Artemis II: Astronautas apontam cheiro estranho na nave e descobrem problema em vaso sanitário de R$ 120 milhões

Tripulação rumo à Lua relata cheiro de queimado dentro da cápsula Orion, e problema acabou tendo origem inusitada

Astronautas da missão Artemis II, da NASA, relataram um cheiro de queimado dentro da cápsula Orion durante a viagem rumo à Lua. O odor misterioso levou a investigações da equipe de controle, que identificou uma falha no sistema da espaçonave.

Dias após a decolagem, os astronautas da missão espacial Artemis II, da NASA, que seguem em trajetória rumo à Lua, relataram um misterioso cheiro de queimado dentro da espaçonave. De acordo com informações do Space.com, o “mistério” acabou sendo esclarecido: uma falha no banheiro da nave, cujo desenvolvimento custou cerca de US$ 23 milhões (aproximadamente R$ 120 milhões). Eita!

Segundo a CNN, o sistema já havia apresentado problemas logo após a decolagem. Pouco depois do lançamento, realizado na última quarta-feira (1º), a mangueira de urina do chamado Sistema Superior de Gerenciamento de Resíduos falhou — mas a situação foi rapidamente resolvida.

Ainda assim, os quatro tripulantes voltaram a mencionar um odor semelhante ao de um aquecedor elétrico antigo, daqueles que ficam muito tempo sem uso. De acordo com os controladores de voo da NASA, a principal suspeita era de que o cheiro vinha do isolamento laranja localizado na porta do compartimento de higiene.

A cápsula Orion, que integra a missão Artemis II e possui cerca de 5 metros de diâmetro, voltou a apresentar um problema no sistema de resíduos nas primeiras horas deste sábado (4), quando o terceiro dia de missão se aproximava do fim. “É um problema com o descarte de resíduos do banheiro. Parece que provavelmente temos urina congelada na linha de ventilação”, explicou o diretor de voo da Artemis II, Judd Frieling.

O vaso sanitário dos astronautas da Artemis II separa a urina para liberação no espaço e armazena as fezes para descarte após o retorno à Terra. (Foto: Agência Espacial Canadense)

Mesmo após as queixas, a tripulação foi autorizada a continuar usando o vaso sanitário. O Controle da Missão chegou a afirmar que não havia “grandes preocupações” em relação ao odor relatado. Enquanto os astronautas — Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, da NASA, além de Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense — descansavam, a equipe em solo seguia investigando o caso.

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Por volta das 15h30 (horário da Costa Leste dos EUA) deste sábado, já no início do quarto dia de voo, os controladores tentaram resolver o problema aquecendo a linha congelada. Para isso, giraram a cápsula a fim de expor a área ao Sol. Com o calor, o tubo foi desobstruído, permitindo que o sistema expelisse a urina para fora da nave, liberando novamente o uso do banheiro.

No entanto, logo após a tentativa de escoamento, o Controle da Missão informou que o banheiro estava liberado — mas “apenas para uso fecal”. “Sobre o cheiro, eu só queria garantir que todos estavam cientes das anotações do EGS sobre aquele tipo de cheiro de aquecedor queimando que vinha do banheiro várias vezes”, comunicou a astronauta Christina Koch, que havia consertado o vaso na quinta-feira. “Nunca foi identificado exatamente qual era a origem, mas foi classificado como um cheiro desconhecido”, acrescentou.

Esse, no entanto, não foi o único contratempo envolvendo o sistema. Logo após o lançamento, a partir do Centro Espacial Kennedy, em Houston, os astronautas perceberam que a bomba do vaso não estava funcionando. Esse mecanismo é essencial, inclusive, para a remoção de resíduos do corpo — já que, no espaço, a ausência de gravidade impede esse processo natural.

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A solução, felizmente, foi simples: não havia água suficiente no sistema para ativar a bomba. Após o ajuste, tudo voltou ao normal. “Tenho orgulho de me chamar de encanadora espacial. Todos nós respiramos aliviados quando vimos que estava tudo bem. Inicialmente achamos que poderia haver algo interferindo no motor. Felizmente, estamos com todos os sistemas funcionando”, brincou Koch.

Segundo a NASA, o banheiro é, possivelmente, um dos itens mais valorizados pelos astronautas durante missões espaciais. “Eu diria que é provavelmente o equipamento mais importante a bordo”, afirmou a astronauta.

A jornada teve início em 1º de abril e deve durar cerca de 10 dias. Este voo de teste marca a primeira missão tripulada da NASA com o foguete Space Launch System (SLS) e a espaçonave Orion.

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