Neste domingo (24), o “Fantástico” revelou novos detalhes sobre a prisão da influenciadora e advogada Deolane Bezerra, suspeita de lavar dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo o programa, ela já vinha sendo monitorada pela polícia desde sua viagem à Itália. O dominical ainda mostrou como a advogada foi abordada pela Polícia Civil em sua mansão, localizada em um bairro de luxo de São Paulo.
De acordo com a reportagem, Deolane foi monitorada por mais de 20 dias em Roma, com apoio da Interpol. As imagens mostram a influencer passeando pela cidade, em uma região que concentra lojas e restaurantes de alto padrão. Ela estava hospedada em um prédio localizado em um dos endereços mais famosos da capital italiana, com diárias superiores a R$ 15 mil.
De acordo com Edmar Caparroz, delegado da Polícia Civil de São Paulo, há evidências de transferências de dinheiro do PCC para a conta de Deolane. Na operação, foram presos Everton de Souza, conhecido como “Player” e apontado como operador financeiro da organização, e Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha de Marcola, que está em Madri, na Espanha.

“Há contato de Everton (Player) determinando transferências para uma abreviação, que se referia a Deo Beze, e um número de uma conta bancária que, uma vez apurada, revelava a identidade de Deolane Bezerra”, explicou Caparroz.
Em seguida, o promotor de Justiça Lincoln Gakiya detalhou como funciona a suposta lavagem de dinheiro: “Eles conseguem pulverizar esse dinheiro, que já vem de maneira ilícita, de uma empresa que era do PCC e dos irmãos Camacho, para as contas dela (Deolane). Depois, ela dilui isso em várias e dezenas de contas de empresas ligadas a ela. Isso, depois, acaba virando um patrimônio que, às vezes, não é só dela”.
Um dos exemplos de lavagem de dinheiro apontados pela investigação envolve uma financeira registrada em uma casa humilde em Salvador, na Bahia. Segundo as apurações, a empresa teria transferido mais de R$ 79 mil para contas pessoais da advogada. Outros R$ 600 mil também foram destinados à empresa Bezerra Publicidade e Comunicação. A polícia chegou a ir a uma das firmas de Deolane, mas não encontrou ninguém trabalhando no local. Para a polícia, todas essas empresas são “fantasmas”.

Gakiya explicou que o avanço da apuração em torno de Deolane teve início a partir da apreensão de bilhetes manuscritos encontrados dentro do sistema prisional. O material, segundo ele, foi decisivo para a abertura da investigação que passou a mirar um suposto esquema milionário.
Ao examinar o material apreendido, a polícia localizou referências a uma “mulher da transportadora”. Nos bilhetes, essa mulher aparece como a pessoa encarregada de obter endereços de agentes públicos, que serviria para viabilizar possíveis ataques planejados pela organização criminosa.
A influenciadora também estaria envolvida com transações para a família de Marcola e teria usado as próprias contas para transferir dinheiro de uma transportadora de cargas que, por sua vez, lavava dinheiro para os parentes dele. A firma possui sede em Presidente Venceslau (SP) e é vizinha do presídio de Presidente Venceslau. A suspeita do MP é de que os chefões máximos do PCC tenham constituído a empresa como forma de lavar dinheiro do tráfico de drogas. A segunda hipótese é que o local foi usado como estratégia para uma possível ação de resgate de presos na P-2 de Venceslau.
Assista à reportagem completa:
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— Matheus (@matheuscaseca) May 24, 2026