Henry Borel: Filha de ex-namorada de Jairinho diz em depoimento que foi agredida por ele na infância e detalha como ex-vereador agia

No julgamento, um psiquiatra também afirmou que Jairinho sentia “prazer em infligir dor em crianças”

Nesta quinta-feira (28), durante audiência do caso Henry Borel no Tribunal do Júri, Kaylane Pereira, de 18 anos, afirmou ter sofrido agressões de Jairinho na infância. O julgamento reúne depoimentos de testemunhas e especialistas sobre o caso.

Nesta quinta-feira (28), ocorreu mais uma audiência do caso Henry Borel. Em depoimento ao Tribunal do Júri, Kaylane Pereira, de 18 anos, afirmou que sofreu agressões de Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, quando tinha entre 5 e 7 anos. Segundo o UOL, ela é filha de uma ex-namorada do ex-vereador.

Filha de Natasha de Oliveira Machado, que também é testemunha no processo e manteve um relacionamento com Jairinho entre 2010 e 2013, Kaylane contou que os episódios aconteciam quando estava sozinha com ele. Segundo a jovem, o réu a levava para um local que ela acredita ser um motel, onde as agressões ocorriam.

“A gente ia, o que eu acredito, que era um motel. A gente entrava de carro. Lá, ele me dava socos na cabeça, apertava meu braço muito forte. Teve um dia que fomos para um quarto que tinha uma piscina. Fomos para a piscina. Ele ficava me afundando. Me soltava e me afundava de novo. As outras situações eram de me dar ‘moca’ (socos na cabeça), apertar meu braço”, relatou a jovem.

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O vereador teria agido de forma violenta com enteados da mesma faixa etária que Henry, que morreu aos 4 anos. (Foto: Arquivo pessoal)

Ao ser questionada pela juíza Elisabeth Machado Louro sobre a possibilidade de ter sofrido abuso sexual, Kaylane negou: “Ele falava que se eu falasse para minha mãe, ela ia ficar muito triste, que ela ia terminar com ele e a culpa ia ser minha. Eu nunca contei. Só fui contar quando eles terminaram, três anos depois. Ele falava que se eu não existisse a vida dele e da minha mãe seria muito melhor”.

O julgamento também ouviu, nesta quarta-feira (27), o psiquiatra Rafael Bernardon. Ele é uma das testemunhas de acusação. Durante o depoimento, o profissional afirmou que identifica um padrão de comportamento nas ações atribuídas ao ex-vereador. “Há um padrão de abuso infantil por parte do réu, um padrão de prazer em infligir dor em crianças”, analisou.

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O especialista reforçou ainda a avaliação apresentada em um parecer anexado ao processo, apontando que Jairinho teria um perfil “egocêntrico, narcisista e sádico”. Segundo ele, haveria indícios de que o acusado sentia prazer nos atos de violência praticados contra ex-companheiras e os filhos delas. “Embora seja uma análise subjetiva minha, eu tive essa percepção e interpretação”, concluiu Bernardon.

Relembre o caso

Monique Medeiros, mãe de Henry, e o padrasto do garoto, o ex-vereador Jairinho, são réus pela morte do menino de 4 anos. Segundo a polícia, o padrasto torturou a criança e a mãe sabia disso, mas não fez nada para intervir.

O menino faleceu na madrugada do dia 8 de março de 2021. O laudo do Instituto Médico-Legal, divulgado em reportagem do jornal RJ2, apontou que o corpo do Henry apresentou sinais de violência e o óbito foi causado por hemorragia interna e laceração hepática, decorrentes de uma ação contundente.

Dr. Jairinho e Monique Medeiros. (Foto: Reprodução/ Record)

A perícia constatou ainda múltiplos hematomas no abdômen e membros superiores, infiltração hemorrágica na região frontal do crânio, edemas no encéfalo, grande quantidade de sangue no abdômen, contusão no rim à direita, trauma com contusão pulmonar, laceração hepática (no fígado) e hemorragia retroperitoneal. Henry, que passava a noite na casa da mãe e do padrasto, foi levado ao hospital pelos responsáveis, mas chegou ao local sem vida.

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Segundo relatos divulgados pela revista Veja na época, o vereador teria um histórico de violência, com agressões a ex-namoradas e os filhos delas. Alguns dos casos, inclusive, já haviam sido relatados à polícia. De acordo com a publicação, apesar de Jairinho aparentar ser muito gentil e educado, os relatos e conversas obtidos sugerem que o ex-vereador teria um temperamento violento e quase “sádico” na sua vida privada.

Anteriormente, ele já havia sido denunciado por torturar uma menina de 4 anos entre 2011 e 2012, também filha de uma ex-companheira. Outro desses episódios teria acontecido com uma ex-namorada que tinha um filho de 5 anos na época em que ela se relacionou com Jairinho, entre 2014 e 2016.

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