Adriana Araújo fala de demissão da Record e o que foi obrigada a noticiar na pandemia: “Saí aos prantos nesse dia”; assista

A jornalista descreveu a saída da emissora como uma “situação bastante traumática”

Adriana Araújo relembrou a sua demissão da Record, durante a pandemia da Covid-19 e expôs os bastidores. A jornalista detalhou um momento duro em uma das edições do "Jornal da Record" e, ainda, falou sobre a relação de seu atual marido com a filha Giovana.

Adriana Araújo relembrou os bastidores de sua demissão da Record, em março de 2021, durante a pandemia da Covid-19. Em entrevista ao podcast “Desculpa Alguma Coisa”, do Canal UOL, divulgada nesta quarta-feira (18), ela descreveu a saída como uma “situação bastante traumática” e revelou o que foi obrigada a noticiar enquanto Manaus enfrentava um “colapso”.

A jornalista atuou por 15 anos na emissora e comandou um dos principais telejornais da grade. À época, Araújo manifestou a sua insatisfação com a linha editorial do “Jornal da Record”, principalmente em relação à cobertura jornalística sobre a pandemia no país. Ao anunciar a sua saída do canal, ela destacou a sua luta por “preservar a dignidade profissional da qual não se pode abrir mão“, bem como o seu posicionamento ao lado da ciência e da vida.

Em conversa com Tati Bernardi, a jornalista detalhou no podcast, a insatisfação. “Eu falo pouco sobre isso, porque a página virou. Eu fui demitida da Record no meio da pandemia, em uma situação bastante traumática para mim. Eu apresentava o ‘Jornal da Record’ quando veio a pandemia e uma sequência de omissões graves, na minha opinião, começou a acontecer. Eu tinha que obrigatoriamente cumprir a linha editorial e seguir as ordens, mas internamente eu questionei algumas situações muito graves. Eu sabia que aquilo representaria uma dificuldade muito grande para mim, como de fato representou“, disse.

Araújo lembrou que no dia 21 de abril de 2020, enquanto a capital do Amazonas enfrentava um “colapso”, ela precisou anunciar uma reportagem sobre a reeducação alimentar de macacos. “É aquela cena das retroescavadeiras abrindo as valas para empilhar os corpos, porque os corpos estavam empilhados dentro dos banheiros dos hospitais ou em caminhões frigoríficos na porta dos hospitais. E naquele dia, embora tivéssemos todas as informações e as imagens, eu fui obrigada a sentar na bancada e noticiar uma reportagem sobre reeducação alimentar de macacos, porque eles estavam sofrendo pelos turistas não estarem levando comidas em um parque de Goiânia“, contou.

Adriana Araújo permaneceu na Record durante 15 anos. (Foto: Reprodução/Record TV)

Ela também confirmou os rumores de que teve uma crise de choro após esta edição do jornalístico. “Saí aos prantos da bancada naquele dia, cumpri o que tinha que ser cumprido e naquele dia internamente me posicionei, e acho que falei que achava aquilo criminoso. Aquilo me provocou um sofrimento muito grande, porque eu tinha ordens para cumprir. Mas é muito sofrido, você sabendo o que vinha pela frente e que veio. Aquilo era o começo da pandemia, tinha poucas mortes no país. Nós chegamos a 700 mil mortes“, lamentou.

À época, a Record informou que “as partes, em comum acordo, decidiram não renovar o contrato anual“. A jornalista ressaltou que prefere falar pouco sobre a saída devido a desdobramentos judiciais em curso. Atualmente, ela é âncora do “Jornal da Band”, no canal do Morumbi, onde afirmou ter encontrado um espaço que respeita a sua opinião e em que existe a “tradição de equilíbrio”. “[A emissora] tem como tradição um espaço para debate e discussão jornalística dos fatos“, salientou.

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Solidão na gravidez

Na entrevista, Araújo também expôs a jornada como mãe. Por volta do quinto mês de gravidez, um exame de ultrassom de rotina indicou as primeiras alterações ósseas na filha Giovana, que mais tarde se confirmaram como Hemimelia Fibular, uma síndrome ortopédica rara e considerada grave. A jornalista desabafou sobre a falta de apoio do pai de sua filha.

Eu efetivamente acho que eu já era mãe solo desde a gravidez“, afirmou. “O processo da solidão já acontecia ali na gestação e nas primeiras cirurgias que ela fez, embora estivesse acompanhada dele, acho que já tinha um processo profundo de solidão assim de estar na jornada sozinha“, contou. O pai biológico de Giovana optou por se afastar. “Nós não temos contato com ele hoje, já faz muitos e muitos anos. Ela não tem nenhum contato com ele, inicialmente por uma escolha dele“, destacou.

A criação da filha só ganhou um novo capítulo com a chegada de seu atual marido, Chico Zaidan, com quem já está há quase duas décadas. Segundo Araújo, o companheiro superou as expectativas ao demonstrar um cuidado extremo com Giovana. “Realmente existe uma conexão maior do que a razão pode explicar. É uma conexão muito profunda“, completou.

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