A polícia divulgou novos detalhes sobre a morte de Raíssa Meritein Bezerra e Silva, de 44 anos, após comer em uma pizzaria de Pombal (PB). Segundo o portal g1, a necropsia não identificou “sinais clássicos de intoxicação alimentar” no corpo da vítima.
Isso ocorreu mesmo após mais de 100 pessoas apresentarem sintomas de intoxicação alimentar depois de frequentarem o mesmo local. De acordo com o Núcleo de Medicina e Odontologia Legal (Numol), a análise inicial do corpo não apontou alterações típicas desse tipo de quadro.
“Durante a necropsia, não foi evidenciado sinal clássico de intoxicação. Solicitamos exames toxicológicos, fizemos a coleta do material biológico para se fazer uma pesquisa de substâncias exógenas que possa ter relação com esse caso. Se foi ingerida essa substância, muito provavelmente deve vir no exame toxicológico”, explicou o perito Luiz Rustenes.

Segundo o especialista, essa primeira etapa considerou apenas sinais macroscópicos. Não foram observados sintomas de edema cerebral, congestão meníngea, edema pulmonar intenso nem hemorragias difusas em tecidos como os pulmões e o coração. Também não foi identificado qualquer odor característico, que pode aparecer em alguns casos de intoxicação. Rustenes ainda destacou que a manifestação desses sinais pode variar de acordo com a quantidade de alimento ingerido, o que influencia diretamente na resposta do organismo.
Conforme o portal g1, os especialistas vão realizar exames toxicológicos no corpo da vítima para analisar possíveis alterações microscópicas e identificar se houve a presença de substâncias externas. O resultado pode confirmar se houve uma intoxicação exógena, quando há ingestão de substâncias químicas ou tóxicas. O resultado deve sair em até 10 dias.
A Polícia Civil investiga dois possíveis crimes no caso: homicídio culposo, pela morte da cliente, e consumo de alimento impróprio para consumo, previsto na Lei 8.137, que trata das relações de consumo.
Relembre o caso
Rayssa Maritein Bezerra e Silva morreu após comer na pizzaria La Favoritta. Segundo o Hospital Regional de Pombal, ela deu entrada na unidade na segunda-feira (16) com quadro de diarreia, vômitos e dor abdominal. Após ser inicialmente atendida e liberada, Rayssa retornou no dia seguinte em estado grave.
Em nota, o hospital informou que a paciente apresentou “rápida evolução clínica” e foi encaminhada à UTI com sinais de infecção grave. A morte foi confirmada às 8h59 de terça-feira (17). De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, os demais pacientes relataram sintomas semelhantes, como náuseas, vômitos, dores abdominais, diarreia e mal-estar.

O dono da pizzaria, Marcos Antônio, se manifestou por meio de um vídeo enviado pela advogada. Ele lamentou a morte da cliente e os casos de pessoas que precisaram de atendimento médico após consumir alimentos no local. “Quero salientar também que jamais eu tive a intenção de machucar qualquer pessoa, prejudicar qualquer pessoa. Porque eu sou jovem, tenho 24 anos e meu comércio é minha vida. Então, jamais iria me sabotar, jamais iria prejudicar, porque tudo o que conquistei foram seis anos de muita luta, muita renúncia e dificuldade. Minha última intenção seria prejudicar justamente os clientes que dão meu sustento, que dão meu pão”, lamentou.
Por fim, o empresário acrescentou: “Eu estou colaborando com a vigilância, fornecendo amostras, com a Polícia Civil também. Estou entregando porque eu preciso da verdade. (Estou colaborando) com a prefeitura também. Eu preciso da verdade para me sentir bem”.
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