Nesta segunda-feira (18), o reality britânico “Casamento à Primeira Vista” foi retirado do ar pela Channel 4 após virem à tona denúncias graves envolvendo os bastidores da produção. Segundo a Reuters, a decisão veio depois que uma reportagem da BBC News detalhou acusações de estupro durante as filmagens do programa.
Duas mulheres afirmaram à BBC News que foram estupradas no período em que estavam confinadas. Uma terceira pessoa também relatou um episódio de “ato sexual não consensual”. Segundo a reportagem, elas teriam sido vítimas de homens com quem foram emparelhadas no reality e lamentaram a falta de apoio da Channel 4 diante das acusações. A emissora, conforme a denúncia, já tinha conhecimento de parte das alegações antes mesmo de da exibição dos episódios.
O Ministério da Cultura, Mídia e Esporte do Reino Unido se manifestou e afirmou que as acusações devem ser apuradas pelo canal. “Todos que trabalham e participam da televisão devem ser tratados com dignidade e respeito em todos os momentos. Seu bem-estar e segurança são fundamentais”, disse um porta-voz. O órgão regulador da mídia no país, o Ofcom, também informou que vai acompanhar o desdobramento e analisar os resultados da revisão aberta pela emissora.

Uma das mulheres relatou que, além de ter sido vítima de abuso por parte de um dos participantes, também recebeu ameaças de ataque com ácido. Segundo ela, há a intenção de entrar com um processo contra a produtora CPL. O suspeito, porém, alegou que a relação sexual “foi consensual”.
Uma das participante identificada como Shona Manderson acusou Bradley Skelly, seu parceiro no programa, de ejacular dentro dela sem consentimento. Skelly, por sua vez, disse acreditar que havia consentimento e negou “quaisquer acusações de má conduta sexual”. Ele garantiu que o relacionamento era “baseado em consentimento mútuo, cuidado e afeto”
Antes mesmo da reportagem vir à tona, a Channel 4 já havia iniciado, no mês de abril, uma análise interna sobre o bem-estar dos participantes. A investigação envolve o reality, produzido pela empresa independente CPL, e mira a conduta adotada nos bastidores.
Em meio às acusações, a produtora se posicionou por meio de seus advogados, que classificaram o sistema de suporte oferecido como “padrão ouro”. A defesa sustenta que todas as medidas adequadas foram tomadas nos casos citados.
A emissora também declarou que recebeu, no mesmo mês, “sérias alegações” de irregularidades envolvendo um número restrito de ex-participantes. No entanto, segundo o Channel 4, eles negaram as acusações.

A ex-presidente-executiva do grupo entre 2017 e 2025, Alex Mahon, comentou o caso. Ela classificou os relatos como “acusações muito sérias e preocupantes” e afirmou que a decisão de abrir uma investigação foi justificada.
Em depoimento a parlamentares nesta terça-feira (19), Mahon disse que os episódios foram tratados com seriedade e que os protocolos de proteção evoluíram ao longo do tempo. Ainda assim, ponderou que, diante da dimensão das denúncias, “sempre vale a pena dar uma nova olhada”.
Apesar da crise atual, o programa vinha de um período de destaque. Um relatório de 2024 apontou que a atração liderou o ranking de streaming do canal naquele ano, somando dez temporadas exibidas tanto na TV quanto na plataforma digital.
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