Rita Ephrem, conhecida nas redes sociais como Ritinha, morreu aos 31 anos, nesta quinta-feira (26), em São Paulo. Escritora e palestrante, a influenciadora sofria com uma doença autoinflamatória rara e ainda não catalogada. O falecimento foi anunciado em sua conta no Instagram, onde acumulava mais de 300 mil seguidores.
“Hoje, a Ritinha nos deixou. Foi descansar no céu, dos santos e de Nossa Senhora, depois de uma caminhada marcada por muita luta, coragem e também de muita dor. Ritinha viveu com intensidade, com fé e com um amor que tocou tantas vidas. Sua história não termina aqui — ela permanece em tudo o que plantou em cada um de nós. Seguimos com saudade, mas também com gratidão por termos caminhado com ela“, divulgou o perfil. A causa da morte não foi revelada.
Nascida em Belo Horizonte, Ritinha se mudou ainda na juventude para o país natal dos pais, o Líbano, onde cursou engenharia mecatrônica e se tornou atleta de futsal. Ela jogou tanto pela faculdade quanto pela seleção libanesa, tendo viajado para outros países, como Jordânia, Dubai e Catar, em competições.
A influenciadora vivia com uma doença genética ultrarrara, que ainda não possui nome científico. Ritinha também possuía imunodeficiência comum variável, condição que impede o corpo de produzir anticorpos. “Por conta de um erro inato no meu sistema de defesa, 100% das minhas células atacam todo o meu corpo e causam uma inflamação generalizada“, explicou em entrevista ao UOL, publicada em 2023.

À época, Ritinha contou que recebeu o diagnóstico aos 25 anos, quando voltou ao Brasil. “Lembro de uma vez que voltei do meu treino, dormi e acordei não andando mais. Foi uma coisa muito assustadora para mim, porque eu era atleta, jogava, tinha uma viagem marcada e, de repente, não conseguia mais andar“, lamentou.
Ela relatou que os primeiros sintomas foram febre alta com frequência, dores nas articulações, diarreia, vômito, oscilações na pressão e aumento dos batimentos cardíacos. Por não ser uma doença catalogada, os médicos, conforme a influenciadora, não conseguiam identificar a causa do problema, e um deles chegou a afirmar que ela estava inventando os sintomas.
Sete AVCs e mais de 20 intubações
Depois de descobrir a doença ultrarrara, Ritinha passou por longas internações e graves complicações. Ela ficou três anos e meio sem sair do hospital e teve, ao menos, sete acidentes vasculares cerebrais (AVCs), dezenas de tromboses, infecções generalizadas, mais de 20 intubações e cinco paradas cardíacas.
A influenciadora também relatou episódios frequentes de meningite, encefalites, pleurites, pericardite, artrite, colite e peritonite ao longo dos anos. Durante um período mais grave, ela teve sequelas motoras e respiratórias, passando a usar oxigênio devido à baixa saturação e sofrendo limitações para andar com o uso de órtese.
Em seu perfil no Instagram, Ritinha compartilhava sua rotina de internações e reflexões sobre espiritualidade. Seus seguidores também a ajudavam com os custos de tratamentos que não era cobertos pelo plano de saúde, nem disponíveis no SUS. “Muitas pessoas passaram por uma infecção generalizada e não sobreviveram, eu passei por tantas e sobrevivi, o que me faz pensar que existe um propósito por trás disso tudo. Posso dizer que, apesar de tudo, a minha história não é triste. É uma história de amor, porque me considero imensamente feliz só por estar viva“, completou.
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