Cara Delevingne foi a convidada do podcast “Call Her Daddy”, desta quarta-feira (3), e se abriu sobre a descoberta de sua orientação sexual, por meio de experiências com amigas. A modelo e atriz ainda falou sobre o início da carreira, os bastidores da indústria da moda, o vício em drogas, a relação com a mãe e até uma conversa perturbadora com Harvey Weinstein.
Durante a entrevista, Cara relembrou que abandonou a escola ainda na adolescência por causa da depressão. Segundo ela, a decisão não teve relação com o sonho de trabalhar como modelo. “Eu precisava abandonar a escola porque sentia que acabaria fazendo alguma besteira por lá. Eu estava tão deprimida que sabia que iria muito mal. Ou seria expulsa, ou algo do tipo. Eu simplesmente precisava sair dali. Aquilo não estava ajudando em nada a situação”, contou. Pouco depois, ela foi descoberta em uma rave e decidiu tentar a carreira na moda. “Eu pensei: ‘Claro, vocês querem que eu seja modelo? Tudo bem, boa sorte. Vou fazer o meu melhor’”, adicionou.
Ao falar sobre os anos em que desfilou para a Victoria’s Secret, a atriz admitiu que aquele não era um ambiente confortável para ela. “Eu não quero falar pelas outras meninas, mas, para mim, não era um ambiente agradável”, afirmou. Cara explicou que nunca se identificou com a imagem ultrafeminina que precisava transmitir nas passarelas. “Eu tive que me transformar nessa garota que eu não era, nessa mulher sexy. Essa simplesmente não sou eu”, disse.

Sexualidade
Na época, ela ainda não havia assumido publicamente sua sexualidade. “Eu estava no armário. Eu era gay e ficava pensando: ‘Será que sou a única lésbica que já desfilou para a Victoria’s Secret?’ Isso era algo enorme para mim”, comentou. A modelo chegou a relembrar que o produtor Harvey Weinstein insinuou que ela não teria espaço em Hollywood se namorasse com mulheres, após Cara ser fotografada ao lado de outras famosas. “Ele perguntou se eu estava dormindo com elas. Depois disse: ‘Você não pode ficar com mulheres. Você nunca será atriz. Nunca será contratada’”, prosseguiu.
Cara compartilhou que algumas experiências com amigas a ajudaram a compreender melhor sua orientação sexual. “Descobri mais sobre minha sexualidade me relacionando com minhas amigas porque havia uma sensação de segurança nisso”, revelou. Muitas dessas amigas se identificavam como heterossexuais na época. “Isso também não significava que éramos gays. Todas nós tínhamos namorados, mas o que acontecia quando as luzes se apagavam não significava necessariamente alguma coisa. Mas elas não eram realmente hétero. Eu não acho que alguém seja totalmente hétero. Esse é o ponto”, acrescentou.
No início deste mês, a atriz já havia comentado o assunto durante um show de Rosalía, em Londres. “Se vocês ainda não sabem, eu sou lésbica. E a minha fraqueza costumava ser mulheres heterossexuais”, brincou.

Infância e dependência química
Em outro momento da conversa, Delevingne relembrou a infância e os momentos em que sua mãe passava longos períodos internada em centros de reabilitação. “Ninguém me explicava onde ela estava. Então eu simplesmente achava que ela estava morta”, contou. “Eu simplesmente parei de comer aos sete anos e fazia uma espécie de greve de fome porque não sabia onde minha mãe estava. Eu não queria comer porque, para mim, aquilo era a única coisa que eu conseguia controlar”, mencionou.
A atriz ainda falou sobre sua própria luta contra a dependência química. Cara revelou que consumia GBL e GHB diariamente e recorria à cocaína para permanecer acordada. “Eu percebi que a situação estava séria quando comecei a usar sozinha e percebi o quanto gostava disso. Eu sabia que ninguém estava me julgando, e eu também não me julgava. Eu podia simplesmente desaparecer. Foi nesse momento que entendi que aquilo era um problema, e um problema muito maior do que eu queria admitir”, partilhou.
Nesse momento, as fotos registradas durante o festival Burning Man, em 2022, entraram na conversa. Na época, as imagens preocuparam fãs da atriz ao redor do mundo. Cara revelou que elas foram feitas logo após uma convulsão provocada pelo uso de substâncias. “Eu não sabia o quão viciante aquilo era. Achava que seria fácil parar”, confessou. Ela contou também que conheceu sua atual namorada, Minke, naquele período, e foi sincera desde o início sobre a situação. “Eu disse a ela: ‘Tenho um problema. Uso G todos os dias. Vou melhorar’”, falou.

Sobriedade e futuro
Hoje, sóbria, a atriz revelou que chegou a ter pensamentos suicidas justamente no auge da fama. “Eu deveria estar no momento mais feliz da minha vida, mas me sentia culpada. Sentia que não merecia nada daquilo”, disse. Para ela, a mudança aconteceu após ouvir uma música que havia tocado no funeral de um amigo que morreu de overdose. “Naquele momento pensei: ‘O que estou fazendo? Por que estou fazendo isso?’”. Depois disso, decidiu buscar ajuda. “Joguei todas as drogas no vaso sanitário”, lembrou.
Atualmente a modelo está focando na carreira musical. Recentemente, ela deu o primeiro passo na indústria com o lançamento de dois singles: “I Forgot” e “Out of My Head”. As faixas antecipam o primeiro álbum da artista, previsto para os próximos meses. “Tudo aconteceu pouco tempo depois de eu sair da reabilitação. E eu me lembro de rezar todos os dias. Eu rezava para conseguir criar algo a partir daquela dor, para ter clareza, confiança, consciência e tudo o que fosse necessário para transformar aquilo em alguma coisa”, falou ela sobre o processo criativo.
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