Nesta terça-feira (28), a Justiça dos Estados Unidos determinou a prisão do ex-diretor do FBI, James Comey, após uma publicação nas redes sociais ser interpretada como uma ameaça a Donald Trump. Segundo o The New York Times, o caso gira em torno de um post feito pelo ex-chefe da agência no ano passado.
De acordo com a Associated Press, Comey agora enfrenta acusações formais de ameaça à vida do presidente e de ameaça interestadual. Os registros judiciais confirmam a emissão de um mandado de prisão. O ex-diretor compareceu a um tribunal federal nesta quarta (29), não se declarou culpado e foi liberado em seguida.
A postagem em questão foi publicada em maio de 2025, no Instagram. Na imagem, conchas apareciam organizadas na areia formando os números 86 e 47. “Formação de conchas legais na minha caminhada pela praia”, escreveu na ocasião. Para o Departamento de Justiça, a combinação poderia carregar um significado violento direcionado a Trump. Veja:

Segundo o dicionário Merriam-Webster, o número “86” é uma gíria que pode significar “dispensar”, “descartar” ou “recusar atendimento”. Em usos mais recentes, ainda pouco comuns, o termo também pode significar “matar”. Já o número 47 foi interpretado como uma referência ao fato de Trump ser o 47º presidente dos Estados Unidos.
Após a repercussão, o ex-diretor apagou a publicação. “Não percebi que algumas pessoas associam esses números à violência. Sou contra qualquer tipo de violência, por isso removi a publicação“, disse ele, na época. Comey também declarou que havia entendido a disposição das conchas como uma mensagem de cunho político, sem qualquer incentivo à violência.
Ainda em maio do ano passado, o Republicando afirmou que Comey tinha conhecimento do possível significado da imagem. “Até uma criança entende o que isso quer dizer. Se você é diretor do FBI e não sabe, isso significa assassinato — e está muito claro”, garantiu Trump à Fox News.
Esse não é o primeiro impasse entre o presidente dos EUA e o ex-diretor da agência. Um dos episódios mais citados envolve um jantar privado em que Comey teria se recusado a prometer lealdade pessoal a Donald Trump.

A tensão culminou na demissão de Comey em maio de 2017, em meio à investigação conduzida pelo FBI sobre possíveis conexões entre a campanha de Trump e a Rússia. O caso passou a ser liderado pelo procurador especial Robert Mueller, que concluiu que houve interferência russa na eleição, mas não encontrou provas suficientes para concluir que a campanha foi ilegal.
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