Após a confusão no restaurante Grado, na zona sul do Rio de Janeiro, áudios de Ed Motta ofendendo um funcionário e até ameaçando uma briga vieram à tona. As gravações foram divulgadas nesta terça-feira (12), pelo RJ2, da TV Globo. Em uma delas, o cantor confessou ter arremessado a cadeira durante a briga, pois estava com ódio. Na outra, datada em 2025, o famoso xingou um barman de “paraíba filho da p*ta” e insinuou já ter tido problemas com ele anteriormente.
Desculpas após confusão
A primeira mensagem foi direcionada ao sócio do restaurante. Logo no início, Motta deixou sua insatisfação com o atendimento recebido, no dia 2 de maio. “Eu tive uma experiência terrível no restaurante. Fiz a reserva de uma mesa e vocês não me avisaram que teria uma [taxa] rolha. A gente se conhece há tantos anos. Poxa vida, tem que respirar fundo. E apareceu a rolha. Eu peço desculpa porque eu joguei uma cadeira, joguei uma cadeira no chão de ódio, entendeu?”, alegou o músico.
Ele seguiu indignado com uma taxa cobrada pelo estabelecimento a clientes que levam sua própria bebida para consumir no local. “Eu fiquei com ódio mortal da rolha que foi cobrada, o desrespeito que foi. Acho que tudo bem cobrar a rolha, não tem problema nenhum. Eu poderia pagar a rolha, não há problema com isso. A questão é combinar antes, né?”, sugeriu.
Foi então que vieram as ofensas. “Hoje eu desci o sarrafo, porque um amigo meu fez uma pergunta para ele (o funcionário), e ele não respondeu. Aí eu falei: ‘Ele é assim mesmo. Ele é um babaca que não responde’. Aí ele soltou o primeiro sorriso”, relatou Motta.

No ano passado, o artista já tinha reclamado do mesmo funcionário ao dono do restaurante. Motta ainda fez uma referência ao fato do trabalhador ser nordestino. “Eu tive uma noite horrível ontem por conta desse cara. Na décima [vez], se eu for falar com ele, vai sair porrada. Porque é a Tijuca contra o Nordeste, né? Então, é tipo: ‘Pô, cara, seu paraíba filho da p*ta. Você tá trabalhando com público, você não pode se comportar desse jeito’. Entendeu?”, soltou, aos risos.
Ao final, o artista adotou um tom mais raivoso e alertou que a situação poderia se agravar. “Eu não quis chegar perto dele para mostrar o quanto eu tenho ódio de tudo, muito mais do que ele. Mesmo ele sendo um retirante que veio lá da casa do car*lho. Eu tô com um ódio muito maior que o dele. Eu só estou contando isso pra ver se alivia de alguma forma, porque eu não quero deixar de frequentar. Mas eu me conheço, tô no meu limite com ele, tanto que eu tive que ligar para vocês. A próxima é eu pular o balcão e pegar ele. Polícia”, concluiu.
Ouça:
Áudios anteriores à briga no Grado mostram Ed Motta chamando barman de ‘paraíba’ e ameaçando ‘pular o balcão’ em uma ‘próxima’ https://t.co/NYf0JdaXFv #g1 pic.twitter.com/NcapGXNw96
— g1 (@g1) May 12, 2026
A defesa de Ed Motta afirmou que os áudios são “antigos”, estão “fora de contexto” e foram divulgados com “o claro objetivo das partes em influenciar a investigação” sobre o episódio ocorrido no dia 2 de maio. A nota foi enviada ao RJ2 e assinada por Pedro Ivo Velloso, Mariana Beda e Tathiana Costa.
“A defesa de Ed Motta repudia a tentativa de manipulação de narrativa por meio da divulgação de áudios antigos, fora de contexto, com o claro objetivo das partes em influenciar a investigação sobre o episódio ocorrido no dia 2 de maio, em um restaurante no Rio de Janeiro. Conforme já esclarecido em depoimento, Ed Motta afirma ser absolutamente falsa a acusação de que teria chamado alguém de ‘Paraíba’ naquela noite”, argumentaram os advogados.
O time lamentou a atitude e reforçou que Motta não agrediu ninguém na respectiva noite. “A divulgação de um áudio antigo, privado, gravado em outro contexto e sem qualquer relação com os fatos investigados, apenas evidencia a tentativa de construção artificial de uma versão que jamais ocorreu”, declarou.
“A defesa lamenta o vazamento distorcido e descontextualizado de áudios, reafirma que Ed Motta não agrediu ninguém naquela noite e não possui qualquer tipo de preconceito contra quem quer que seja. O artista rejeita com veemência a criação de fatos inexistentes e seguirá colaborando com os esclarecimentos necessários perante as autoridades competentes”, concluiu o comunicado.
Ed Motta prestou depoimento nesta terça-feira (12), na 15ª Delegacia de Polícia do Rio de Janeiro. Ele é investigado por injúria por preconceito contra um funcionário. O crime prevê pena de reclusão de 1 a 3 anos.
