Após o Ministério Público de São Paulo (MPSP) e os advogados da família verem indícios de crime na morte de Bárbara Jankavski Marquez, conhecida como “Barbie humana“, a Polícia Técnico-Científica confirmou que a criadora de conteúdo sofreu um infarto provocado pelo uso de cocaína, reforçando a conclusão já indicada no primeiro laudo pericial.
De acordo com informações obtidas pelo g1, o novo exame foi realizado depois da exumação do corpo da influenciadora – em 3 de fevereiro, no Cemitério da Vila Formosa – e concluiu que ela não foi asfixiada, estrangulada ou vítima de violência física. O laudo complementar assegurou que o falecimento foi causado por intoxicação por uso de droga.
Conforme a perícia, Bárbara ingeriu cocaína, possivelmente associada ao consumo de bebida alcoólica, o que potencializou os efeitos tóxicos da substância. O Instituto Médico Legal (IML) detalhou que a intoxicação foi por “cocaetileno”, uma substância produzida pelo organismo justamente quando há uso simultâneo de cocaína e álcool.
Os peritos afirmaram que o “cocaetileno” é mais tóxico ao coração e ao sistema nervoso do que a cocaína isoladamente, podendo provocar arritmias, parada cardíaca e morte súbita. A nova análise foi feita especialmente na região cervical, de forma externa e interna. Embora o corpo já estivesse em estado avançado de decomposição no momento da exumação, eles concluíram que não existem evidências compatíveis com morte por asfixia ou estrangulamento.

O exame ficou pronto nesta semana e, ainda conforme o portal, foi encaminhado à Polícia Civil, que segue investigando o caso como morte suspeita. O documento também corrobora com o entendimento da investigação do 7º Distrito Policial (DP) da Lapa, que já havia relatado que Bárbara não foi vítima de nenhum tipo de crime.
Agora, o Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que assumiu o caso a pedido da família da criadora de conteúdo, deve elaborar o relatório final da investigação, que será enviado ao MP. Caberá à Promotoria decidir se encaminha o caso à Justiça ou se pede o arquivamento do inquérito.
Relembre o caso
Bárbara Jankavski Marquez, conhecida como “Barbie humana” nas redes sociais, de 31 anos, foi encontrada sem vida, no dia 2 de novembro, na casa do defensor público Renato De Vitto, de 51, na Lapa, em São Paulo. Segundo a investigação, ela foi localizada seminua e com manchas no corpo. Outras duas pessoas também estiveram no imóvel e foram ouvidas como testemunhas.
Um laudo do Instituto de Criminalística (IC) sobre as câmeras corporais dos PMs que atenderam a ocorrência também apontou relatos contraditórios das testemunhas, incluindo mudanças de versão ao longo do atendimento médico. Em seu depoimento, o defensor público disse que a influenciadora foi contratada como garota de programa, com o intuito de ter relações sexuais.
Inicialmente, o 7º DP considerou a morte uma fatalidade. Contudo, em dezembro do ano passado, o MP e a família de Bárbara levantaram a suspeita de que ela tivesse sido vítima de um crime, como homicídio. Procurado pelo g1, o advogado Átila Machado, que defende De Vitto, afirmou que, “por se tratar de investigação que tramita sob segredo de justiça“, não pode se pronunciar. Por enquanto, a defesa de Bárbara não se manifestou sobre a conclusão do laudo.
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