Gabriel Ganley relatou mal-estar após uso de insulina semanas antes de morrer; assista

Fisiculturista listou os efeitos que a insulina teve em seu organismo e o que fez para conseguir melhorar

Um vídeo de Gabriel Ganley voltou a circular na web após sua morte, no sábado (23). Na gravação, ele relatou ter passado mal ao tomar insulina. Já um boletim da polícia apontou que possíveis anabolizantes foram encontrados no apartamento do fisiculturista.

Um vídeo de Gabriel Ganley, postado no início do mês, voltou a circular nas redes sociais após sua morte, no sábado (23). Na gravação, o fisiculturista relatou ter passado mal e tido “confusão mental” com o uso de insulina. Ele detalhou como tudo aconteceu e disse que precisou da ajuda de amigos para conseguir se recuperar.

“Eu tomei [a insulina] quando saí da academia. Eu sentei no sofá e começou a me dar confusão mental, muita confusão mental. Eu não conseguia focar meu olhar; eu ficava meio vesgo. Só que, como eu tinha tomado insulina e já tinha dado confusão mental, eu achei que estava de boa. Foi um lapso de 20 minutos. Eu só fui me ligar que estava passando mal quando ele [o amigo] ligou para o Rambo [outro amigo], relatou Ganley.

O jovem, que tinha apenas 22 anos, listou os efeitos do remédio em seu organismo. “Eu alucinado, muito doido, irmão. E estava muito frio, a suadeira não tinha me dado antes. Normalmente, é assim: me dava leveza, depois suadeira, tremedeira e confusão mental. Dessa vez, foi de leveza já pra confusão mental”, contou.

Segundo o fisiculturista, seu amigo lhe deu uma série de comidas com açúcar para tentar amenizar o efeito do remédio. “Eu fui perceber que deu m*rda quando ele [o amigo] estava falando com o Rambo e me dando banana. E eu tipo: ‘Não tem banana na dieta’. Só que você não consegue falar, porque o que a insulina faz, ela tira o carboidrato do sangue e manda para a célula. Só que, consequentemente, quem consome mais carboidrato no nosso corpo é o cérebro. Então você não consegue falar, você enrola a língua”, explicou.

Gabriel compartilhava sua rotina de treinos na internet (Foto: Reprodução/Instagram)

“Só que eu estava tão doido, que eu comecei a falar: ‘Pode ir embora, tá suave’. Só que eu não percebi que eu estava passando mal, eu não conseguia nem levantar do sofá. E ele me contou umas coisas que eu nem lembro. Eu fui olhar pro meu braço e estava suando frio, muito. Eu estava morrendo de frio, queria pedir casaco, mas eu não conseguia falar”, continuou.

Ganley ainda falou da dificuldade que os amigos tiveram, tendo em vista que só possuía em casa alimentos que faziam parte de sua dieta. “Aqui em casa não tem nada fora da dieta, com açúcar. E o Rambo: ‘Mano, procura alguma coisa que tenha açúcar’. E não tem nada aqui! E como a minha dieta não tem mel mais, só tinha um restinho de mel cristalizado. E eu: ‘Mas cadê a carne? Eu preciso de carne’. Só começou a passar [o mal estar]quando ele misturou farinha de arroz e whey [protein]e me entregou. Aí eu comecei a comer e passou”, recordou.

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Ao final, o atleta confessou que esta foi a primeira vez que a insulina teve um efeito tão forte. Mesmo com o susto, ele afirmou que a situação foi “boa para o shape”.

“Que doideira, porque nunca tinha dado m*rda assim. E eu nem sei se daria m*rda, porque eu não percebi. Na minha cabeça estava tudo sob controle. Só que foi muito bom pro shape, porque foi um p*ta treino, a insulina jogou todo o carboidrato pra dentro do músculo. Eu acordei com o shape animal. Acordei 700 gramas mais leve, eu comi um monte de carboidrato. Doideira, mano, estou começando a gostar”, concluiu Gabriel.

Assista à íntegra:

Possíveis anabolizantes foram encontrados no apartamento de Ganley

Conforme o boletim de ocorrência, obtido pela TV Globo, a perícia apreendeu diversos medicamentos no apartamento de Ganley, possivelmente anabolizantes segundo o registro policial. Ainda de acordo com o documento, o imóvel estava limpo e organizado, sem indícios de luta ou crime.

Os agentes foram até o apartamento do fisiculturista após um amigo dele acionar a Polícia Militar. Segundo o boletim, esse mesmo amigo foi até o imóvel depois de ser procurado por familiares, que estavam preocupados com o desaparecimento de Gabriel desde a noite de quinta-feira (21). Como ninguém atendia às ligações ou mensagens há dois dias, ele decidiu ir até o local.

Ao chegar ao prédio, foi informado por funcionários do condomínio de que o fisiculturista estava dentro do apartamento. Como as luzes estavam acesas, mas ninguém respondia, ele arrombou a porta com a ajuda dos trabalhadores. Ganley foi encontrado já sem vida na cozinha, caído de bruços. De acordo com o registro, o rapaz tinha o rosto avermelhado, com presença de sangue, mas não havia sinais aparentes de violência.

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Em depoimento, o amigo que descobriu o corpo informou que conhecia Gabriel há cerca de quatro anos e que os dois trabalhavam juntos. O último contato presencial entre eles ocorreu na noite de quinta (21), quando se encontraram por menos de 30 minutos em uma academia na Mooca, zona leste de São Paulo.

A mãe de Gabriel, a empresária Clarisse Ganley Christophe, que mora no Rio de Janeiro, também falou com as autoridades. Ela testemunhou que havia falado com o filho pela última vez na mesma noite de quinta e que ele estava bem, sem relatar problemas de saúde ou sintomas. Segundo ela, o jovem não tinha histórico de doenças cardíacas. Clarisse viajou a São Paulo após ser informada da morte.

A causa da morte ainda não foi confirmada oficialmente e depende de exames do Instituto Médico Legal (IML). Até o momento, não há previsão para a divulgação dos laudos. O caso foi registrado como “morte suspeita – morte súbita” pelo 42º Distrito Policial, no Parque São Lucas. As investigações, porém, serão realizadas pelo 57º DP, na Mooca.

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