Marina Lacerda, que relatou ter sido uma das vítimas de Jeffrey Epstein, contou ter sofrido uma série de ameaças após acusar o empresário de abuso sexual. Nesta segunda-feira (8), a brasileira deu um forte depoimento à Reuters e revelou as consequências do caso.
Atualmente, ela mora nos Estados Unidos com a filha de 12 anos, o que causou uma drástica mudança em sua rotina. A brasileira afirmou que passou a dormir com uma arma ao lado da cama e vive em estado permanente de vigilância por receio de sofrer algum tipo de ataque. “Tenho medo de que alguém entre na minha casa. Estou paranoica o tempo todo”, declarou à agência.
De acordo com a Reuters, as ameaças começaram após sua participação em uma coletiva de imprensa realizada em setembro do ano passado, que defendia a divulgação de documentos relacionados ao caso Epstein. Depois da exposição pública, ela passou a receber mensagens agressivas de desconhecidos, incluindo comentários afirmando que seria assassinada e que deveria ter permanecido em silêncio.
Marina afirmou que a situação se intensificou quando seu nome apareceu diversas vezes em documentos do Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgados sem o sigilo adequado. A partir daí, ela relatou ter sido chamada de “mentirosa” e “prostituta”. A repercussão também atingiu sua filha, que passou a enfrentar provocações na escola. Alguns colegas chegaram até a perguntar se ela seria filha de Epstein.
A brasileira explicou que alterou o nome utilizado em registros imobiliários para dificultar que pessoas descubram onde mora, mesmo assim, ela garante que não se arrepende de ter denunciado o financista: “Eu adoro ter quebrado o silêncio. O que veio depois disso é pura paranoia”.

A Reuters apontou que o caso da brasileira não está isolado. A agência identificou pelo menos 23 mulheres que afirmam ter sofrido ameaças, intimidações ou assédio após denunciarem Epstein ou terem seus nomes revelados em documentos ligados à investigação.
Marina foi identificada como “Vítima Menor 1” na acusação federal de tráfico sexual apresentada contra Epstein em 2019. Ela afirma que tinha apenas 14 anos quando foi abusada pelo financista, em 2002.

Jeffrey Epstein morreu em 2019, em uma prisão de Nova York, enquanto aguardava julgamento por acusações federais de tráfico sexual de menores. A morte foi oficialmente classificada como suicídio.
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