem acaba batendo violentamente a cabeça contra um carro. O impacto o deixou desacordado. Ainda segundo relatos, o adolescente chegou a vomitar sangue enquanto era socorrido. Veja abaixo [Atenção! Imagens Fortes]:
🚨 DF | Advogado diz que piloto foi ameaçado por detentos e agentes na prisão
Eder Fior, advogado do piloto Pedro Turra, de 19 anos, preso por agressão corporal gravíssima contra um adolescente disse em entrevista ao Metrópoles que o jovem foi ameaçado por um agente da Polícia… pic.twitter.com/kW8hHdJln3
— Metrópoles (@Metropoles) February 2, 2026
Pedro Turra responde por homicídio doloso qualificado por motivo fútil e está preso preventivamente desde 2 de fevereiro no Complexo Penitenciário da Papuda.
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