Jornalista choca ao revelar quanto a Netflix pagou para Suzane Richthofen para documentário inédito

Além da condenada, outros membros da família também faturaram com a produção

Suzane von Richthofen apresentará a sua versão de um dos crimes mais chocantes do país, em um documentário inédito que será disponibilizado pela Netflix. Segundo a coluna de Gabriel Vaquer, ela teria recebido R$ 500 mil.

Suzane von Richthofen apresentará sua versão de um dos crimes mais chocantes do país, em um documentário inédito que será disponibilizado pela Netflix. Desde a divulgação de alguns trechos, a produção tem chamado atenção do público, que questionou o valor que ela teria recebido. Nesta quarta-feira (8), a coluna de Gabriel Vaquer, da Folha de S. Paulo, revelou a quantia.

Suzane foi condenada a 39 anos de prisão pelo assassinato dos pais, Manfred e Marísia von Richthofen, pena que ela atualmente cumpre em regime aberto. Agora, quase 20 anos depois do duplo homicídio, ela reconstruiu a linha temporal do caso, detalhou a rotina familiar, incluindo a relação conturbada com o pai, e falou sobre o relacionamento com o médico Felipe Zecchini Muniz.

De acordo com Vaquer, a plataforma pagou cerca de R$ 500 mil para que Suzane autorizasse a realização da obra. O pagamento ainda teria sido feito diretamente à ex-detenta para garantir a gravação do depoimento.

Iniciado em novembro de 2025, o projeto segue em fase de pós-produção e tem previsão de ir ao ar ainda neste ano. Suzane, no entanto, não foi a única a faturar com o documentário. Conforme o colunista, também houve pagamento para que mais pessoas da família autorizassem o uso de imagens e concedessem entrevistas. Uma delas foi o próprio marido da condenada.

Suzane von Richthofen com o irmão, Andreas, e os pais
Suzane von Richthofen com o irmão, Andreas, e os pais. (Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal)

O acordo para que Suzane desse o depoimento inclui ainda um vínculo vitalício de confidencialidade sobre detalhes do contrato entre as partes. Ou seja, ela não pode falar publicamente que recebeu dinheiro da Netflix para a produção, segundo Vaquer.

A condenada também não poderá conceder entrevistas para outros veículos e concorrentes da plataforma, por um período pré-determinado em contrato. A decisão corrobora para que a obra tenha uma “janela de exclusividade”. Procurada pelo colunista, a Netflix disse que não divulga detalhes de suas produções.

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Netflix x Prime Video

Chamado provisoriamente de “Suzane vai Falar”, o documentário foi exibido em uma sessão restrita, para um pequeno grupo de convidados, em março. Ainda conforme o colunista, a produção foi encomendada pela Netflix após o sucesso de “Tremembé”, do Prime Video. A série de ficção se tornou a maior audiência da história do streaming.

Segundo Vaquer, profissionais do audiovisual brasileiro ficaram “chocados” com o documentário de Suzane. Um deles chegou a comparar a tática da plataforma com o que fez Gugu Liberato, em 2003, quando produziu uma entrevista fraudulenta com os membros do PCC (Primeiro Comando da Capital), no SBT.

O colunista revelou que o receio é de que a produção mude a percepção geral de que o streaming não apela tanto quanto a TV aberta para o sensacionalismo em busca de audiência. Para os profissionais, isso pode resultar no desaquecimento do mercado, que já não produz tanto conteúdo quanto há alguns anos.

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