Secretário aponta choque com vídeo de estupro coletivo de crianças em SP: ‘Não consegui ver até o fim’

Nico Gonçalves também expressou seu espanto com a decisão dos suspeitos de divulgar vídeos do crime nas redes sociais

O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Nico Gonçalves, admitiu o choque com o vídeo do estupro coletivo de crianças, na zona leste de São Paulo. Ele ainda indignou-se com a atitude dos suspeitos em divulgar vídeos do crime na internet.

O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Nico Gonçalves, se pronunciou sobre o vídeo analisado pelas autoridades no caso de estupro coletivo na zona leste da cidade paulista. Neste domingo (3), em uma coletiva de imprensa, ele admitiu o horror com as cenas, destacando que nunca viu algo “tão terrível” em mais de quatro décadas atuando nas forças de segurança do estado.

Os agressores filmaram as violências e divulgaram os vídeos em redes sociais. As vítimas eram duas crianças, de 7 e 10 anos. “Um caso de repercussão triste. Em 45 anos de polícia, não consegui ver a cena até o fim. Pra você ver o que pra gente significa isso. Isso é uma cena que eu falo novamente: terrível, inesquecível, vai ficar no meu subconsciente por muito tempo”, afirmou Nico.

Ele ainda expressou seu espanto com a decisão dos suspeitos de expor o crime online. “Eles ainda querem se promover na internet, querendo ganhar destaque com o que eles fizeram”, indignou-se. Na conversa com jornalistas, o secretário também citou a dificuldade nas investigações por não terem uma cena concreta do crime.

“A dificuldade é a investigação. A gente tem que colocar as pessoas no cenário. A gente não tinha nada, só a imagem, não tinha ninguém identificado. As investigações começaram e, eu acho que em cinco dias, que foi esclarecido. É um tempo até recorde de conseguir as [medidas] cautelares, conseguir que a Justiça determine e conseguir identificar todos [os suspeitos], explicou.

Alessandro Martins dos Santos, único adulto envolvido, foi detido na Bahia. (Foto: Reprodução/ GCM de Brejões; g1)

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O delegado titular do 63º DP, Júlio Geraldo, reforçou que foi preciso constituir a cena do zero. “Quando a ocorrência chegou foi pela irmã da vítima que não trouxe sequer o local onde havia ocorrido os fatos. Então, foi necessário reconstruir toda a situação. Tivemos que chegar ao local, periciar, encontrar os familiares da vítima, cuidar da proteção dessas vítimas, porque elas não podiam ser revitimizadas com uma investigação”, completou.

Assista:

Na mesma coletiva, Nico ressaltou que a polícia tentava fazer um acordo com a família do quinto suspeito para que ele se entregasse às autoridades. Já nesta segunda (4), o adolescente foi detido ao se apresentar no 63º Distrito Policial (DP), na Vila Jacuí. Todos já foram presos.

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Sobre o caso

O crime ocorreu no dia 21 de abril, em São Miguel Paulista, na zona leste da capital. As autoridades, porém, só tomaram conhecimento no dia 24 do mesmo mês. A irmã de uma das vítimas viu imagens dos abusos circulando nas redes sociais e procurou a delegacia para registrar a denúncia. Conforme a Polícia Civil, ela não morava com a mãe e só soube da violência ao reconhecer o irmão mais novo nas imagens.

A corporação relatou, ainda, que a família chegou a deixar a comunidade após sofrer ameaças. “Teve gente que saiu com a roupa do corpo. Foi uma dificuldade encontrar essas vítimas. Elas vieram à delegacia, foram ouvidas e as crianças submetidas a exames”, explicou a delegada Janaína da Silva Dziadowczyk.

Os cinco suspeitos vão responder por estupro de vulnerável, divulgação de imagens e corrupção de menores.

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