Uma consulta no Hospital Infantil Joana de Gusmão, em Florianópolis, foi determinante para levantar suspeitas sobre a verdadeira identidade da mulher de 37 anos que se passava por uma adolescente de 12. Segundo o Correio 24 Horas, Amanda Maria Souza de Oliveira procurou atendimento médico em setembro de 2023, acompanhada por duas assistentes sociais.
O caso voltou a ganhar repercussão após a prisão da suspeita, em Joinville (SC), pelos crimes de falsa identidade e estelionato. Amanda se apresentava como “Gabriele” e chegou a morar por 14 meses com uma família enquanto fingia ter 12 anos.
Na ocasião, três anos atrás, ela relatou dores abdominais e afirmou ser vítima de maus-tratos. Diante do relato, a equipe médica realizou uma série de exames e acionou os órgãos responsáveis pela proteção de crianças e adolescentes, incluindo o Conselho Tutelar. Os resultados, porém, despertaram a atenção dos profissionais.

Segundo a diretora do hospital, Maristela Biazon, um exame de raio-X revelou uma idade óssea incompatível com a informada pela paciente. A descoberta levou a equipe a aprofundar a pesquisa de seu histórico e, diante dos indícios, o hospital notificou as autoridades responsáveis, que assumiram a continuidade das investigações.
O caso
Amanda foi presa nesta terça-feira (2) e confessou o crime, segundo a Polícia Civil. Ela é reincidente nesse tipo de conduta e possui registros relacionados a golpes semelhantes em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Goiás e Santa Catarina.
A última família enganada pela falsa adolescente vivia em Joinville (SC) e conviveu com ela por 14 meses. O delegado Rodrigo Bueno Gusso informou que a mulher chegou até os pais adotivos após procurar uma igreja na cidade e relatar ao pastor ter fugido do Pará por sofrer maus-tratos. Ela, então, foi acolhida pela comunidade religiosa, que passou a ajudá-la financeiramente e conseguiu uma casa para que ficasse.

Para sustentar o disfarce de adolescente e justificar a aparência adulta, ela alegava falsamente ser uma pessoa com transtorno do espectro autista e de outras condições clínicas. Além disso, a mulher argumentou que os traços adultos eram decorrentes do uso forçado de hormônios durante a infância, quando teria sido abusada.
Como apontado pela polícia, a suspeita dissimulava comportamentos infantilizados, utilizando mamadeiras, chupetas e um “cheirinho” para dormir. A investigação apurou que “Gabriele” forjava crises de pânico à noite, afinava a voz e simulava carência para conseguir atenção. A defesa informou que ela deverá ser submetida a um exame de sanidade mental.
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