A patente da semaglutida, substância presente em medicamentos como Ozempic e Wegovy, chega ao fim no Brasil nesta sexta-feira (20), encerrando a exclusividade da Novo Nordisk após cerca de 20 anos. A mudança abre espaço para que outras farmacêuticas produzam alternativas e deve aumentar a concorrência no setor.
Na prática, o mercado passa a ter a possibilidade de contar com novas marcas com o mesmo princípio ativo, o que tende a pressionar os preços para baixo ao longo do tempo. Apesar disso, especialistas alertam que a redução não será imediata, já que os novos produtos ainda precisam passar por aprovação da Anvisa.
Atualmente, a agência já analisa pedidos de registro e tem outros na fila. A expectativa é de que as primeiras liberações aconteçam ainda no primeiro semestre. Empresas como EMS, Hypera Pharma, Cimed e Biomm já se movimentam para lançar suas versões da substância.
Com a entrada de concorrentes, a previsão é de uma redução inicial de cerca de 20% no valor dos medicamentos. Diferentemente dos genéricos, que possuem descontos mínimos maiores, os novos produtos devem ser classificados como similares ou biossimilares, versões equivalentes, mas não idênticas, aos medicamentos de referência.

Mesmo assim, de acordo com o Splash UOL, especialistas garantem que a eficácia terapêutica deve ser mantida. “Uma vez aprovados, os novos medicamentos com semaglutida devem oferecer benefício equivalente ao original”, avaliou Rodrigo Lamounier, diretor da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica).
Apesar da possível queda de preços, nada muda em relação à forma de acesso. A compra segue condicionada à receita médica, e o uso deve continuar sendo acompanhado por um profissional de saúde.
A recomendação também vale para quem já utiliza medicamentos como Ozempic ou Wegovy e pensa em migrar para versões mais baratas. A substituição é possível, mas deve ser feita com orientação médica para evitar riscos.
Com o fim da exclusividade, o setor farmacêutico entra em uma nova fase no Brasil, marcada pela ampliação de opções e pela disputa entre laboratórios. Em nota, a Novo Nordisk afirmou que o encerramento da patente faz parte do ciclo natural de inovação e que está preparada para o novo cenário competitivo.
A tendência agora é que, com mais ofertas e maior concorrência, o acesso ao tratamento para diabetes tipo 2 e obesidade se torne mais amplo, ainda que isso aconteça de forma gradual nos próximos meses.
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