Um funcionário do Instituto Médico Legal (IML) de Santos (SP) foi preso na segunda-feira (8). Segundo reportagem da TV Tribuna exibida nesta quarta-feira (10), Daniel Nathan Ribeiro Andrade, de 36 anos, é investigado pela Corregedoria da Polícia Civil após ser apontado como responsável por movimentar R$ 7 mil pelo celular de um homem morto.
Segundo as investigações, o atendente do necrotério teria usado o celular do motociclista para fazer a transferência diretamente para a própria conta. No dia 24 de maio, ao procurar o banco para encerrar a conta do marido, a viúva identificou um Pix realizado após o horário do falecimento. Ao conferir os dados do destinatário, ela chegou ao nome de Daniel, que trabalhava no IML do litoral paulista.
Diante da situação, a mulher registrou um boletim de ocorrência no 3º Distrito Policial da cidade. A viúva contou que, mesmo após a denúncia, o funcionário continuou trabalhando no local. Ela afirmou que soube que Daniel ainda estava lá quando foi retirar um documento necessário para o processo de inventário e acabou sendo atendida por ele.

Segundo a mulher, ela não imaginava que o suspeito ainda estivesse trabalhando no local. “Ele foi tão sangue frio ao ponto de nos atender e não esboçou reação nenhuma. Era como se estivesse atendendo uma pessoa normal”, relembrou.
Durante o atendimento, a viúva chegou a questionar o nome do funcionário. Segundo o relato, ele se apresentou com outra identidade: “Fábio. Eu falei ‘obrigada, precisava agradecer por ser atencioso’. Ele entregou o que eu precisava e fui embora. A gente conseguiu ver que era ele mesmo. Eu fui na Corregedoria, falei que eu acabei de sair do IML, fui atendida e ele deu o nome de Fábio, mas era ele”.
O corpo do motociclista deu entrada no IML por volta das 3h26 do dia 15 de maio. A família conseguiu informações iniciais às 9h, mas o reconhecimento só foi realizado às 11h. Nesse momento, o celular da vítima foi entregue danificado.
A esposa da vítima também levantou suspeitas sobre uma possível manipulação do aparelho. Ao acessar o celular, ela percebeu que não havia mais registros de mensagens e mídias no WhatsApp e a última visualização registrada no aplicativo foi às 8h22 do dia da morte. Conforme a reportagem, a transferência foi realizada às 6h49, antes mesmo do reconhecimento oficial do corpo. A esposa acredita que Daniel possa ter danificado o celular após a operação e restaurado o aparelho: “O telefone estava funcionando normalmente, ele que quebrou […] Espero que a justiça seja feita”.
Veja o comprovante da transferência via Pix:

O acidente
O motociclista morreu na madrugada de 15 de maio, após sofrer um acidente na Avenida Mário Covas. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), ele perdeu o controle da direção e colidiu contra um poste.
“A Superintendência Polícia Técnico-Científica (SPTC) acompanha o caso, reforça que não compactua com desvios de conduta e adota as medidas administrativas e disciplinares cabíveis sempre que irregularidades são identificadas”, diz a pasta, em nota.
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