Nicki Minaj abriu o jogo sobre seu apoio a Donald Trump, assumido publicamente em janeiro. Em entrevista à revista Time, nesta quinta (14), a rapper revelou por que manteve suas opiniões políticas em segredo durante anos e o que a levou a se posicionar.
De acordo com o veículo, a reinvenção política da artista não é algo surpreendente. A estrela, nascida em Trinidad, foi alvo de críticas online em 2021 após questionar vacinas contra a Covid-19. Minaj chegou a alegar que um amigo de seu primo, no país em que nasceu, teria ficado impotente e com os testículos inchados após se vacinar. Ela incentivou seus seguidores a “rezarem e terem certeza da decisão [de se vacinar], sem se sentirem pressionados”.
A declaração provocou reação de especialistas em saúde pública e políticos. O ministro da Saúde de Trinidad e Tobago, Terrence Deyalsingh, chegou a realizar coletiva afirmando que não havia provas de que vacinas causassem inchaço testicular. “Imagino que eles tenham examinado os testículos de todo mundo em Trinidad para concluir que eu estava mentindo”, ironizou Nicki.

Dessa polêmica, surgiu um aliado inesperado à rapper: Charlie Kirk, ativista conservador e fundador da Turning Point USA, que saiu em sua defesa. “O tratamento que os democratas deram a Nicki Minaj é prova suficiente de que eles não se importam com pessoas negras, especialmente aquelas que não conseguem controlar”, escreveu ele.
Naquele momento, ela já vinha se aproximando das ideias de Trump. A cantora contou que permaneceu em silêncio por medo de alienar os fãs. “Eu já pensava assim sobre ele, só não ousava demonstrar publicamente”, disse. “Foi enraizado na indústria musical que devemos ser uma família democrata. Eu sabia que não gostariam de me ver apoiando Trump”, adicionou.
A gota d’água
A postura mudou após uma série de episódios assustadores em sua mansão em Los Angeles. Em 2022 e 2023, sua casa de US$ 20 milhões foi alvo de repetidos trotes policiais, conhecidos como “swatting”, que enviavam agentes fortemente armados ao local. A experiência a abalou, principalmente por causa do filho pequeno.
Ela pediu ajuda ao governador Gavin Newsom pelo X e disse nunca ter recebido resposta. “Ele simplesmente me ignorou completamente, depois de todo o dinheiro que paguei em impostos”, afirmou.
Outro ataque de swatting ocorreu em abril de 2025. O episódio chamou a atenção da congressista republicana Anna Paulina Luna, ex-modelo ligada à Turning Point USA e amiga de Alex Bruesewitz. Luna telefonou para Minaj, conectando-a com autoridades federais e uma empresa de segurança privada. “Fiquei chocada”, disse a artista. “Nunca tinha visto alguém da política me tratar assim”, complementou. Foi então ela que começou a considerar assumir publicamente seu alinhamento ao MAGA (movimento “Make America Great Again”). “Foi isso que me fez dizer que não queria mais manter isso em segredo”, confessou.

Em janeiro deste ano, a equipe de Trump convidou a rapper à Casa Branca para o lançamento de um programa de contas de poupança infantis com investimento inicial de US$ 1 mil para crianças nascidas entre 2025 e 2028. Desde então, Minaj se tornou ainda mais defensora de Trump. Ela passou a apoiar projetos como o SAFE Act, que exige identificação para votar nos EUA, chegando a incentivar os seguidores a pressionarem representantes políticos para aprovarem a medida.
Nicki afirmou ainda que está disponível para ajudar Trump nas eleições de meio de mandato, caso ele peça. “Faço o que for necessário”, garantiu. A artista ainda frisou que não está sozinha. “Muitas celebridades pensam como eu, mas não falam. Às vezes, basta uma pessoa corajosa para suportar o impacto inicial. Acho que sou o catalisador dessa mudança”, declarou.
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