Henry Borel: Promotor classifica Jairinho como “psicopata severo” e Monique como “narcisista” em alegações finais do caso

Promotor do caso expôs suas conclusões durante um alegações finais

O julgamento da morte de Henry Borel entrou na fase final com as alegações do Ministério Público. Durante a sustentação, promotores defenderam a condenação de Jairinho e Monique Medeiros, apresentaram avaliações sobre o comportamento dos réus e reforçaram a acusação antes da decisão dos jurados. Entenda os detalhes.

O julgamento de Jairinho e Monique Medeiros no caso do menino Henry Borel está se encaminhando para o encerramento. Segundo o jornal Folha de S. Paulo, nesta quarta-feira (3), o promotor Fábio Vieira fez suas alegações finais. Na análise, ele classificou Jairinho como “psicopata severo” e Monique como “narcisista”.

De acordo com o veículo, o Ministério Público reforçou o pedido de condenação dos réus pela morte de Henry e exibiu um vídeo da psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva sobre características de psicopatas e narcisistas, relacionando o conteúdo ao comportamento de Jairinho e Monique ao longo do caso.

O promotor afirmou que Monique teria colocado os próprios interesses acima do filho. “Sentada aqui no banco dos réus, ela em nenhum momento disse: ‘podem me condenar, a pena maior foi a morte do meu filho’. Ela se coloca em primeira pessoa o tempo inteiro, o filho dela nunca esteve em primeiro lugar. Ela se diz a injustiçada”, declarou.

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Vieira também utilizou trechos de um livro para sustentar a tese de que Monique apresentaria comportamentos associados ao narcisismo, como manipulação, charme e capacidade de leitura social. Segundo ele, algumas atitudes adotadas por ela antes da morte de Henry e após o crime indicariam uma preocupação em construir determinada imagem. “Quando ela diz que procurou ajuda para Henry com psicóloga, professora, médico, ela estava maquiando a preocupação”, afirmou.

Monique, mãe de Henry. (Reprodução / TV Globo)

A promotora Audrey Marques também destacou que Monique teria demonstrado comportamentos considerados incompatíveis com o ocorrido, como uma ida ao salão de beleza e a escolha de roupas específicas nos depoimentos. “Ela ainda demonstrou ciúmes de Jairinho quatro horas após a morte do filho, perguntando onde estava e com quem estava”, disse.

Em seu testemunho, Monique apresentou outra versão para esses episódios. Ela afirmou que estava vivendo um luto profundo e alegou que arrancou o megahair, o que provocou feridas e falhas no couro cabeludo, motivo pelo qual procurou um profissional. Sobre as roupas, ela disse que sofria pressão do advogado que a representava na época.

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Ao pedir a condenação dos réus, a promotora lembrou que Henry teria sido vítima de três episódios de tortura. “Do Henry foram tirados 70 anos de vida. Ele não pode ir para a escola, ele não vai virar adolescente, ele não vai namorar, viajar, casar e ter filhos”, declarou.

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Dr. Jairinho e Monique Medeiros foram oficialmente denunciados pelo Ministério Público. (Foto: Reprodução)

Na sequência, o assistente de acusação, Cristiano Medina, reforçou os argumentos do Ministério Público. Ele citou a influência política da família de Jairinho em Bangu, na zona oeste do Rio de Janeiro, e lembrou que o ex-vereador era conhecido como “príncipe de Bangu”. Para ele, Monique desejava ocupar o papel de “princesa de Bangu”, para ter uma “vida de luxo”.

“Tenho dó da Monique, mas ela foi omissa e tem que pagar por isso. Quando ela pagar, tenho certeza de que será ressocializada. O Jairo, não. Duvido que esse anjo do mal, esse príncipe das trevas, saia de dentro dele. Outras crianças podem voltar a ser vítimas dele”, afirmou.

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Com o encerramento das alegações finais da acusação, caberá aos sete jurados decidir se Jairinho e Monique serão condenados ou absolvidos pelas acusações relacionadas à morte do menino.

Relembre o caso

Monique Medeiros, mãe de Henry Borel, e o padrasto do garoto, o ex-vereador Jairinho, são réus pela morte do garoto de 4 anos. Segundo a polícia, o padrasto torturou a criança e a mãe sabia disso, mas não fez nada para intervir.

O vereador teria agido de forma violenta com enteados da mesma faixa etária que Henry, que morreu aos 4 anos. (Foto: Reprodução)

O menino faleceu na madrugada do dia 8 de março de 2021. O laudo do Instituto Médico-Legal, divulgado em reportagem do jornal RJ2, apontou que o corpo do Henry apresentou sinais de violência e o óbito foi causado por hemorragia interna e laceração hepática, decorrentes de uma ação contundente.

A perícia constatou ainda múltiplos hematomas no abdômen e membros superiores, infiltração hemorrágica na região frontal do crânio, edemas no encéfalo, grande quantidade de sangue no abdômen, contusão no rim à direita, trauma com contusão pulmonar, laceração hepática (no fígado) e hemorragia retroperitoneal. Henry, que passava a noite na casa da mãe e do padrasto, foi levado ao hospital pelos responsáveis, mas chegou ao local sem vida.

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Segundo relatos divulgados pela revista Veja na época, o vereador teria um histórico de violência, com agressões a ex-namoradas e os filhos delas. Alguns dos casos, inclusive, já haviam sido relatados à polícia. De acordo com a publicação, apesar de Jairinho aparentar ser muito gentil e educado, os relatos e conversas obtidos sugerem que o vereador teria um temperamento violento e quase “sádico” na sua vida privada.

Dr. Jairinho e Monique Medeiros. (Foto: Reprodução/Record TV)

Anteriormente, ele já havia sido denunciado por torturar uma menina de 4 anos entre 2011 e 2012, também filha de uma ex-companheira. Outro desses episódios teria acontecido com uma ex-namorada que tinha um filho de 5 anos na época em que ela se relacionou com Jairinho, entre 2014 e 2016.

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