O caso de Amanda Maria Souza de Oliveira, de 37 anos, segue ganhando novos desdobramentos. Segundo o portal g1 neste sábado (6), a suspeita teria procurado a Polícia Civil do Ceará em 2010 alegando ter 12 anos e denunciado os próprios pais por supostos abusos sexuais e por submetê-la a rituais espirituais.
Segundo a denúncia, na época, Amanda Maria afirmou que sofria agressões graves dentro de casa e chegou a relatar que era forçada pelo pai a manter relações sexuais com outros homens. De acordo com o relato, o pais também teriam colocado chaves e agulhas no corpo dela durante um ritual. Um exame de raio-X realizado naquele período confirmou a presença desses objetos no corpo da investigada.
A defensora pública Yamara Alves Lavor Viana deu detalhes do caso. Na época, ela era servidora da Polícia Civil e atuava como delegada adjunta da Delegacia de Defesa da Mulher de Fortaleza. “A gente instaurou inquérito policial na época. A investigação foi à casa dela, ouviu a vizinhança, conversou com testemunhas. Os depoimentos da época eram divergentes do que ela mencionava“, disse Yamara.

Segundo a defensora pública, testemunhas negaram as informações e afirmaram que os pais eram cristãos e tranquilos. O pai e a mãe de Amanda Maria foram ouvidos pela polícia e negaram as acusações. Eles afirmaram que a filha não era adolescente e apresentaram uma certidão de nascimento que indicava que ela, na verdade, tinha 22 anos em 2010. Amanda Maria, porém, contestou o documento e alegou que ele teria sido falsificado.
“Ela disse que a certidão foi falsificada pelos pais para que pudesse fazer programas sexuais. Os pais nos trouxeram também um laudo médico indicando que a menina sofreria de problemas psiquiátricos”, completou Yamara.
A polícia recebeu relatos de que Amanda Maria teria passado por atendimento no Hospital Mental de Messejana e no antigo Hospital Mira y López, ambos em Fortaleza, unidades voltadas à saúde mental. Ela também teria sido atendida no Centro de Atenção Psicossocial (Caps) de Horizonte.
Em setembro de 2023, a mulher deu entrada no Hospital Infantil Joana de Gusmão, em Florianópolis, afirmando estar com dores abdominais. Ela também alegava ser uma adolescente enquanto vivia em uma casa de acolhimento na cidade.

O Caso
Amanda Maria foi presa nesta terça-feira (2), suspeita de se passar por uma adolescente de 12 anos e viver por 14 meses como filha adotiva na casa de uma família em Joinville, no norte de Santa Catarina. Segundo a Polícia Civil, ela confessou o crime e é investigada por estelionato e falsa identidade.
Conforme a PC, a suspeita era chamada de “Gabriele” e tem antecedentes penais por golpes idênticos em outros estados, como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás. Ela “confessou integralmente a autoria dos fatos” e foi encaminhada ao Presídio Regional de Joinville.
O delegado Rodrigo Bueno Gusso informou que Amanda Maria chegou até a família após procurar uma igreja em Joinville e relatar ao pastor ter fugido do Pará por sofrer maus-tratos. Ela, então, foi acolhida pela comunidade religiosa, que passou a ajudá-la financeiramente e conseguiu uma casa para que ficasse.

A família que acolheu a suspeita acabou se envolvendo emocionalmente e passou a tratá-la como filha por mais de um ano. Para sustentar o disfarce de adolescente e justificar a aparência adulta, ela alegava falsamente ser uma pessoa com transtorno do espectro autista e de outras condições clínicas. Além disso, a mulher argumentou que os traços adultos eram decorrentes do uso forçado de hormônios durante a infância, quando teria sido abusada.
A defesa de Amanda Maria afirmou ter encontrado indícios que apontam para a necessidade de um exame de sanidade mental. Segundo os advogados, a equipe agora aguarda a conclusão das perícias para decidir quais serão os próximos passos no processo.
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