Ex-patrão faz revelação sobre instrutor preso por morte de jovem em salto de rope jump

O empresário afirma que Luís Felipe Egoroff demonstrava “excesso de confiança e resistência” a treinamentos antes da tragédia

A investigação sobre a morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas ganhou novos desdobramentos após declarações de um empresário que trabalhou com um dos presos pelo caso. O relato aborda a atuação profissional do instrutor e cita questões relacionadas a procedimentos de segurança.

Um empresário que trabalhou com Luís Felipe Egoroff, um dos três homens presos preventivamente pela morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, afirmou que o instrutor costumava demonstrar “resistência a protocolos de segurança” durante atividades de rope jump. O ex-colega de trabalho ainda deu detalhes sobre as atitudes do funcionário em entrevista ao UOL, nesta quarta-feira (17).

Egoroff atuou entre 2018 e 2023 como freelancer na empresa de Danilo Druzian, a Alta Queda, especializada em esportes radicais. Ele foi desligado do grupo e, há menos de um ano, montou seu próprio negócio, o Entre Cordas, com Maicon Fernandes Cintra (também preso) e Evelyne Goddard.

Segundo o ex-colega, Egoroff seria “resistente a protocolos de segurança”. Em uma ocasião ocorrida em 2023, o instrutor teria preparado o salto de uma cliente utilizando uma técnica considerada ultrapassada e menos segura para prender os mosquetões, peças responsáveis pela conexão das cordas. Ao ser corrigido, ele teria reagido com irritação.

Além disso, ele considerava algumas etapas de verificação “desnecessárias” e costumava se incomodar quando era questionado mais de uma vez sobre os procedimentos de segurança. “Ele já fez muitos saltos ao longo da vida, mais de 5 mil, confiava muito no que fazia. Mas isso pode causar um acidente, como o da Maria, por descuido e falta de atenção. Conheço os dois [Egoroff e Cintra], como pessoa também, são do bem, mas ali vejo que foi um excesso de confiança”, afirmou um ex-colega que preferiu não se identificar.

De seis responsáveis pelo salto, três homens seguem presos. (Foto: Reprodução/TV Globo)

O mesmo funcionário contou ainda que Egoroff demonstrava pouca disposição para participar de treinamentos extras promovidos pela empresa. “Havia reuniões e testes voltados para melhoria contínua do trabalho, mas ele tinha resistência em participar desse tipo de curso”, declarou.

Druzian decidiu, então, desligar Egoroff e outros colaboradores há cerca de três anos durante uma reestruturação da equipe. O empresário alegou que diversas orientações já haviam sido feitas anteriormente, mas os problemas persistiam.

Apesar das críticas, pessoas que trabalharam com Egoroff destacaram as habilidades técnicas do instrutor, considerado experiente na montagem das estruturas e na execução de testes de novos saltos. O ex-patrão afirma que Egoroff é “muito frio” para saltar, tem “ótima consciência corporal” e é um ótimo executor para testes de novos saltos.

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Outro detalhe que chamou atenção após a tragédia foi a repercussão de um vídeo publicado pelo próprio Egoroff em 2022. Nas imagens, ele aparece sendo carregado dentro de um saco preto por colegas antes de ser lançado de uma plataforma em uma brincadeira semelhante à modalidade “aviãozinho”, a mesma escolhida por Maria Eduarda no dia do acidente.

Durante a gravação, é possível ouvir pessoas rindo e gritando: “Joga esse corpo”. Na legenda, ele escreveu: “Desovando corpo”. Segundo a empresa Alta Queda, a gravação retratava apenas uma brincadeira interna realizada entre membros da equipe.

A morte de Maria Eduarda aconteceu no último sábado (13), na região da Ponte do Esqueleto, entre Limeira e Cordeirópolis, no interior de São Paulo. A jovem caiu de aproximadamente 40 metros após ser lançada sem a corda de segurança presa ao equipamento.

Governo federal avalia demolição da Ponte do Esqueleto. (Foto: Wesley Almeida/EPTV)

A Polícia Civil investiga o caso como homicídio com dolo eventual. Além de Egoroff, também permanecem presos Vitor de Freitas Gonçalves, de 27 anos, e Maicon Fernandes Cintra, de 42. Segundo a delegada responsável pelo caso, os três afirmaram ter sofrido um “apagão” e disseram não conseguir explicar como a falha ocorreu.

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Relembre o caso

Maria Eduarda participava de um evento de rope jump realizado na Ponte do Esqueleto, entre Limeira e Cordeirópolis, interior de São Paulo. O grupo organizava saltos de aproximadamente 40 metros de altura, cobrando R$ 180 por participante. Cerca de cem pessoas participaram da atividade naquele sábado. A vítima escolheu a modalidade conhecida como “aviãozinho”, em que o praticante é lançado pelos próprios instrutores, em vez de saltar sozinho.

Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, morreu após realizar um salto de rope Jump sem a corda de segurança (Foto: Reprodução/Instagram)

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Segundo testemunhas, Maria Eduarda usava uma câmera presa ao corpo durante o salto. No entanto, o equipamento desapareceu após o acidente. Saiba detalhes, clicando aqui.

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