Ficar muito tempo sem sexo prejudica a saúde? Especialistas explicam impactos da abstinência no corpo e na mente

Falta de sexo pode provocar reflexos físicos e emocionais, dizem ginecologista e urologista

Ginecologista Carolina Orlandi e urologista Celene Bragion explicaram ao GShow, nesta sexta-feira (15), como longos períodos sem relações sexuais podem impactar o corpo e a saúde emocional. As especialistas analisaram os possíveis reflexos da abstinência na qualidade de vida.

Passar longos períodos sem manter relações sexuais, seja por escolha ou circunstâncias da vida, pode provocar impactos físicos e emocionais, segundo a ginecologista Carolina Orlandi e a urologista Celene Bragion, em entrevista ao GShow nesta sexta-feira (15). Embora a ausência de sexo não cause doenças por si só, as especialistas explicam que a falta da prática, inclusive da masturbação, pode, sim, gerar reflexos no corpo e na mente.

Diversos fatores podem influenciar a ausência de relações sexuais, como a rotina corrida, escolhas pessoais ou orientações dentro do espectro assexual. Isso não significa necessariamente o desenvolvimento de problemas de saúde, especialmente físicos. No entanto, a ginecologista explicou que a sexualidade faz parte da saúde de forma ampla e, por isso, pode impactar diferentes aspectos do bem-estar e da qualidade de vida.

Segundo a especialista, o sexo oferece uma série de benefícios ao organismo. Ela destacou que a atividade sexual estimula a liberação de hormônios como endorfina, ocitocina, dopamina e prolactina, substâncias associadas às sensações de prazer, relaxamento, bem-estar e até do fortalecimento da conexão afetiva. “Isso pode melhorar a qualidade do sono e reduzir níveis de estresse”, destacou a profissional.

Abstinência sexual pode gerar impactos na saúde física e emocional (Foto/Reprodução/Unsplash/Andrey Matveev)

A médica também ressaltou que manter uma vida sexual ativa pode favorecer a saúde cardiovascular, colaborar para o equilíbrio da saúde vaginal e até da lubrificação. “A atividade sexual, seja com parceiro ou por meio da masturbação, contribui para a saúde vaginal, porque promove vascularização e elasticidade”, explicou a profissional, acrescentando que o “jejum” de sexo também significa deixar de acessar esses benefícios.

Orlandi reforçou, porém, que a ausência de sexo, por si só, não representa um risco, principalmente à saúde física. “A abstinência sexual, de maneira isolada, não prejudica a flora vaginal. Na verdade, ela pode até ajudar a preservar. O grande vilão, às vezes, é mais a questão hormonal e não necessariamente a falta de relação sexual, seja ela com parceiro ou parceira, seja através da masturbação”, afirmou a ginecologista.

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Na área da urologia, a análise envolve outros aspectos. Segundo Bragion, a falta de atividade sexual pode estar associada a impactos específicos no campo emocional e funcional. “Nos homens, períodos prolongados sem atividade sexual podem estar associados à redução de estímulos eréteis, piora da ansiedade de desempenho e, em alguns casos, maior insegurança sexual”, detalhou.

Abstinência sexual pode estar relacionada à disfunção erétil (Foto/Reprodução/Unsplash/Michał Parzuchowski)

Homens que permanecem longos períodos sem atividade sexual podem desenvolver maior ansiedade de desempenho, insegurança ou perda de confiança, o que favorece quadros de disfunção erétil psicogênica”, destacou a urologista. Apesar disso, ela reforçou que só a abstinência não é considerada causa direta de disfunção erétil, já que fatores funcionais e psicológicos precisam ser avaliados de maneira individual.

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