Bruno Gagliasso critica Juliano Cazarré por curso de “masculinidade” e falas na TV: “Triste, feio e vergonhoso”

Ator comentou o projeto do colega durante participação em videocast e não poupou críticas ao evento voltado à “liderança masculina”

Bruno Gagliasso criticou publicamente o curso “O Farol e a Forja”, criado por Juliano Cazarré. A declaração foi feita durante participação no videocast “Conversa Vai, Conversa Vem”, do jornal O Globo, após repercussão do evento entre artistas nas redes sociais.

Nesta quinta-feira (21), vai ao ar o episódio com Bruno Gagliasso do “Conversa Vai, Conversa Vem”, videocast do jornal O Globo. Em um trecho divulgado antecipadamente, o ator fez críticas ao colega Juliano Cazarré, que no mês passado lançou um “curso de liderança masculina”.

No anúncio, que repercutiu entre artistas, Cazarré afirmou que o evento “O Farol e a Forja” seria “o maior encontro de homens do Brasil”. De viés conservador, a proposta aborda temas como “liderança masculina” e apoio a homens que, segundo a divulgação, estariam “perdidos e enfraquecidos pela sociedade”.

Questionado sobre o assunto durante o podcast, Gagliasso não escondeu o desconforto e criticou diretamente o projeto. “[Esse projeto] é triste, feio e vergonhoso. E ficou mais grave porque [o Cazarré] começou a mentir agora. A gente não pode dar palco para um cara que está falando que as mulheres matam mais do que os homens. E ainda ganha dinheiro com isso”, afirmou. A fala se refere à participação de Cazarré em um debate da GloboNews.

Juliano Cazarré lançou o curso de “liderança masculina” em abril e causou polêmica online. (Foto: Reprodução/GloboNews)

O ator também comentou a dificuldade de dialogar com pessoas que defendem posições políticas semelhantes às de Cazarré. “Admiro culturalmente, intelectualmente alguém que está do outro lado? Não! Estou falando do extremismo, de bebedor de detergente. Não me sinto capaz de convencer… Quer beber detergente? Bebe! Meus heróis não estão ali. O que essas pessoas leem, escrevem, cantam? É inevitável pensar isso”, disse.

Gagliasso acrescentou que não consegue compreender a necessidade de um curso para ensinar o que é ser homem. “Eu não consigo, não tenho diálogo. Não vou conversar com uma pessoa que faz curso para dizer o que é ser homem”, pontuou.

Para ele, o conteúdo proposto pelo evento vai na contramão do que considera essencial. “Penso que o nosso papel [de homem] é muito mais de ouvir. Não é possível que a gente queira ser protagonista numa época com tanta mulher morrendo e red pill [subcultura digital de homens que defende a ideia de que a sociedade atual é dominada por privilégios femininos] falando m*rda”, disparou.
disparou.

O ator também destacou sua visão sobre masculinidade: “É um absurdo tão grande, tudo muito sério. Estão querendo construir o que é ser homem. Para mim, ser homem é ser totalmente o oposto do que essas pessoas estão dizendo. É estar disposto a se desconstruir e aprender o tempo inteiro. Aprendendo o tempo inteiro com a minha mulher [Giovanna Ewbank] e com a minha filha [Titi]”.

Gio Ewbank e Bruno Gagliasso são pais de Titi, Bless e Zyan. (Foto: Reprodução / Instagram)

Por fim, Gagliasso afirmou que passou a confrontar amigos que reproduzem falas machistas. “Acho que estamos passando por uma evolução e, consequentemente, vem essa onda contrária, que é um alerta. Penso que quem está, de fato, se preocupando em ser homem e dar exemplo deve fazer o oposto do que estão fazendo”, concluiu.

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Desde 2018, Cazarré tem se posicionado de forma mais enfática em pautas conservadoras. Em publicações no Instagram, ele afirmou que o evento “O Farol e a Forja” surge como resposta ao que chama de “enfraquecimento dos homens”. O anúncio gerou forte reação da classe artística nas redes sociais. Clique aqui para saber mais.

O podcast completo estreia hoje (21), às 18h, no canal do jornal O Globo no YouTube.

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