Amanda Maria Souza de Oliveira, de 37 anos, presa após se passar por uma criança de 12 anos, teve diversas despesas custeadas pela família que a acolheu, segundo informações divulgadas pelo g1 neste sábado (4). Entre os custos assumidos pelas vítimas, estava até um tratamento com caneta emagrecedora. O caso também ganhou um novo desdobramento após a defesa informar que ela deverá ser submetida a um exame de sanidade mental.
De acordo com Rodrigo Bueno Gusso, delegado responsável pela investigação, Amanda — que confessou ter fingido ser uma criança — recebeu amplo suporte financeiro da família. Durante os 14 meses em que viveu com o casal, em Joinville (SC), ela realizou um tratamento para obesidade com o medicamento Mounjaro, cujo valor pode variar entre R$ 1.400 e R$ 3.800 por mês.
Ainda segundo o delegado, a mulher, que se apresentava como Gabriele, chegou a ganhar uma festa de aniversário para celebrar os 12 anos que dizia ter. As apurações revelaram, no entanto, que, ao chegar à cidade, ela teria inicialmente se identificado como uma jovem de 18 anos, alegando experiência em panificação e afirmando estar à procura de emprego na região.

Acolhida por uma instituição religiosa, ela se aproximou da família por intermédio de um líder da comunidade e, posteriormente, passou a dizer que era menor de idade e que havia sido vítima de abusos durante a infância. Para justificar a aparência adulta, alegava ter sido submetida ao uso forçado de hormônios. Ela também não apresentava documentos e se recusava a frequentar a escola.
Após ser detida, Amanda admitiu ter se passado por uma criança e passou a ser investigada pelos crimes de estelionato e falsa identidade. Diante dos indícios reunidos ao longo da apuração, a Justiça converteu a prisão em flagrante em preventiva.

Rafael Luiz Siewert, advogado nomeado pela Justiça para atuar na defesa da investigada, confirmou que ela será submetida a exames de sanidade mental e afirmou que ela permanece à disposição das autoridades para os esclarecimentos necessários.
Confira o comunicado do advogado:
“Fui nomeado defensor dativo da investigada, uma vez que a Defensoria Pública não atua perante o Juízo de Garantias da Comarca de Joinville. Após a análise dos autos e entrevista com a custodiada, a defesa identificou elementos que justificam o pedido de realização de exame de sanidade mental. O requerimento foi acolhido pelo Juízo, que determinou a realização de perícia oficial para avaliação de sua condição psíquica”.
“Neste momento, a investigada permanece à disposição da Justiça em razão da decisão que converteu a prisão em flagrante em prisão preventiva e da necessidade de realização do exame pericial já determinado. A defesa aguarda a conclusão da perícia técnica, que poderá contribuir para o adequado esclarecimento das circunstâncias relacionadas ao caso e para a adoção das medidas processuais cabíveis”.
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