Donald Trump reage à teoria de que tiroteio em jantar foi armado pelo governo e explica demora para deixar salão; assista

Presidente dos EUA também explicou o real motivo de ter demorado para deixar o salão onde ocorreu o atentado

Donald Trump reagiu aos questionamentos sobre a veracidade do atentado ao jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca, em Washington. O presidente dos Estados Unidos ainda explicou por que demorou para deixar o local, e narrou as orientações que recebeu da polícia.

Donald Trump reagiu aos questionamentos sobre a veracidade do atentado ao jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca, em Washington. Em entrevista ao programa “60 Minutes”, da CBS News, neste domingo (26), o presidente dos Estados Unidos ainda explicou que demorou para deixar o local porque “queria ver” o que estava acontecendo. Ele destacou que ficou acompanhado pela escolta militar.

Na conversa, Norah O’Donnell abordou as teorias da conspiração de que o incidente teria sido uma farsa. “Hesito em lhe perguntar sobre isso, mas como você sabe, existem teorias da conspiração por aí, tanto da esquerda quanto da direita, de que o evento foi armado ou que não aconteceu”, comentou ela.

“O que? Que [o ataque] ontem à noite não aconteceu?”, devolveu Trump, surpreso. “Sim, foi isso mesmo. Porque era a sua primeira vez lá, ou porque o caso Butler (referência ao comício no estado da Pensilvânia, em 2024) não aconteceu. Essas teorias da conspiração que estão ganhando força”, respondeu Norah.

O republicano, então, reagiu com ironia. “Nossa, eu sei. E o dia 7 de outubro não aconteceu, e a Segunda Guerra Mundial não aconteceu, e o Holocausto não aconteceu, e muitas outras coisas não aconteceram. É, claro que ouço isso. Não sei. Acho que eles são mais doentes mentais do que vigaristas, mas também tem muita vigarice nisso. Não ouvi dizer que a noite passada não aconteceu. Bem, geralmente demora um pouco mais. Normalmente eles esperam uns dois ou três meses para começar a dizer isso”, afirmou ele.

Trump se pronuncia após tiroteio em jantar na Casa Branca (Foto: Reprodução/CBS News)

Norah, por sua vez, enfatizou que não “propagava” teorias da conspiração. “Estou me perguntando de onde isso está vindo”, admitiu. “Acho que seria difícil convencê-la disso”, disse Trump, ao que a entrevistadora concordou. Os dois ainda confirmaram que o serviço secreto dos EUA está trabalhando para dobrar a segurança do presidente após o atentado.

O político ainda foi questionado sobre a demora dos agentes para evacuá-lo, juntamente com a primeira-dama Melania Trump, do salão onde ocorreu o incidente. “Você vê a segurança agindo rapidamente, em questão de segundos, agarrando o vice-presidente pelo casaco, levantando-o, tirando-o de lá, e então vem o contra-ataque. Levou 10 segundos para eles o cercarem, Sr. Presidente, e mais 20 segundos para tirá-lo de lá. Parecia um caos. Em um dado momento, o senhor estava caído. O que estava acontecendo?”, quis saber Norah.

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Foi quando o republicano confessou que queria ver de perto a ação da polícia contra o atirador. “Bem, o que aconteceu foi um pouco minha culpa. Eu queria ver o que estava acontecendo e não estava facilitando as coisas para ele. Eu queria ver o que estava rolando. E, naquele momento, começamos a perceber que talvez fosse um problema sério, um tipo diferente de problema, um problema grave”, relatou.

“E diferente do barulho normal de um salão de baile, que você ouve o tempo todo. E eu estava cercado por pessoas ótimas, e provavelmente as fiz agir um pouco mais devagar. Eu disse: ‘Esperem um minuto. Esperem um minuto. Deixem-me ver, esperem um minuto'”, recordou. O republicano também explicou o momento em que ele parecia ter caído no chão.

“O que aconteceu foi o seguinte: comecei a caminhar com eles [os agentes]. Virei-me, continuei andando e eles disseram: ‘Por favor, abaixe-se. Por favor, deite-se no chão’. Então, eu deitei e a primeira-dama também. Os agentes nos pediram para eu me abaixar enquanto caminhava”, detalhou. “Eles queriam que você praticamente rastejasse”, opinou Norah.

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“Praticamente isso. Eu estava de pé, e então me virei para o lado oposto e comecei a caminhar, bem ereto, um pouco curvado, porque, sabe, eu não queria parecer muito ereto, mas eu estava caminhando. Eu estava mais ou menos na metade do caminho quando disseram: ‘Por favor, abaixe até o chão. Por favor, abaixe-se’. Então eu me deitei no chão. A primeira-dama também”, concluiu Trump.

Cole Tomas Allen, de 31 anos, foi preso sob suspeita de participar no ataque à Casa Branca (Foto: Reprodução/ Truth Social)

Em outro momento, Norah quis saber sobre quem assumiria o alto cargo no caso de uma tragédia fatal. “O vice-presidente, o presidente da Câmara, o secretário de Estado, o secretário [Pete] Hegseth, praticamente toda a linha de sucessão presidencial estava naquele salão de baile. Quem era o sobrevivente designado (figura que assume a presidência após uma situação catastrófica)?”, perguntou.

“Bem, antes de mais nada, devo dizer que aquele salão de baile não é seguro. Estou construindo um salão de festa seguro. E uma das razões pelas quais estou construindo-o é exatamente pelo que aconteceu ontem à noite. Estamos construindo um salão bem ali. Se você sair e andar 20 metros para a esquerda, estará bem na entrada do salão de festa. E esse salão está sendo construído no terreno mais seguro deste país, provavelmente um dos terrenos mais seguros do mundo”, garantiu o presidente.

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Trump também reagiu às tentativas de assassinato contra ele, incluindo um incidente em 2024 em Butler, na Pensilvânia, onde foi baleado na orelha. “Então, eu já disse isso inúmeras vezes. Devido à posição que ocupo, pesquisei bastante sobre a palavra ‘assassinato’. Uma palavra terrível. E eles perseguem presidentes importantes. Perseguem presidentes que fazem coisas”, avaliou.

“Mas quando você é uma pessoa importante… quando você faz coisas, muitas coisas, e coisas que dão muito certo para o nosso país… Abraham Lincoln foi assassinado. [O ex-presidente William] McKinley foi assassinado. McKinley tornou o país muito rico. As pessoas não percebem isso. Então Teddy Roosevelt saiu e gastou o dinheiro que McKinley havia gerado, mas ele também foi muito importante, na verdade, e foi assassinado”, concluiu Trump.

Assista à entrevista na íntegra:

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