Governo federal anuncia medida sobre ponte onde jovem morreu após ser lançada de rope jump

Prefeituras de Limeira e Cordeirópolis, no interior de São Paulo, também se manifestaram

O governo federal anunciou medidas relacionadas à Ponte do Esqueleto, no interior de São Paulo, após o falecimento de uma jovem. As prefeituras também se comprometeram em impedir o acesso à estrutura.

O governo federal informou, na noite desta segunda-feira (15), que avalia a demolição da Ponte do Esqueleto, onde a jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, morreu durante um salto de “rope jump”. Ela foi lançada de uma altura de 40 metros, sem estar presa às cordas de segurança.

A estrutura fica na divisa entre os municípios de Limeira e Cordeirópolis, no interior de São Paulo, e está desativada para tráfego de veículos há 30 anos. A ponte pertence ao governo federal e está localizada em uma área rural cercada por matas e trilhas, que são frequentemente utilizadas por ciclistas, corredores e praticantes de esportes radicais.

Após a morte de Maria Eduarda, a Secretaria de Patrimônio da União (SPU) se reuniu com as prefeituras das duas cidades para discutir possíveis medidas relacionadas à ponte. “A SPU continuará discutindo com os governos locais uma solução definitiva para a referida ponte, que poderá ser eventual remoção“, informou.

Em nota, o governo federal confirmou que a SPU e a Advocacia-Geral da União (AGU) estiveram ontem na região da estrutura e mantiveram reuniões com a prefeita de Cordeirópolis, Cristina Saad (União), e o prefeito de Limeira, Murilo Felix (Podemos), e suas equipes. As duas prefeituras apoiam a possibilidade de implodir a ponte desativada.

Governo federal avalia demolição da Ponte do Esqueleto. (Foto: Wesley Almeida/EPTV)

A Prefeitura de Cordeirópolis afirmou que o acesso à ponte pelo município sempre esteve bloqueado. Já a Prefeitura de Limeira informou à SPU que vai reabrir uma vala para impedir acesso ao local. Ambas as prefeituras concordaram em atuar em conjunto para inibir acesso à estrutura até uma solução definitiva.

Enquanto a decisão segue discutida, o governo federal se comprometeu em colocar placas de aviso, salientando que a Ponte do Esqueleto é propriedade da SPU e a entrada é proibida, e instalar barreiras físicas. A SPU também afirmou que nunca autorizou saltos de “rope jump” na estrutura. “A SPU reafirma que a transferência da ponte para o Patrimônio da União sob gestão da Secretaria foi oficializada em maio, que nunca autorizou nenhuma atividade na referida ponte e que o diálogo e parceria entre entes federados é o caminho para gestão de espaços de uso comum“, finalizou.

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O Ministério Público Federal (MPF) disse que o processamento e julgamento do caso não ficarão necessariamente na esfera federal somente pelo fato de a área pertencer à União. “Trata-se de uma ocorrência que, em tese, corresponde às atribuições dos órgãos estaduais de persecução penal (polícia e Ministério Público de SP) para atuação. Porém, para que isso seja definido, é preciso antes que o MPF analise os fatos preliminarmente e avalie o encaminhamento. Não há um prazo preestabelecido para a conclusão dessa etapa“, declarou.

De seis responsáveis pelo salto, três homens seguem presos. (Foto: Reprodução/TV Globo)

Para a EPTV, afiliada da TV Globo, a delegada responsável pelo caso, Andrea Levy, também falou que buscará providências em relação à Ponte do Esqueleto. “Farei o possível, com o apoio do município e em contato com os Ministérios Públicos Estadual e Federal, para buscar uma providência urgente em relação à interdição, demolição ou qualquer outra medida necessária para essa ponte, que já foi palco de muitas tragédias“, garantiu.

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Morte em ‘rope jump’

A tragédia aconteceu no último sábado (13), quando Maria Eduarda participou de uma atividade de “rope jump” na modalidade conhecida como “aviãozinho”, em que o participante é sustentado horizontalmente antes de ser lançado da plataforma. Segundo as investigações, ela foi impulsionada sem que as cordas de segurança estivessem presas e caiu de uma altura de 40 metros.

Ao longo dos anos, a Ponte do Esqueleto se tornou um ponto turístico informal. Apesar da desativação, a área passou a receber visitantes atraídos pela vista e a realização de saltos de “rope jump”. A modalidade não possui uma regulamentação definida no país. Em 2024, um ciclista também faleceu no local, o que fez a SPU solicitar à Prefeitura de Limeira que realizasse o bloqueio do acesso à estrutura, bem como a sinalização de perigo. A entrada, porém, foi reaberta meses depois.

De seis responsáveis pelo salto de Maria Eduarda, três homens — que aparecem carregando a vítima até a plataforma — seguem presos. Eles são investigados por homicídio com dolo eventual, quando se assume os riscos, mesmo sem ter a intenção de matar. Neste domingo (14), a Justiça converteu a prisão deles em preventiva. As investigações seguem em andamento.

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