“Tia” desmascarou mulher que fingiu ter 12 anos após busca na internet; vídeo de antiga família adotiva também chamou atenção — assista

Delegado Rodrigo Bueno Gusso citou as desconfianças dos parentes e apontou como a mulher enganou a família adotiva

Uma "tia" foi quem descobriu a farsa orquestrada por Amanda Maria Souza de Oliveira, de 37 anos, que se passava por Gabriele, uma adolescente de 12. O delegado Rodrigo Bueno Gusso contou as desconfianças da família adotiva e como a suspeita enganou a todos.

Uma “tia” foi quem descobriu a farsa orquestrada por Amanda Maria Souza de Oliveira, de 37 anos, que se passava por Gabriele, uma adolescente de 12. Nesta terça-feira (9), ao g1, o delegado Rodrigo Bueno Gusso contou que a parente não acreditava nas histórias contadas por Amanda. Ela, então, passou a fazer buscas na internet até descobrir a verdadeira identidade da mulher.

A “tia” pesquisou casos de pessoas que deram golpes se passando por criança e encontrou reportagens de 2023 sobre um crime semelhante, no Rio de Janeiro. Amanda teve seu nome atribuído à suspeita. Além da semelhança no modo de agir, a aparência física dela reforçou as desconfianças da família.

A mulher relatou as suspeitas ao pai adotivo que, inicialmente, desacreditou da história. No entanto, pouco depois, ele também identificou semelhanças ao conferir a reportagem em vídeo. Ao final de maio, ambos procuraram a delegacia de Joinville, em Santa Catarina, para comprovar a informação. “Ele viu que a pessoa que foi presa no Rio de Janeiro era a pessoa que estava dentro da casa dele”, contou o delegado.

A Polícia Civil de Santa Catarina identificou que a mulher é reincidente nessa modalidade de estelionato. Amanda foi presa na última terça-feira (2) e, na sexta (5), a PC a indiciou por falsa identidade e estelionato. Somadas, as penas previstas para os dois delitos podem chegar a até seis anos de detenção. Ela está detida preventivamente no Presídio Feminino de Joinville.

De acordo com a polícia, Amanda fingiu ser uma adolescente de 12 anos (Foto: Arquivo Pessoal)

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Reportagem desmascarou suspeita e vídeo chamou atenção

A reportagem que chamou a atenção da “tia” dizia respeito a um crime ocorrido em Nova Iguaçu (RJ). À época, a suspeita se passava por Duda, e ficou um mês sob cuidados de Renata Magalhães e Viviane Henriques, diretora de um projeto social. As duas amigas são conhecidas por acolher crianças vítimas de abuso e com autismo.

Em um registro publicado no perfil de Renata, a autora do golpe apareceu imitando a voz de uma criança. Magalhães ainda chocou ao contar que presenciou Amanda vomitar agulhas em diversas ocasiões. “Ela vomitava a agulha. Ela vomitava, fez isso na minha frente. É uma coisa bizarra. Tenho visto muita gente rindo e fazendo piada na internet, mas ela é uma estelionatária, uma narcisista, uma mulher perigosa. É uma pessoa que vestiu um personagem e criou uma narrativa”, desabafou.

Veja:

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Crime em Joinville

Amanda Maria viveu por 14 meses como filha adotiva da família em Joinville após conhecer as vítimas ao procurar uma igreja. A suspeita relatou ter fugido do Pará por sofrer maus-tratos. A investigação apontou que ela é natural do Ceará e que apresentava versões semelhantes da história em outros estados.

Conforme o delegado, além da família que acolheu a mulher em casa, o pastor e a comunidade foram vítimas do golpe. No início do ano passado, eles se sensibilizaram para tentar achar um lugar para ela ficar. Além de uma festa de aniversário de 12 anos, Amanda ganhou remédio para emagrecer, um quarto com decorações e brinquedos infantis.

“Ela conseguiu sequestrar emocionalmente a família. Era uma família com boa situação financeira, então ela levava uma vida de adolescente muito boa. Durante o período em que estava com a família, ela não recebia dinheiro diretamente, mas tudo que havia de bom e do melhor ela recebia”, afirmou Gusso.

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