A mulher de 37 anos que enganava famílias fingindo ser uma menina de 12 anos teria abandonado a voz infantil durante um depoimento. De acordo com o g1 nesta sexta-feira (12), a delegada Luana Tamiozzo Medeiros contou que confrontou a suspeita em uma abordagem anterior, em 2021. Após tentar enganar os policiais, Amanda Maria Souza de Oliveira teria sido convencida a falar com sua voz verdadeira.
Segundo a agente, Amanda já havia sido alvo de uma investigação em Cachoeirinha, no Rio Grande do Sul. Na época, a mulher se apresentava como uma criança em situação de vulnerabilidade e era acolhida por famílias, profissionais da saúde e integrantes da rede de proteção à infância.
A policial relembrou que o momento mais marcante da investigação aconteceu logo após o cumprimento do mandado de prisão. “Coloquei ela na sala e ela começou a fazer voz de neném para mim”, recordou Luana em entrevista à RBS TV. A situação mudou após uma abordagem da agente: “Ela engrossou a voz e olhou no meu rosto e disse: ‘Então tá, delegada, agora é de mulher para mulher'”.
Durante a operação, os agentes também recolheram os pertences da investigada. “A equipe apreendeu a mala dela também. A mala era cheia de bicos e mamadeiras”, contou a delegada.

Na época, as suspeitas sobre a identidade da mulher surgiram após pessoas das famílias que a acolheram procurarem a polícia para relatar comportamentos considerados incomuns. “Eles vieram falar comigo porque a então menina estava tendo comportamentos estranhos, nervosos. Saíam agulhas, pregos de dentro dela. Quando eles vieram me trazer, eu pensei: ‘Isso não é uma menina, é uma mulher’. Desconfiei de cara e vi que não era, era uma mulher”, recordou.
Sem conseguir confirmar a verdadeira identidade da mulher, a delegada decidiu recorrer à internet. “Eu joguei no Google ‘menina criança ferros no corpo’, algo assim. E aí descobri que havia dez anos acontecia isso”, relatou. A pesquisa revelou registros semelhantes em outros estados. Depois disso, Luana entrou em contato com um delegado da Bahia e enviou uma fotografia da suspeita até finalmente confirmar as hipóteses.
O pedido de prisão preventiva foi feito após relatos de que ela estaria apresentando comportamento agressivo na casa de uma das famílias que a acolheram. “Ela começou a ficar agressiva com a outra criança por ciúmes. Tínhamos que cuidar com a queda dela porque ela tinha muito ferro no corpo. A prisão dela foi a coisa mais louca do mundo”, relembrou.
Luana ainda revelou o que Amanda disse quando foi questionada sobre assumir identidades falsa: “Ela me confessou e argumentou que o motivo é que queria ter uma família. No depoimento dela, nunca disse que era para fazer o mal”.

Amanda foi indiciada pela Polícia Civil e chegou a permanecer seis meses presa por estelionato, até ter a prisão relaxada pela Justiça. O processo no Rio Grande do Sul acabou suspenso após ela não ser localizada. Na semana passada, ela foi presa novamente em Santa Catarina.
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