O caso de Amanda Maria Souza de Oliveira, de 37 anos, segue ganhando novos desdobramentos. Anos antes de a história vir à tona, uma assistente social de Belo Horizonte (MG) já desconfiava que a mulher não tinha a idade que dizia. Em entrevista ao portal g1, publicada nesta sexta-feira (5), Delma Soares contou que a suspeita surgiu após um episódio dentro de sua própria casa, quando Amanda, então apresentada como adolescente, estava sob seus cuidados.
A profissional disse que passou a questionar a versão de Amanda Maria após uma atitude tomada por ela. Na época, a suspeita, que usava o nome “Karol”, havia sido levada para a casa da assistente social junto com outras crianças para passar o fim de ano. Ela permaneceu no local por quase uma semana, até ser informada de que precisaria retornar ao abrigo antes das festas.
A mudança de planos aconteceu porque Delma teve que fazer uma viagem emergencial para Vitória (ES), após o irmão adoecer. Diante da notícia, Amanda Maria teria reagido com agressividade. Segundo a assistente social, a mulher começou a quebrar objetos dentro da residência e a dar socos e chutes no portão da casa. “Quando contei que ela teria que retornar para o abrigo, foi uma reação completamente fora do comum. Ela começou a quebrar objetos e a dar socos e chutes no portão da minha casa. Eu tinha certeza de que ela era maior”, relembrou Delma.

A assistente social acrescentou: “Só não tinha como provar. Ela tinha uma aparência infantil e conseguia reproduzir muitos comportamentos de uma criança. Mas, naquele momento, eu percebi características que não batiam com a idade que ela dizia ter”.
De acordo com Delma, a força física de Amanda Maria e a mudança repentina de comportamento não condiziam com alguém de 12 anos: “Quando eu dizia que ela era maior de idade, as pessoas achavam que eu estava equivocada. Eu não tinha provas, apenas a convicção construída pela convivência com ela”.
Segundo o g1, a mulher chegou à casa de acolhimento em Belo Horizonte, onde Delma atua como diretora, em 2017. A convivência entre as duas era próxima, e a assistente social recebia cartas, desenhos e bilhetes de Amanda. De acordo com Delma, essa postura ajudava a sustentar a imagem de uma adolescente em situação de vulnerabilidade.
Segundo Delma, ao chegar à instituição, Amanda Maria apresentava ferimentos provocados por agulhas e pedaços de arame. Ela foi encaminhada ao Hospital Odilon Behrens, onde exames identificaram a presença de objetos espalhados pelo corpo.

O Caso
Amanda foi presa nesta terça-feira (2), suspeita de se passar por uma adolescente de 12 anos e viver por 14 meses como filha adotiva na casa de uma família em Joinville, no norte de Santa Catarina. Segundo a Polícia Civil, ela confessou o crime e é investigada por estelionato e falsa identidade.
Conforme a PC, a suspeita era chamada de “Gabriele” e tem antecedentes penais por golpes idênticos em outros estados, como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás. Ela “confessou integralmente a autoria dos fatos” e foi encaminhada ao Presídio Regional de Joinville.
O delegado Rodrigo Bueno Gusso informou que Amanda Maria chegou até a família após procurar uma igreja em Joinville e relatar ao pastor ter fugido do Pará por sofrer maus-tratos. Ela, então, foi acolhida pela comunidade religiosa, que passou a ajudá-la financeiramente e conseguiu uma casa para que ficasse.

A família que acolheu a suspeita acabou se envolvendo emocionalmente e passou a tratá-la como filha por mais de um ano. Para sustentar o disfarce de adolescente e justificar a aparência adulta, ela alegava falsamente ser uma pessoa com transtorno do espectro autista e de outras condições clínicas. Além disso, a mulher argumentou que os traços adultos eram decorrentes do uso forçado de hormônios durante a infância, quando teria sido abusada.
A defesa de Amanda Maria afirmou ter encontrado indícios que apontam para a necessidade de um exame de sanidade mental. Segundo os advogados, a equipe agora aguarda a conclusão das perícias para decidir quais serão os próximos passos no processo.
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