Luciano Huck se pronunciou, neste domingo (24), após uma fala dele sobre o “Bolsa Família” repercutir negativamente nas redes sociais. No story do Instagram, o apresentador negou ser contra o programa social e argumentou que o trecho de sua participação no 5º Fórum Esfera, no Guarujá (SP), circulou “fora de contexto”.
No evento, Huck alegou que o programa não gera estímulos suficientes para que as famílias deixem a política social. Ele usou como exemplo a cidade de Senhor do Bonfim, na Bahia, onde cerca de 56% da economia local estaria vinculada ao “Bolsa Família”.
“Hoje eu acho [o Brasil] ineficiente em muitas frentes (…) Você não gera nenhum tipo de estímulo para que as famílias queiram sair do ‘Bolsa Família’. Na verdade, elas criam um monte de atalhos para conseguir ficar no programa de distribuição de renda, de proteção social, ad eternum”, afirmou o apresentador.
Ele ainda refletiu sobre a desigualdade social e a dificuldade de mobilidade econômica no país, citando dados da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) sobre o tempo necessário para famílias saírem da base da pirâmide social.
“A gente precisa criar um estímulo. Como é que você motiva a família que precisa do ‘Bolsa Família’? [Como faz para que ela] tenha vontade de sair desse programa? O estudo da OCDE [informou] que pra uma família sair da base da pirâmide social para chegar à classe média brasileira [demora cerca de] nove gerações”, relatou.
“Quer dizer que você não tem esperança. Nem o seu filho, nem o seu neto, nem o seu bisneto vai ter uma vida melhor que a sua? Você fica sem estímulo. Essa não mobilidade social, essa loteria do CEP que a gente vê no Brasil, que o lugar que você nasce determina o número de oportunidades que você vai ter na vida“, completou Huck.
Assista à íntegra:
Em evento para Empresários Luciano huck ataca o programa “Bolsa Família” dizendo que benefício não ajuda pessoas a saírem da pobreza, em 2025: 2 milhões de famílias deixam o programa após aumento de renda pic.twitter.com/fh1K9lzs1t
— 𝘿𝙞𝙡𝙢𝙖 𝘿𝙚𝙗𝙤𝙘𝙝𝙖𝙙𝙖 ☭ 🇧🇷 (@eudilminha_) May 23, 2026
Agora, o veterano da televisão explicou o comentário diante da onda de críticas que recebeu nas redes sociais. “Um trecho dessa fala acabou circulando meio fora de contexto. Em alguns cortes, dá a entender que eu seria contra programas de proteção social. Isso não é verdade. Eu sou a favor de políticas de proteção social, que ajudam milhões de brasileiros”, defendeu-se.
Luciano salientou que os programas precisam ser aperfeiçoados para atender quem realmente precisa. “O que eu defendo é que esses programas sejam constantemente aperfeiçoados, num mundo com inteligência artificial, muita tecnologia, muitos dados, que a gente tenha eficiência no resultado. A tecnologia hoje nos permite entender a realidade de cada família, individualizar esses programas. Os recursos precisam chegar ainda mais eficientes a quem mais precisa para evitar corrupção, gasto indesejado”, avaliou.
Ao final, Huck reforçou quais mudanças acredita que precisam ser feitas nos programas sociais. “Proteção social é fundamental. Mas ela precisa caminhar junto com educação de qualidade, com geração de oportunidades, com direito de escolha. O objetivo é apoiar quem precisa hoje, mas também criar caminhos para que essas famílias tenham autonomia no futuro”, concluiu.
Veja:
Luciano Huck se pronuncia após fala sobre o “Bolsa Família” repercutir pic.twitter.com/awtMCR1uDM
— WWLBD ✌🏻 (@whatwouldlbdo) May 24, 2026
Quantos beneficiários deixam o Bolsa Família no Brasil?
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Social, cerca de 2 milhões de famílias saíram do programa entre janeiro e outubro após aumento de renda, somente em 2025. Em comparação, no período de apenas um mês, mais de 800 mil famílias deixaram de depender do “Bolsa Família”.
Um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) também mostrou que, ao longo de 10 anos, 60,7% dos beneficiários conseguiram sair do programa social. O levantamento feito em parceria com o MDS ainda apontou que a maior taxa é a dos beneficiários que eram adolescentes em 2014.
Enquanto a taxa média de saída da população foi de 60,68%, entre os jovens de 15 a 17 anos de idade, a proporção chega a 71,25%. Ou seja, de cada dez, sete deixaram de precisar da transferência de renda. Em seguida, figura a faixa de 11 a 14 anos, com 68,80%. Já entre as pessoas que tinham até 4 anos de idade, a proporção no intervalo de uma década foi de 41,26%.
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